Black Kids – “Partie Traumatic”
Nota: 3 / 5
Nas últimas semanas, fãs e críticos se perguntavam se o álbum de estréia do quinteto americano Black Kids chegaria ao mesmo nível do trabalho apresentado pela banda em suas gravações anteriores. Todos queriam saber se o grupo conseguiria repetir o sucesso do hit “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance With You”, que estourou em pistas de dança de vários países. O que aconteceu hoje, quando “Partie Traumatic” foi lançado oficialmente, foi o que poucos esperavam: a banda apareceu com um som de qualidade tão apurada que causou estranhamento em fãs que já conheciam (ou achavam que conheciam) mais de metade das faixas do disco.
A banda formada em 2006 na Flórida é um daqueles fenômenos da música que conseguem fazer tanto sucesso na Internet que antes mesmo do lançamento do primeiro disco já se dão o luxo de sair em turnê mundial, de lançar videoclipes e de colocar singles de sucesso na praça. Sete das 10 canções que estão no álbum de estréia da banda já tinham sido lançadas como singles, disponibilizadas no MySpace ou simplesmente vazado na web – tudo em versões “amadoras”, sem sofisticação técnica.
O entusiasmo em torno dessas músicas foi tanto que, quando “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance With You” foi lançado oficialmente como single no Reino Unido, em abril, chegou ao 11º lugar nas paradas. Os fãs, as publicações e os sites britânicos, aliás, foram os grandes responsáveis pelo hype em torno do Black Kids. Talvez por isso a banda americana tenha gravado o álbum de estréia na Inglaterra e escolhido o britânico Bernard Butler para produzi-lo. Butler foi guitarrista do Suede e produziu artistas que vão de Libertines e Cajun Dance Party a Aimee Mann e Duffy.
O salto das gravações independentes para a sofisticação de um estúdio inglês é um caminho comum para a maior parte das bandas de indie rock. Talvez o Black Kids enfrentasse um desafio maior: seria difícil impressionar público e crítica com letras e canções que já eram conhecidas por tanta gente. Para sorte dos fãs, o upgrade técnico do trabalho em estúdio não apagou as marcas dos anos 80 e as melodias pop das primeiras gravações do grupo.
Por outro lado, quem conheceu as versões anteriores das canções repetidas em “Partie Traumatic” deve perceber algo árido ou sem vida no meio das batidas empolgantes do disco. É então que se percebe que o tal estranhamento de quem ouve o álbum foi causado pelo toque de Bernard Butler. Pode-se até pensar que a qualidade do som ficou tão diferente que é impossível reconhecer o Black Kids nele.
O som das guitarras e os arranjos eletrônicos estão mais artificiais e a voz de Reggie Youngblood está mais afetada do que seria necessário. Em “Hit the Heartbrakes”, canção que abre o disco, o vocalista falha com freqüência e parece não alcançar metade das notas. Em “I’ve Underestimated My Charm (Again)”, o som de Reggie ganha atenção demais na mixagem, sem explicação nenhuma.
Entre as canções novas, nenhuma se destaca em especial, mas “I’m Making Eyes at You” desperta interesse. Apesar de não passar de uma balada convencional, deixa clara a influência de bandas dos anos 80, como The Cure e The Smiths.
Diante de poucas novidades boas e mudanças demais nas outras sete canções, não foi difícil encontrar fãs que agora acham que a banda sucumbiu ao peso do hype. Há quem se pergunte se os “erros” no álbum são uma falha de produção. Por outro lado, pode ser que a ótima qualidade do som tenha apenas feito aparecer os defeitos da banda. A confirmação ou destruição dessas suposições só deve vir com o tempo, depois que a banda lançar seu próximos trabalhos.
Por enquanto, “Partie Traumatic” tem o mérito de trazer um hit ainda empolgante, que é “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You”. Apesar das primeiras notas quase irreconhecíveis no riff inicial e dos floreios vocais que fazem Reggie cantar um “you are the giiiiiiiiiiiiiiiiiiiirl” longo demais no primeiro verso, continua impossível não ficar animado e dançar com o refrão.
“Partir Traumatic” está disponível para audição no MySpace da banda.

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