Weezer – “The Red Album”
Nota: 3 / 5
O Weezer é o típico caso de crítica certa feita da maneira errada. Pois vejam bem. Todo lançamento de disco da banda é a mesma ladainha: uma pá de gente dizendo que é tudo igual, que a banda se repete, que estão lançando o mesmo disco desde sempre. Digamos que o caso fosse mesmo esse: haveria, eu pergunto, problema tão grande?
A música pop é, em grande parte e desde sempre, sobre repetição. Não estou pregando aqui que ouçamos sempre a mesma música, mas daí a querer que uma única banda revolucione a história do rock de dois em dois anos já passa dos limites. Para isso existem as vanguardas, o experimentalismo. E o Weezer está bem, bem longe disso. Cada um no seu quadrado.
Meu ponto é: se os caras tiveram a manha de forjar uma fórmula boa, não fazem mais do que estar em seu direito ao exercitá-la. O R.E.M. parece ter entendido isso agora, e fez seu melhor álbum em anos, “Accelerate”, no qual eles…voltam a fazer o que faziam na década de 80. E foram devidamente celebrados por isso. Pela mesma crítica que mete o pau na repetição do Weezer. Contraditório?
Esse é um ponto. O outro é que, se repetindo ou não, a banda nunca fez um álbum tão bom quanto o seu début, o famoso álbum da capa azul. E aí a questão não é inovação, mas meramente inspiração para boas melodias e letras que ao menos fujam do banal. Dá para traçar sem grandes dificuldades uma trajetória descendente, que se inicia no “Blue Album”, continua pelo “Pinkerton” (segundão, adorado pelos fãs, e de fato muito bom), já decai no “Green Álbum” (bem abaixo, mas ainda muito bom) e depois rola sem freio ladeira abaixo. E o ponto triste é que esse novo “Red Album” (por Deus, eles querem fechar o arco-iris?) é mais do mesmo.
As expectativas, ou ao menos as minhas, existiam: “Pork and Beans”, o primeiro single (e rezam as más línguas, composto por pressão da gravadora), é uma genuína canção weezeriana, com todos os power-chords que isso significa, e uma letra esperta que tira sarro do Timbaland.
A faixa de abertura, “Troublemaker” alimenta esperanças com elementos semelhantes (that’s what they do, man), quase iguais, mas uma batida levemente acelerada e um refrão ainda melhor, carregado de backing vocals.
Daí em diante, no entanto, o álbum é uma ode à irregularidade: equívocos que beiram o constrangedor (“Everybody Get Dangerous”) se misturam a algumas boas idéias mal executadas (a parte final de “Heart Songs” lembra por demais “The World Has Turned and Left me Here”, só que sem o mesmo punch). Se nos melhores momentos o Weezer tem o dom do pop dourado, quando erra a banda consegue soar como trilha sonora das piores comédias adolescentes americanas. E eles vêm fazendo isso com uma freqüência irritante.
No meio da confusão, sobra perdida uma ótima “Dreamin´”, que até chega a animar; mas na sequência vem “Thought i Knew”, um girlie pop com beat eletrônico esquisito, outro daqueles momentos embaraçosos sobre os quais eu falei ali em cima. E aí você vê que o disco é irregular mesmo, sem remédio.
Noves fora, fica o consolo de que o Weezer ainda é uma banda de bons, ótimos singles, e isso já é alguma coisa, nesses tempos cabreiros. Mas para o que é, eu ainda acho que é pouco.

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Po, eu adorei “Thought i Knew”!!!!
wezzer é empolgado.adoro isso.
a questao da mesmice p mim é a seguinte: ter um estilo é produzir com qualidade sem perder aquele “quê” proprio.
é dificil p todo artista, mas acho q os musicos sofrem mais com isso.
O dia é fraco que dá dó.
Mesmice?
Não acho, pois está muito pior que o Make Believe, que já era ruim. Então, eles estão diferentes sim: cada vez piores!
Saudades de discos descentes como o Blue e o Pinkerton…