
Michael Stipe
R.E.M – Accelerate
Nota: 4 / 5
Tida como uma possível – eu disse possível – aposta para este segundo semestre, o R.E.M. (Rapid Eye Moviment, em inglês), pode mostrar algum material novo aos fãs brasileiros. Em entrevista à New Musical Express, o vocalista Michael Stipe comentou que o grupo está em intenso processo de criação durante a turnê européia e pode eventualmente surpreender o público em alguma apresentação.
“Os outros membros do grupo me deram algum material e nós estamos trabalhando em pouco nele. Estou escrevendo novas músicas enquanto estamos em turnê e é provável que uma ou duas faixas novas surjam em shows antes mesmo de serem gravadas ou lançadas”, disse Stipe.
A informação de que a banda poderia vir ao Brasil foi lançada pelo jornal chileno “La Nación”, de Santiago. Segundo a publicação, em um festival na Bélgica, Michael Stipe disse que “estaria no país” ainda este ano, possivelmente em novembro.
Enquanto as músicas não aparecem e a confirmação do show não chega, vale registrar que o último álbum do grupo, “Accelerate”, que saiu em março, é dos lançamentos mais sólidos do ano. O disco deu novo fôlego à carreira do R.E.M., que já chegou a assinar contrato de US$ 80 milhões com a Warner, e vinha em declínio desde o elogiado “New Adventures In Hi-Fi”, de 1996.
A trajetória descendente foi confirmada com o irregular “Around The Sun”, de 2004, primeiro álbum dos norte-americanos a não ser contemplado com um disco de ouro desde que começaram a fazer sucesso. A mudança veio com a chegada do premiado produtor do Bloc Party Jacknife Lee, que comparou o R.E.M. com o U2 – duas bandas antigas, representativas e que precisavam ser reinventadas – e trouxe o grupo de volta aos palcos internacionais.
O disco fez com que o grupo deixasse os teclados de lado e apostasse em guitarras mais densas, com o adendo de que o vocal de Stipe, hoje com 48 anos, está com uma performance rara, limpa, envolvente. “Accelerate” tem uma vitalidade que lembra inclusive os acordes de “Out Of Time” e “Automatic For The People”.
Numa referida lembrança a clássicos como “It’s The End Of The World As We Know It”, onde ataca o republicano Ronald Reagan, o grupo voltou a impor conotações políticas a suas letras, como na ótima “Man-Sized Wreath”, em que criticam a administração do governo Bush e sua política de ataques preventivos e desrespeito aos direitos humanos. Já na soturna “Houston”, Stipe culpa o governo pela tragédia remanescente do furacão Katrina.
“Accelerate”, além de trazer o bom e velho R.E.M. de volta ao que melhor sabem fazer, recicla a banda que, desde a saída do baterista Bill Berry, em 1997, não conseguia construir discos a altura do talento dos músicos que tinha. O mais importante é que a grande impressão é que a banda passou a acreditar novamente em si mesma.
Abaixo, “Supernatural Superserious”, em que Stipe “interpreta”, entre outras coisas, um vendedor da cadeia de lojas Haliburton. O videoclipe é dirigido pelo diretor mais cotado dos últimos anos, Vincent Moon, que gravou o DVD da também norte-americana The National.
Que bom q uma banda legal como o REM voltou a fazer algo cool