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ENTREVISTA: Bad Religion

Posted in entrevista by Guilherme Sorgine on 4 setembro, 2008

Nunca entendi muito bem o porquê, mas é fato que há uma síndrome de cachorro morto que aflige o cenário de shows brasileiro. Então você tem a tal banda, muito celebrada, muito desejada. Quando enfim vem tocar no Brasil, yeah, a celebração é geral. Mas aí o tal grupo volta dois anos depois, e a recepção já não é a mesma. Se comete o erro de voltar ao país pela terceira vez em não menos que cinco anos, esquece: vira pé de página de caderno cultural, na melhor das hipóteses.

Vejam o caso do Bad Religion.

Contemporânea a alguns nomes dos mais cultuados do hardcore californiano (Dead Kennedys, Black Flag), não é exagero dizer que a banda divide com eles o epíteto de “uma das mais influentes do estilo”. Como se não fosse suficiente, reúne atualmente uma verdadeira seleção, que inclui músicos com passagens por Circle Jerks (o guitarrista Greg Hetson), Minor Threat (o também guitarrista Brian Baker) e Suicidal Tendencies (o baterista Brooks Wackerman). Apesar de tudo isso, cometeu um “erro” não repetido por seus cultuados conterrâneos: desde 1996, já veio ao Brasil quase 10 vezes. Pronto, estava perdida a aura.

Em quase três décadas de carreira, a banda já reinou no underground (o guitarrista Brett Guruwitz é fundador e dono da Epitaph Records, responsável por nove entre dez nomes saídos da sunny California), se aproximou do mainstream (assinou com a Atlantic em 1993) e voltou à independência em 2001. Ao longo de tudo isso, afora algumas mudanças pontuais (30 anos, afinal de contas, pesam nas costas de qualquer um), permanecem relativamente fiéis ao estilo que os consagrou (vide álbuns recentes como “New Maps of Hell” e “The Empire Strikes First”).

Às vésperas de voltar ao Brasil, para shows em Fortaleza, São Paulo e Curitiba (o Rio dessa vez ficou de fora), o baixista e fundador da banda Jay Bentley trocou uma idéia exclusiva com o Subsom, que você confere agora.

- Olá Jay, como você está? Animado para tocar no Brasil?

Olá, amigo!  Nós sempre ficamos animados para tocar no Brasil! Os fãs são ótimos, nós fizemos muitos bons amigos por aí ao longo dos anos.

- É a sua sétimas vez no país, certo?

Acho que sim, foram tantas que já perdi a conta (risos).

- Pelas minha contas, é isso mesmo. Depois de tantas apresentações, planejam algo novo para esta vez?

Bem, acho que se for planejado, nunca será uma surpresa de verdade (risos). Nós nunca sabemos o que vai acontecer em cima do palco, é sempre uma surpresa, até mesmo para nós!

- Como você se sente, ao ser tão popular em um país distante, após todos esses anos de carreira?

Sem demagogia, acho que a melhor definição seria uma só: honrado.

- Qual é a sua melhor memória do país?

Que pergunta difícil, cara! São tantas…e geralmente envolvem sentar em uma praia e tomar muitos drinks (risos).

- Algum show em especial que você considere o melhor?

Nenhum show é melhor que outro. Nós sempre entramos no palco tentando fazer com que cada show seja sempre o melhor.

- E sobre o novo álbum? Estão correndo pela internet alguns boatos de que poderia sair em 2009. Algo confirmado, ou são apenas planos?

Na verdade, nós não temos nada planejado ainda. Tudo o que vem correndo não passa de boato. Nós provavelmente não pensaremos nisso pelos próximos meses. Greg vai começar a dar aula novamente (além de vocalista do BR, Greg Graffin também é doutor em paleontologia!!!), e nós teremos alguns meses para descansar, escrever e pensar no que vamos querer fazer daqui pra frente.

- Nós definitivamente vivemos uma época conturbada, com problemas políticos, no Iraque, Irã, África. Ainda assim, a maior parte das novas bandas punk não parece ser tão politizada quando as da geração anterior. O que você acha disso?

Ainda há muitas boas bandas por aí, mas o que acontece é que as mais populares hoje em dia são as bandas emo. E elas em geral não gostam de falar sobre política, preferem falar sobre garotas. Para mim não há problemas nisso, o punk rock sempre falou sobre isso também.

- Depois de tantos anos, você acha que o punk rock ainda pode falar pelas novas gerações?

Definitivamente sim! Boas bandas sempre vão continuar surgindo!

- Ainda sobre isso, vocês têm algumas músicas sobre guerras, como “Let Them Eat War” e “News From the Front”.  Qual é a sua visão sobre a Guerra do Iraque?

Para mim, sempre foi claro que esta é uma guerra travada pelo controle do Oriente Médio, das reservas de petróleo e por questões políticas. Nós escrevemos sobre isso, e talvez escrevamos mais no futuro. Mas são apenas músicas, e as pessoas que se importam realmente com isso devem ir fundo no assunto. Há milhares de documentos, até mesmo na internet, que podem ser lidos por qualquer um que tenha interesse.

- Você já tem candidato para as próximas eleições presidenciais americanas?

Sim! Vou votar em Barack Obama, com toda certeza.

- O Bad Religion escreveu “20th century digital boy” no começo dos anos 90, antes do início dessa febre de internet e telecomunicações. De lá pra cá, veja só o que aconteceu, com todos esses “garotos digitais” (“digital boys”). Como isso te parece hoje?

Às vezes a realidade é mais estranha que a ficção (Stranger than Fiction) (risos). Não acho que nós sejamos videntes nem nada do tipo, mas naquele momento certamente era fácil prever o caminho que as coisas estavam tomando, que a humanidade estava trilhando.

- Vocês vêm tocando há quase 30 anos, e obviamente influenciaram muitas e muitas bandas. Você se considera um veterano?

Hmmmm… eu nunca pensei as coisas nesses termos, mas por que não ? Acho que “veterano” é uma descrição perfeita.

- Como você vê o Bad Religion pelos próximos 30 anos?

Alguns mortos, alguns velhos, alguns ainda surfando (risos).

- Após quase 10 anos afastado, o guitarrista Brett Gurewitz voltou para a banda em 2002, mas somente para as gravações de estúdio. Por quê?

Brett é responsável por uma parte enorme das composições e das letras dessa banda, sempre foi e possivelmente sempre será. Mas é impossível para ele deixar a sua gravadora (Epitaph) por períodos muito longos, o que é praticamente inevitável quando se está em uma grande turnê. É preciso chegar a um meio termo, entre as necessidades dele e as nossas, e honestamente, esse foi o melhor acordo ao qual nós pudemos chegar, e é preciso aceitar as coisas da maneira como elas são.

- Então não há chances de o vermos em uma turnê com a banda pelo Brasil ?

Acho que não, ele não está excursionando conosco.

- Vocês estão tocando há alguns anos com o baterista Brooks Wackerman (ex-Suicidal Tendencies). Agora que a mudança está consolidada, quais as diferenças que você percebe entre ele e o antigo baterista, Bobby Schayer?

Bem, Brooks realiza um treinamento mais diversificado do que o que era realizado por Bob. Quando Bob chegou para entrar na banda, no começo dos anos 90, em “Generator”, ele era tão impetuoso, um dos caras mais legais e divertidos para se ter por perto. Era um prazer tocar em uma banda com ele. Mas com o passar dos anos, ele foi se tornando menos capaz de tocar da maneira como desejava, e isso terminou afetando a maneira como ele se divertia, e o seu prazer de estar na banda praticamente acabou.

- Por falar nisso, como Bobby está? Ele se recuperou do problema de saúde (o baterista deixou a banda por causa de um problema no ombro)?

Honestamente, eu não falo com Bob há alguns anos, nós realmente perdemos contato. Eu sei que ele está excursionando com o Interpol (n.e: como roadie), nós temos amigos em comum, alguns dos quais trabalharam com ele. Eles disseram que ele está bem.

- Mande uma última mensagem para seus fãs do Brasil…

Vocês são os melhores!!!

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8 Respostas

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  1. Gabe said, on 4 setembro, 2008 at 13:08

    Awesome.
    =)
    Feliz, imagina eu, meu pessoal e eles tomando drinks na praia? Seria o sonho.

    Gostei do Blog.

  2. Gabriel said, on 4 setembro, 2008 at 13:25

    Legal a entrevista.
    Doutor em paleontologia… surreal. Será que vai dar aulas mesmo ou virar curador de museu?
    Isso aí, Obama’08!!!11

  3. Feilpe said, on 5 setembro, 2008 at 1:56

    INfelizmente não vou poder ir desta vez por não estar na cidade. Mas é verdade… essa síndrome de “arroz de festa” realmente existe é totalmente estúpida.

    Só uma correção: News From The Front não é uma música sobre guerras… ela fala sobre a AIDS, segundo o próprio Brett.

    http://www.thebrpage.net/songs/defining_br_song.asp?song_id=217

  4. Filippo said, on 6 setembro, 2008 at 1:37

    BR cometeu um erro ao vir tantas vezes para o Brasil? Ah cara, faça-me um favor e PENSA um pouco antes de escrever qualquer asneira que surgir na sua cabeça…
    quantas vezes as bandas de punk rock (e as grandes bandas de sucesso em geral) tocam por ano em países como Inglaterra, França, Alemanha?
    Pela sua lógica é melhor estar no Brasil e ver um show de sua banda favorita a cada 5 anos do que ter a oportunidade de ver 1-2 shows por ano.
    A entrevista foi legal, mas essa introdução acabou com seu artigo.

  5. criticaconstrutiva said, on 6 setembro, 2008 at 1:37

    vc entrevistou ele aonde???

  6. Guilherme Sorgine said, on 6 setembro, 2008 at 15:03

    Ok, internet é território livre, e as críticas são bem vindas. Mas, gente, por favor né, vamos ler com atenção antes de descer o cacete.
    Filippo, quando se diz que alguém cometeu um “erro”, assim com aspas, obviamente se está utilizando de ironia.
    Leia com calma a abertura e você notará que a crítica não foi dirigida ao BR, mas às pessoas que os criticam por tocarem tanto no Brasil. De outro modo, não faria muito sentido ter entrevistado a banda, não é mesmo?

    Um abraço, e continue visitando o blog!

  7. nilo rocha said, on 8 setembro, 2008 at 2:08

    O show de Fortaleza foi bem legal. Do caralho!

  8. Rodrigo said, on 10 julho, 2009 at 1:39

    esse blog existe ainda? muito foda o escrito e a entrevista! adorei pacaralho!!!


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