Se estiver à toa, procurando alguma coisa nova e interessante pra ouvir, passou pelo lugar certo. Logo abaixo, selecionei cinco coisas bacanas pra você procurar e baixar. Depois, é só dizer que valeu a pena. Ou não.
5) Mart’nália – “Madrugada”
A musa inspiradora do samba lançou recentemente seu mais novo álbum, Madrugada. Mais gatinha que nunca, a filha do Martinho arrasou no álbum, repleto de samba-soul. Este álbum tem, mais do que nunca, a cara de Mart, por fixar-se em seu lado notívago, da carioca malandra que adora praia e curte uma pemba de vez em quando. Diferente do bem sucedido “Menino do Rio”, produzido pela Quitanda de Maria Bethânia, Madrugada saiu pela Biscoito Fino e deixou de fora vários compositores de peso. “Pedi para Marisa Monte, fiquei de ir buscar, não fui. Tinha um CD com músicas inéditas da Adriana Calcanhotto que ela mandou no ano passado. Perdi. Fiquei com vergonha de dizer quando a encontrei. Pedi pro Caetano, ZD (Zélia Duncan) mandou umas letras que eu não consegui pegar”, revela, hilária, como sempre. Mas vale a pena pra quem quer curtir um sambinha sutil e bem humorado. Os destaques estão por conta de “Sem Dizer Adeus”, do Moska, “Alegre Menina”, com participação de Luiza Possi e a incrivelmente divertida “Batendo a Porta”, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro. Tudo está no lugar certo.
4-) Ben Folds – “Way To Normal”
O sétimo álbum de Folds é, talvez, o mais underrated do ano. Recebido friamente pela crítica especializada, Way To Normal é extremamente enérgico, inteligente e repleto de musiquinhas viciantes. Aos 42 anos de idade, Folds prova que é o melhor cantor de “piano-power-pop” que tem por aí, e em muitas vezes lembra Sufjan Stevens (não com a mesma genialidade, mas…). O álbum reserva pelo menos quatro obras-primas: as maravilhosas “Cologne” e “Kylie From Connecticut”, a enérgica e engraçada “Bitch Went Nuts” (The bitch went nuts/She stabbed my basketball/And the speakers to my stereo/She called me ‘cunt’/But nothing prepared me for/what I found when I came home) e a altamente viciante “Brainwashed”.
3-) Annuals – “Such Fun”
Segundo álbum da banda norte-carolinense, Such Fun é indie pop/rock de primeiríssima qualidade, muito rico musicalmente (piano, cordas, metais) e repleto de pops vibrantes, daqueles que te deixam até com um sorrisinho no rosto. Exuberante, melódico, ensolarado, é certamente um dos melhores lançamentos pop de 2008. O som é variado, vai de country (“Down the Mountain”, excelente) a baladinhas (“Springtime”). Such Fun rendeu comparações à The Cure e The Walkmen. Vale a pena conferir.
2-) The Broken West – “Now or Heaven”
Segundo álbum da banda de L.A. Pop/rock com muita guitarra, composições espertas e bacanas, letras mais ainda. A música carro-chefe do álbum, “Ambuscade”, poderia muito bem figurar em qualquer listinha de “melhores músicas do ano”, simplesmente por ser um synth-pop quase genial. O Broken West soa por vezes retrô, por vezes moderno e criativo, mas nunca enjoado, repetitivo ou pobre, e não merece, nem de longe, os 5.6 que ganhou do Pitchfork.
1-) Castanets – “City of Refuge”
Se tudo que listei acima são bandas e pessoas simplesmente “bacanas”, tudo muda por aqui. Não é à toa que City of Refuge, álbum mais novo dos Castanets, figura aqui, no número 1. O vocalista Ray Raposa passou várias semanas no deserto pra gravar o álbum mais obscuro, surreal, solitário e curioso do ano. O resultado é grandioso. Nem as participações de Sufjan Stevens, Jana Hunter, Scott Tuma, Dawn Smithson e Ero Gray parecem tirar o álbum da aura de solidão que Raposa passa. Este é um disco que certamente irá ganhar uma bela resenha quando eu tiver mais tempo, mas fica registrado aqui, por enquanto, que é estranho, triste, mas é também uma magnífica coleção de músicas de uma espécie de freak-western-indie-folk. Ao escutar este disco, você é transportado de tal maneira pra tal “City of Refuge” que me peguei parado, olhando pro nada e ouvindo as músicas diversas vezes seguidas, por longas horas. A música que abre o disco, a instrumental “Celestial Shores”, parece um hino de um país completamente devastado e desolado. Como talvez estivesse a alma de Ray Raposa ao gravar este disco.




