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OUVIMOS: WU LYF – ‘Go tell fire to the mountain’ (2011)

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 26 junho, 2011

WU LYF – ‘Go tell fire to the mountain’ (Nota: 4.5/5)

Os caras do WU LYF não gostam de você. Eles gritam contigo sobre morte, tocam bateria como se estivessem explodindo bombas nos seus ouvidos, envolvem você num som feito de ecos atordoantes e te dizem quem a vida é uma porcaria – afinal, você fatalmente vai abandonar seus sonhos de criança, arrumar um emprego fixo e se vender por um salário qualquer no fim do mês.

‘Go tell fire to the mountain’ é um disco sobre ser jovem e barulhento. E é praticamente uma bronca desse quarteto de Manchester, na Inglaterra, contra o establishment, o status quo, o capitalismo selvagem e todo mundo que não deixa você fazer o que você quer. É também uma abordagem um tanto ingênua de tudo isso, mas expressa de uma maneira excepcional pelos grunhidos do vocalista Ellery Roberts.

Os gritos cortantes são os primeiros impactos do álbum, que foi lançado esse mês pelo WU LYF (que se pronuncia ‘woo life’, em inglês, e significa World Unite Lucifer Youth Foundation). Só com a ajudinha do site da banda é possível entender, por exemplo, que o verso cantado como kee-a-caah / ti-ahs-daah em ‘Dirt’ (essa do clipe espetacular no começo desse post) deve ser entendido como keep on calling / until it all falls down.

Poderia ser um artifício idiota, se esses grunhidos não fossem acompanhados por arranjos melodiosos e quase espirituais, liderados por um órgão e uma guitarra sem um grau de distorção, que poderia ter sido copiada de um disco instrumental de post-rock (primeira referência: Explosions in the Sky).

No caso do WU LYF, esse contraste cria um ambiente de angústia, com um cara berrando sobre separações, sobre o medo da morte e sobre tudo o que você abandonou pelo dinheiro, por exemplo (It’s a sad song that makes a man put / money before life, em ‘We Bros’). O som é ainda mais envolvente nesse disco porque foi todo gravado dentro de uma igreja nos subúrbios de Manchester, com um espaço que provoca uma reverberação que torna essa melodia ainda mais incômoda.

OBS: Achei que existe, na soma dessas ferramentas (gritos, batida, eco, angústia), algo que lembra ‘Feels’, álbum de 2005 do Animal Collective – sem os sintetizadores, claro.

É um disco que tem tudo pra ser um dos melhores do ano, e que pode ser obscurecido por uma jogada de marketing/babaquice da banda, que faz questão de ser contra qualquer coisa que possa lhes dar sucesso. Dizem que eles recusaram dezenas de pedidos de entrevistas, se negaram a fazer shows e até esnobaram o diretor Michel Gondry, que pensava em gravar um clipe com eles. O quarteto também faz questão de divulgar que gravou o disco com o próprio dinheiro (apesar de ter assinado contratos com distribuidoras) e parece até se opor ao fato de estar fazendo sucesso exatamente por causa da aura de mistério que criou em torno de si.

“Toda essa cultura do ‘hip’, dos 15 minutos de fama… Temos certeza que um monte de gente pensa isso sobre a gente, porque leu sobre nós em um site que nutre esse modelo da coisa-mais-nova-super-hip. E isso é algo a que nunca aspiramos – e quando aconteceu, tentamos simplesmente ignorar. Queremos que o WU LYF seja mais que uma banda, da mesma maneira que o FC Barcelona é ‘mais que um clube’“, escreveu o grupo no site oficial.

Eis mais um motivo pelo qual eles não gostam de você: você é um hipster que descobriu que eles existem. Mas faça um favor a si mesmo e não decida esnobá-los por vingança.

Para ouvir agora
‘Spitting Blood’
‘L Y F’

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Coachella: shows e egos a 38 graus

Posted in festival by Bruno Boghossian on 20 maio, 2011

Bruno Boghossian – O Estado de S. Paulo [publicado em 19 de abril]

INDIO – A onda de balões gigantes que despencaram do palco principal do Coachella Valley Music and Arts Festival, no fim da noite de sábado, 16, é a tradução certeira do simbolismo dos três dias de música para centenas de artistas e milhares fãs que migram todos os anos para o deserto da Califórnia. As centenas de bolas coloridas por luzes LED criaram uma atmosfera quase onírica nos últimos minutos da apresentação do Arcade Fire, quando os canadenses puxaram o coro que abre Wake Up, canção de seu primeiro álbum.

Com mais de 180 bandas em três dias de shows, a 12ª edição do evento manteve a tradição de consagrar artistas emergentes, celebrar retornos e apresentar bandas desconhecidas para o público de 75 mil pessoas que vagava pela grama seca, sob um calor de 38 graus. Este ano, o gigantesco palco principal recebeu multidões que queriam ver a primeira apresentação dos Strokes em um grande festival depois do lançamento de seu polêmico quarto álbum, o som caipira dos novatos do Mumford & Sons e a egotrip do rapper pop Kanye West.

O destaque, no entanto, ficou mesmo com a performance memorável do Arcade Fire, no sábado. Transbordando prestígio, surfando na conquista do prêmio Grammy de melhor álbum e com o status de atração principal da noite, a banda arrastou um dos maiores públicos do festival para o Coachella Stage, decorado com letreiros de cinema e um telão que exibia filmetes relacionados ao último disco da banda, The Suburbs. Com um sorriso bobo no rosto, o vocalista Win Butler parecia não acreditar na multidão que se espalhava diante dele, iluminada pela lua cheia.

“Se vocês tivessem falado, em 2002, que um dia nós seríamos uma das atrações principais do Coachella, eu teria dito que vocês estavam brincando”, confidenciou o líder da banda, logo no início da apresentação.

Sem medo de arriscar, o grupo mostrou versões explosivas de Rebellion (Lies), Power Out e Tunnels, do disco de estreia da banda, além de Ready to Start e We Used to Wait, do álbum mais recente. Depois da chuva de balões gigantes, já no bis, a banda encerrou o show de 1h30 com Sprawl II, cantado por Régine Chassagne.

No domingo, os Strokes mostraram que conseguiram manter o DNA roqueiro, com seus tradicionais vocais abafados e as melodias alegres desenhadas por suas guitarras. A atmosfera eletrônica predominante no último disco da banda, Angles, apareceu pouco no show do Coachella, que teve a óbvia presença de hits mais antigos, como Last Nite, Someday e Reptilia.

A banda provou estar confortável para apresentar um som mais improvisado, a ponto de o vocalista Julian Casablancas entrar propositalmente atrasado em alguns versos, alongar algumas notas e até permitir um certo desafino – características que não eram vistas nas apresentações quase assépticas feitas na passagem da banda pelo Brasil, em 2006.

O comportamento mais solto de Casablancas, no entanto, se resumiu à música. Como showman, esteve distante dos fãs e transpareceu arrogância ao demonstrar incômodo por ter sido escalado para tocar antes de Kanye West – apesar de a banda ser considerada uma das principais atrações do festival. “Vocês estão animados para ver o Kanye? É sério?”, provocou o músico.

O rapper não só encerrou uma das noites, mas foi o escolhido para fechar o festival, com mais uma oportunidade para mostrar que é campeão no quesito ego inflado. Kanye começou a apresentação sobre um guindaste, flutuando sobre o público para dar início a uma ópera em três atos, que parecia homenagear apenas a grandiosidade do próprio músico. Com duas dezenas de bailarinas, fogos de artifício e uma sequência de canções que tentou resumir toda sua carreira, o astro falastrão usou o Coachella como um espaço de redenção.

“Quando estava trabalhando no último álbum, eu dizia que esse era o lugar em que eu mais queria tocar. Agora eu vejo que vocês ainda me amam apesar de eu ter visto o contrário na TV. Eu só tento dizer e fazer o que é certo”, desabafou o rapper, na metade do show.

A aura de popstar exagerada de Kanye constrastava com a aparente humildade da novata banda inglesa Mumford & Sons, que regeu um enorme coro no palco principal. Com um som caipira conduzido por banjo, violão e baixo acústico, o grupo se mostrou surpreso com o tamanho inesperado da plateia.

“Esse é, de longe, o maior show que nós já fizemos”, exclamou o tecladista Ben Lovett.

Chamando o público a bater palmas no ritmo da música, o grupo transformou o gramado em uma quadrilha ao tocar as canções do disco Sigh No More (2009), e apresentou canções novas, praticamente sem o som do banjo e com o vocalista Marcus Mumford na bateria. Guardado até o fim, o hit The Cave emocionou os fãs da banda no encerramento do show.

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O que você esperava dos Strokes?

Posted in álbum, música by Bruno Boghossian on 15 março, 2011

The Strokes The Vaccines
The Strokes, The Vaccines e umas palavras sobre a música

As guitarrinhas da banda inglesa The Vaccines só se fizeram ouvir essa semana porque, há dez anos, os Strokes lançaram um disco mal-ajambrado que moldou a maneira como eu e você ouvimos música hoje. E hoje, no entanto, o mesmo quinteto nova-iorquino que estourou com a ingênua ‘Last nite’ tenta se afastar dos riffs repetitivos e do som sujo que tinha se tornado a marca de um novo gênero ‘rock’ que eles supostamente haviam ajudado a fundar.

Com o tempo, a música muda, o nosso gosto musical muda e o que se chama de mainstream muda. Algumas bandas mudam seus sons e outras continuam baseadas na mesma fórmula – ou porque esse é o estilo delas ou porque querem continuar vendendo produtos e fazendo shows lotados. Qual delas parece mais legítima? Será que, quando se fala de música, nós queremos ouvir sons novos ou só queremos ‘novidades’?

Os Strokes vêm mudando de estilo há dois álbuns – e isso ficou óbvio no último disco da banda, ‘Angles’, que vazou domingo na internet. Eles não se transformaram por coragem, pra apostar num som de vanguarda ou pra vender discos. O novo disco dos Strokes só é do jeito que é porque o vocalista Julian Casablancas mergulhou numa egotrip eletro-oitentista no ano passado, quando resolveu lançar seu primeiro disco solo. É simples assim: uma viagem criativa que tomou conta do cara.

Não é que o ato de mudar tenha sido ruim, mas o resultado foi um erro. Os primeiros versos de ‘Machu Picchu’, a faixa que abre o disco, podem fazer qualquer um querer desistir de ouvir o que vem pela frente. A canção é uma sucessão de arranjos eletrônicos banais, riffs de guitarra repetitivos e um vocal um tanto prepotente, o oposto do estilo angustiado mas despreocupado que fez de ‘Last Nite’ um hit em 2001.

O curioso desse disco é que mesmo as faixas que mantiveram o DNA da banda têm uma pegada muito mais pop, como é o caso de ‘Under the cover of darkness’ (o hit nato do álbum) e ‘Gratisfaction’. O estilo lo-fi do grupo ficou pra trás, com um som mais bem produzido, mas eles mantiveram os mesmos solos simples e as mesmas letras com temas pós-adolescentes.

O que me incomodou de verdade foi que a incursão da banda nos campos do eletropop é superficial ao extremo. ‘Two kinds of happiness’ pode ser confundida com uma faixa ruim do Duran Duran. As repetições propositalmente incômodas de ‘You’re so right’ deram origem a uma ‘Take it or leave it’ piorada. E ‘Taken for a fool’ é mais uma aposta equivocada no estilo-videogame (você acha que o universo seria bom o suficiente para impedir uma faixa que parece ter influências do último disco do MGMT até topar com isso).

É claro que os Strokes não precisam se manter os mesmos para sempre, mas nem toda mudança é bem feita. No caso desse disco, não foi. Sem o currículo que a banda tem, esse álbum daria de cara na porta de qualquer gravadora e não geraria mais que uns 300 hits no MySpace.

Acho que é por isso que às vezes a gente se sente mais confortável ao ouvir uma banda nova que ao ver a transformação de uma banda que a gente já conhece. Nessa onda, o disco que o Vaccines soltou essa semana (‘What did you expect from the Vaccines?’) é uma diversão, apesar de ser um som absolutamente irrelevante. É uma banda que rima ‘F. Scott Fitzgerald’ com ‘Morning Herald’ em um foguete de 1 minuto e 21 segundos que abre seu disco de estreia, a faixa ‘Wreckin’ bar (ra ra ra)’.

Em comparação, o grupo parece esbanjar uma juventude legítima, que os Strokes obviamente não têm mais. São mais despreocupados e mais instintivos, apesar de menos sofisticados. Esse tema é evidente nas letras das estimulantes-porém-simplistas ‘Wetsuit’ (‘If at some point we all succumb / For goodness sake let us be young’ e ‘Put a wetsuit on / Grow your hair out long / Put a t-shirt on / Do me wrong, do me wrong, do me wrong’) e ‘Family friend’ (‘You wanna get young but you’re just getting older / And you had a fun summer but it’s suddenly colder’).

Mais um ponto a favor dos Vaccines é que eles bebem de fontes menos arriscadas que a música eletrônica dos anos 1980. Apesar de fazerem referências a Ramones em ‘Norgaard’, a sonoridade da banda está fincada no gênero desnecessariamente batizado de pós-britpop, que tinha como referência bandas como The Hives, The Vines e até os americanos Strokes. Nessa área, ‘What did you expect from the Vaccines?’ tem ecos de Kaiser Chiefs (em ‘If you wanna’) e Glasvegas (em ‘Under your thumb’).

Ouvir The Vaccines ajuda a entender The Strokes hoje. Mais que uma série de referências e um oceano que separam as duas bandas, dá pra entender que o que afasta os nova-iorquinos do som original é a maturidade – e ficou claro que o som de uma banda moderninha como os Strokes não resiste inabalado a uma década inteira.

The Strokes | ‘Angles’ | 1.0 / 5
The Vaccines | ‘What did you expect from the Vaccines?’ | 2.5 / 5

Previsão: setlist do Phoenix no Planeta Terra

Posted in show by Bruno Boghossian on 17 novembro, 2010

Tudo indica que a banda Phoenix vai mesmo abrir com o hit ‘Lisztomania’ o show previsto para as 22h30 de sábado (20) no festival Planeta Terra, em São Paulo. Pelo menos tem sido assim nas últimas apresentações do grupo francês – quando eles tocaram quase todo o disco Wolfgang Amadeus Phoenix (2009), que os tornou megapopulares.

Difícil prever exatamente quantas canções o quarteto vai levar pro palco paulista, mas é bom torcer pra ver algumas faixas do álbum United (2000), que guarda muitas semelhanças com o último disco do grupo.

Isso é o que eles tocaram em um show na Flórida, no dia 27 de outubro…

1) ‘Lisztomania’ (Wolfgang Amadeus Phoenix)
2) ‘Lasso’ (Wolfgang Amadeus Phoenix)
3) ‘Long Distance Call’ (It’s Never Been Like That)
4) ‘Fences’ Play Video (Wolfgang Amadeus Phoenix)
5) ‘Girlfriend’ (Wolfgang Amadeus Phoenix)
6) ‘Armistice’ (Wolfgang Amadeus Phoenix)
7) ‘North’ (It’s Never Been Like That)
8) ‘Love Like Sunset’ (Wolfgang Amadeus Phoenix)
9) ‘Too Young’ (United)
10) ‘Rally’ (It’s Never Been Like That)
11) ‘Rome’ (Wolfgang Amadeus Phoenix)
12) ‘Funky Squaredance’ (United)
13) ‘Run Run Run’ (Alphabetical)
14) ‘1901’ (Wolfgang Amadeus Phoenix)

Fãs pagam cachê de Belle & Sebastian no Rio

Posted in show by Felipe Leal on 22 setembro, 2010

Depois de Miike Snow, Belle & Sebastian. Em pouco mais de 28 horas, os 280 ingressos (a R$ 200 cada) que podem garantir o show da banda escocesa no Rio evaporaram, e os R$ 56 mil necessários para cobrir o cachê do grupo foram arrecadados. O entusiasmo do grupo de pessoas que trouxe os suecos do Miike Snow para o Circo Voador há dois dias se repetiu e o retorno do Belle & Sebastian a palcos cariocas, depois de nove anos, só depende da assinatura de um contrato.

Razões para explicar tamanha eficiência e rapidez na venda são muitas: o entusiasmo dos fãs; o sucesso de público e organização do show da última segunda-feira; as facilidades do processo de compra dos ingressos, via Pay Pal; a carência de bons shows internacionais no Rio; e o apoio de parceiros como o Multishow (que comprou 80 cotas) e as agências SRCOM (20) e Click Isobar (40).

Melhor ainda, os fãs que contribuíram com o projeto poderão assistir ao show de graça. A mobilização do público carioca foi tanta que a expectativa é de casa cheia para o dia 12/11, no mesmo Circo Voador – e, arrisco dizer, os ingressos devem esgotar antecipadamente. Mais uma vez, a mobilização carioca foi notável e, com a mesma seriedade vista nesses dois exemplos de sucesso, a tendência é que o Rio possa voltar a fazer parte da agenda de shows internacionais. Os organizadores da empreitada, como se pode ver no Urbe, já criaram uma conta no Twitter, o Queremos, para futuras campanhas de shows na cidade. A ideia é ficar atento e colaborar. Enquanto isso, não custa nada sentir orgulho desse mosaico cheio, né?

FOTOS: Miike Snow no Circo Voador

Posted in show by Bruno Boghossian on 21 setembro, 2010

Fiz umas fotos do show sensacional do Miike Snow do Circo Voador, no Rio. Se alguém quiser usar, é só deixar um comentário neste post avisando, além de colocar o crédito para Bruno Boghossian e um link pra cá.

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Belle & Sebastian (quase) no Rio

Posted in show by Felipe Leal on 21 setembro, 2010

Depois de trazer o Miike Snow para o Rio de Janeiro, cariocas inconformados com a falta de shows internacionais de qualidade na cidade resolveram repetir a façanha. Há tempos que o Rio vem sendo escanteado pelos produtores na passagem de bandas gringas pelo país. A justificativa é sempre a mesma: falta de público. As 800 pessoas no show do Miike Snow de ontem, em plena segunda-feira, na Lapa, mostram que o argumento é frágil. O alvo dessa vez é a banda pop escocesa Belle & Sebastian, que lançará no próximo dia 11 de outubro um novo disco, “Write About Love”.

O show já tem data e local para acontecer, dia 12 de novembro, no Circo Voador, mas ainda faltam R$ 56 mil pedidos pelos produtores do grupo para garantir o show no Rio. Para levantar esse valor, criou-se o (http://www.queremosbasnorio.com.br/), em que fãs da banda procuram vender 280 ingressos a R$ 200 cada, até essa sexta-feira (24/09), para garantir a confirmação do show e pagar o cachê da banda. Vencida essa etapa, começará a venda de ingressos ao grande público, em que são necessários ao menos 840 ingressos a R$ 100 para que os 280 “promoters” sejam reembolsados dos R$ 200 pagos inicialmente (verão o show de graça!). Em pouquíssimo tempo, oito pessoas já compraram os ingressos referentes ao cachê do Belle & Sebastian. A expectativa é que haja o apoio de empresas na organização do show (limitado a 50% das unidades totais), o que diminuiria a quantidade mínima de ingressos para viabilizar o show, da mesma forma como ocorreu com o Miike Snow, em que houve a participação da Tecla Music, Grupo Matriz, Das Duas e do canal Multishow.

Para quem ainda precisa de um incentivo para participar, segue o vídeo de “The Boy With The Arab Strab”, do show do B&S no Rio em 2001.

O futuro show histórico do Miike Snow

Posted in show by Bruno Boghossian on 17 setembro, 2010

Segunda-feira (20/9) acontece o show da banda sueca Miike Snow no Circo Voador, no Rio – que já virou histórico antes mesmo de o grupo subir ao palco. Abaixo, segue a história que eu contei no Caderno 2, do Estadão.

Fãs fazem ‘vaquinha’ para levar banda sueca ao Rio
Amigos juntaram R$ 20 mil para bancar apresentação da banda sueca Miike Snow

Bruno Boghossian / RIO

Quer ver a apresentação de uma banda ao vivo, mas ela não vai à sua cidade?  Tente comprar o show.  No Rio, um grupo de amigos arrebanhou 60 fãs do trio sueco Miike Snow e fez uma “vaquinha” para pagar o cachê do grupo, que vem ao Brasil para tocar em São Paulo (22/9), Porto Alegre (23/9) e Recife (24/9).  Depois de arrecadarem R$ 20 mil, com o apoio de quatro empresas, conseguiram fechar uma apresentação da banda no Circo Voador no dia 20.

O objetivo era evitar que mais um artista internacional de pequeno porte se afastasse dos palcos cariocas devido ao receio de falta de público e de prejuízo para os produtores de eventos.  Saltando uma etapa, os cinco amigos começaram uma campanha para dividir os custos do show e pediram que cada fã pagasse R$ 200 para garantir a apresentação da banda de electropop no Rio.  Como o objetivo não é ter lucro, se o valor obtido com a venda de ingressos superasse os custos do show, os “investidores” seriam reembolsados.

“O maior lucro que a pessoa pode ter é ir ao show de graça.  E o pior que pode acontecer é que 60 fãs paguem R$ 200 pelo ingresso.  O risco do projeto é só esse”, avalia o jornalista Bruno Natal, que capitaneou o projeto ao lado do produtor Pedro Seiler, do fotógrafo Lucas Bori, e dos diretores Tiago Lins e Felipe Continentino.

A repercussão do projeto e a vontade de trazer a banda ao Rio eram tão grandes que, em pouco mais de 24 horas, o grupo já tinha conseguido o valor necessário.  Como quatro patrocinadores se dispuseram a associar suas marcas ao projeto, pagando R$ 2 mil cada, será necessário vender apenas 480 ingressos (a R$ 50 cada) para reembolsar os 60 participantes da vaquinha e pagar os custos dos equipamentos de som, iluminação e segurança.

Responsável pela programação do Circo Voador, o produtor Alexandre Rossi abraçou a proposta e passou a apostar no modelo como uma nova maneira de promover a realização de shows na cidade.

“Muita gente gasta R$ 400 para viajar a São Paulo para assistir a um show e nem imagina que pode fazer algo assim”, afirma. “É a primeira vez que eu vejo uma proposta desse tipo partir do público. É um modelo que pode ser aplicado em outros casos, porque, se nós não fizermos isso, não há renovação no Rio e esse tipo de atividade vai acabar.”

Rio já ‘perdeu’ shows para outras cidades

Para evitar prejuízos, produtores de eventos deixaram de apostar no Rio para shows de bandas pouco conhecidas, que passaram a migrar para outras cidades do País. Os franceses do Phoenix, escalados para o festival Planeta Terra, tinham uma data reservada para tocar na capital fluminense, mas receberam uma proposta melhor para uma apresentação em Belo Horizonte.

O grupo carioca que tomou a iniciativa de contratar a banda Miike Snow por conta própria acredita que o novo modelo é uma maneira de “tirar a cidade da inércia” e quebrar um círculo vicioso “segundo o qual o Rio não teria público que justificasse a vinda de artistas que não sejam consagrados”.

“Eu costumo ir a São Paulo no mínimo 10 vezes por ano para ver shows. Quando soubemos de mais uma banda que estaria no Brasil e não viria ao Rio, começamos a conversar sobre isso e surgiu a ideia”, conta o produtor Pedro Seiler.

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Posted in música, videoclipe by Bruno Boghossian on 17 setembro, 2010

A popularização do mashup em meados dos anos 2000 pode ter ofuscado o remix e ter deixado de lado quem usava sample de um ou dois hits para compor faixas inéditas, mas os artistas do copia-e-cola ainda mostram que podem ser muito criativos e que têm música boa pra oferecer.

Descobri outro dia essa dupla batizada de Chiddy Bang – dois caras de 19 anos da Filadélfia que resolveram fazer um pouco de hip hop misturado com aqueles chicletes do eletropop que você não aguenta mais escutar em festa nenhuma. Acredite: eles conseguiram ressuscitar essas faixas e criaram um som bem divertido.

Chiddy Bang – ‘Truth’ (sample de ‘Better things’ – Passion Pit)

Chiddy Bang – ‘The opposite of adults’ (sample de ‘Kids’ – MGMT)

A primeira faixa tem um clipe sensacional e abusa dos tons eletrônicos para dar uma cor nova à grudenta ‘Better thing’, do Passion Pit. A segunda também tem um clipe bom de se ver e um rap nada hermético, que você até pode apresentar pros seus pais, se quiser.

Aproveita. E pra ler mais algumas barbaridades infundadas sobre o tema e ouvir um pouco de música boa, clica aqui embaixo.

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CLIPE: M.I.A. – ‘XXXO’

Posted in videoclipe by Bruno Boghossian on 15 agosto, 2010

Eis um clipe para se ver em alta definição.

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Música boa: Kid Cudi, Consentino e Batmanglij

Posted in videoclipe by Bruno Boghossian on 1 agosto, 2010

Não é nenhuma obra de arte essa faixa ‘All summer’, criada para uma campanha da Converse, com o rapper Kid Cudi, Bethany Consentino (a vocalista apaixonante do Best Coast) e Rostam Batmanglij (multi-instrumentista gênio do Vampire Weekend), mas é boa música, pra divertir.

A canção (que você pode baixar de graça) valeu pelo videoclipe criativo e pra mostrar que Batmanglij é mesmo um cara bom de som, transbordando as referências mais ecléticas e esquisitonas.

A boa ideia das cabeças no vídeo, parece, foram inspiradas no trabalho do designer Eric Testroete. No site ele explica, passo-a-passo, como fez o ‘autorretrato artesanal em 3D’.

Preparação para o Terra

Posted in festival by Bruno Boghossian on 1 agosto, 2010

Pavement, Yeasayer, Phoenix, Of Montreal, Girl Talk, Hot Chip e Smashing Pumpkins chegam ao Brasil daqui a pouco mais de três meses para o Planeta Terra. Pra gente se acostumar com essa escalação de fazer inveja a muito festival gringo, indico essa playlist que o Alexandre Matias postou lá no Trabalho Sujo.

O primeiro lote de ingressos já acabou. Corre lá pra comprar.

Temporada de primeira linha no Circo Voador

Posted in show by Bruno Boghossian on 1 agosto, 2010


Caldeirão.
Franceses do Nouvelle Vague tocaram no Circo em abril deste ano.

Enquanto São Paulo começa a preparar sua era de festivais gigantescos, cheios bandas internacionais e abarrotados de patrocinadores ávidos para expor suas marcas, o pequeno e histórico Circo Voador, no Rio, tenta aproveitar a vinda de bandas gringas para criar uma temporada classe A de shows na cidade.

Por enquanto, estão confirmados Air (14/10) e Crystal Castles (24/09) na casa da Lapa, mas as negociações avançam para trazer para a cidade Phoenix, Hot Chip, Of Montreal (os três do Planeta Terra) e Regina Spektor (do SWU).

Conversei com o responsável pela programação internacional do Circo para uma reportagem para o Caderno 2, do Estadão, que você lê aqui embaixo. Alexandre Rossi, o ‘Rolinha’, me contou ainda que tem na wishlist, até o início do ano que vem, outros nomes grandes que podem dar as caras por aqui, como LCD Soundsystem, Wilco e Queens of The Stone Age.

Rolinha também explicou por que é difícil fazer shows de bandas indies no Rio – onde, segundo ele, o público para esses eventos representa 1/3 da plateia paulista – e deu informações legais sobre os bastidores das negociações com os gringos: fechar um show do Pixies no Circo custaria até R$ 400 mil para os organizadores.

Circo Voador quer voltar a ”acontecer”

Bruno Boghossian / RIO

No rastro dos megafestivais de música marcados para São Paulo em outubro e novembro, produtores cariocas tentam realizar a façanha de criar uma temporada de shows internacionais quase sem patrocínio, pechinchando cachês e lutando para atrair o público para apresentações de bandas pouco populares na cidade. Nos meses em que artistas como Air, Phoenix e Regina Spektor devem tocar para até 200 mil pessoas nos eventos paulistas, o Circo Voador, no Rio, negocia receber os mesmos nomes para apresentações “avulsas”, para 2.500 espectadores, com o objetivo de se firmar como a principal casa de música alternativa da cidade.

Sem os orçamentos dos grandes festivais, o Circo aproveita a vinda dos músicos internacionais ao Brasil, sua boa estrutura e a localização a poucos metros dos Arcos da Lapa para criar a própria escalação dos sonhos. Do Natura About Us, os produtores contrataram a dupla francesa Air; do Starts With You (SWU), negociam a vinda da cantora Regina Spektor; e, do Planeta Terra, acertam detalhes para apresentar Phoenix e Passion Pit.

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Miike Snow no Brasil

Posted in show by Bruno Boghossian on 12 julho, 2010

Miike Snow confirmou três shows no Brasil em setembro.

22/09, quarta-feira – Estudio EMME, São Paulo, BR

23/09, quinta-feira – Circo Voador, Rio De Janeiro, BR

24/09, sexta-feira – Beco 2003, Porto Alegre, BR

Menos é mais

Posted in música by Bruno Boghossian on 12 julho, 2010

Se, apesar do trailer bonitinho, não sabemos exatamente o que esperar de ‘Somewhere’, novo filme da diretora Sofia Coppola, pelo menos o vídeo serviu para ressuscitar uma das últimas boas gravações de uma banda americana chamada Strokes, que fez sucesso na primeira metade da década ’00 – lembram?

Depois de ouvir no clipe um trecho da melodiosa ‘I’ll try anything once’, apenas com Nick Valensi ao piano e Julian Casablancas sussurrando a letra, fica a questão: como é que a banda conseguiu cair no ostracismo depois de um início avassalador?

A canção é uma versão demo suja (mas extremamente delicada) da faixa que seria lançada no pavoroso ‘First impressions of earth’ (2006) com o nome de ‘You only live once’ – um misto de riffs elementares e versos constrangedores que refletem a má qualidade do restante do álbum.

Desde então, os integrantes do grupo partiram em carreiras solo e esqueceram os Strokes – inclusive o vocalista Julian Casablancas, que embarcou numa onda eletropop inexplicavelmente bizarra. O quarto álbum da banda, que começou a ser composto em 2009, anda aos trancos e agora é prometido para março de 2011.

Difícil saber se o som do quinteto será o mesmo que o fez famoso ou se a virada que tomou depois do terceiro disco é permanente. Deixo uma dica: muitas vezes, menos é mais.

Walkmen – ‘Stranded’

Posted in single by Bruno Boghossian on 12 julho, 2010

Não imaginava que as inclinações vintage da banda americana The Walkmen pudessem dar origem a um som tão perfeitamente anacrônico que parecesse jamais ter sido gravado nos últimos 50 anos. ‘Stranded’, primeiro single do novo disco do grupo, batizado de ‘Lisbon’, é absolutamente comovente e bem cuidado, apesar de não ter nenhuma firula indie. Se for um sinal do que vai ser o álbum lançado em setembro, pode ser que venha uma obra-prima por aí.

Ouve aí. (via @allsongs)

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Efeito Justice?

Posted in música, videoclipe by Bruno Boghossian on 11 julho, 2010

O clipe colorido, a batida eletrônica descolada e o vocal afetado devem ser o empurrão que faltava para dar o sucesso merecido ao DJ francês Thibaut Berland, que assina suas músicas como Breakbot. O produtor é mais um exemplar da vertente moderninha da música eletrônica da França, cujo expoente é a dupla Justice.

O som do Breakbot lembra o de seus antecessores e o vídeo da ótima ‘Baby I’m yours’ também tem elementos gráficos semelhantes ao clipe de ‘D.A.N.C.E.’, hit que pôs definitivamente o Justice no mapa da música pop. Some-se um contrato com a também francesa Ed Banger Records (a mesma do Justice, claro) e alguma referência aos vocais dos suecos do Miike Snow e chegamos a uma provável máquina de hits eletropop.

(Dica da @annavirginia)

OUVIMOS: Wavves – ‘King of the beach’

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 10 julho, 2010

Wavves – ‘King of the beach
Nota: 3,5 / 5
Destaque:
‘Baseball cards’

Se você conhece os trabalhos anteriores do Wavves, é melhor abrir espaço para um som completamente diferente. Depois de dois discos barulhentos, cheios de sons distorcidos e vocais poluídos, o grupo formado na cidade praiana de San Diego parece ter abraçado a surf rock como vocação e se prepara para lançar o animado – e talvez debochado – ‘King of the beach’.

Difícil saber o que provocou essa mudança radical na sonoridade da banda, mas ficou claro que o compromisso com o experimental era despretensioso o suficiente para que os músicos adotassem essa transformação radical. Afinal, abandonar o hermético noise rock para tocar para surfistas supostamente desmiolados é um sinal de que a prepotência não faz parte do repertório.

Se por um lado o Wavves manteve o modo irritante de compor suas canções melodias e versos repetitivos, por outro o vocalista Nathan Williams continua cantando de forma natural, agressiva e descolada, provando que a transformação não foi um passo em direção à ‘música comercial’.

É até curioso interpretar o som mais pop rock de ‘King of the beach’ como uma provocação ao próprio noise rock – a exemplo do som zombeteiro feito pelos também americanos do Of Montreal, como se pode ouvir em ‘Convertible balloon’. Indícios dessa possível atitude estão na frequência do corinho que acompanha o som da surf music e a balada debochada que é a canção ‘When will you come’.

Mais que pura diversão para os autores, o disco tem faixas de grande qualidade, com destaque para a excelente ‘Baseball cards’, mantendo os samples eletrônicos repetitivos e experimentais que tornaram a banda conhecida, além do vocal poluído. Entre mortos e feridos…

Ouça mais: http://www.myspace.com/wavves

NOVAS: Duas faixas inéditas do Broken Social Scene

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 23 março, 2010

Cinco anos depois do lançamento do terceiro disco, está pronto o novo álbum da banda canadense Broken Social Scene. Forgiveness Rock Record, produzido por John McEntire (baterista do Tortoise, que já trabalhou com Bright Eyes, Tom Zé e outros), começa a ser vendido em maio, mas já é possível baixar de graça a primeira faixa do CD e ouvir outras duas em no site oficial do grupo.

O download gratuito é da ótima “World Sick”, canção que já tinha sido divulgada no mês passado e que traz o DNA da banda, com corais e melodias suaves, mas cheias de detalhes. As novidades são “Forced to Love”, mais acelerada e um tanto óbvia, e “All to All”, representando a cota eletropop do grupo.

Forgiveness Rock Record
World Sick // Chase Scene //
Texico Bitches // Forced to Love //
All to All // Art House Director //
Highway Slipper Jam //
Ungrateful Little Father //
Meet Me in the Basement //
Sentimental X’s // Sweetest Kill //
Romance to the Grave //
Water in Hell // Me and My Hand

CLIPE: Mia Doi Todd por Michel Gondry

Posted in videoclipe by Bruno Boghossian on 22 março, 2010

Só alguém como Michel Gondry consegue produzir um vídeo tão esteticamente interessante com tão pouco. Nesse clipe de “Open Your Heart”, cantora americana Mia Doi Todd, ele só precisou de algumas dezenas de figurantes com camisetas bicolores pra criar jatos de tinta, espirais coloridas e ziguezagues hipnotizantes. A música não é das minhas favoritas, mas o vídeo vale, especialmente pela segunda metade.

Dica do Spike Jonze, que tem um blog cheio dessas coisas.

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