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ENTREVISTA: The Go! Team

Posted in entrevista by Guilherme Sorgine on 3 julho, 2008

Lembro quando me falaram pela primeira vez, isso deve ter uns 3 ou 4 anos, sobre uma banda que misturava Sonic Youth com Pizzicato Five, coros de cheerleaders e eletropop. Dava pra baixar o álbum todo no site (o que na época não era tão comum), e foi assim que eu fiquei sabendo da existência do The Go! Team, e de seu fabuloso álbum de estréia, “Thunder Lightning Strike”. Na época não tinha New Rave, Justice sampleando crianças ou Radiohead lançando discos online, mas o fato é que desde então, entre idas e vindas, esses nerds britânicos loucos permaneceram mais ou menos constantes na minha playlist, seja com o tal primeiro disco, seja com o mais novo, “Proof of Youth”, tão bom quanto ou até melhor.

Mas eu falava do tempo em que conheci a banda para dizer que, de lá pra cá, o Go! Team (que à época era bem, bem indie) cresceu, e se não se tornou massivo (ao modo, por exemplo, do próprio Justice), ganhou uma proporção bastante razoável, a ponto de vir a ser co-headliner de festival no Brasil.

O guitarrista e cérebro da banda, Ian Parton, conversou com SUBSOM poucos dias antes da tal apresentação, única no país, que aconteceu na semana passada, no Festival Motomix, em São Paulo. Dono de um raciocínio tão caótico quanto o som de sua própria banda, Parton falou sobre o passado, o presente e o futuro de seu grupo, e deixou a porta aberta para um retorno ao país para uma turnê mais ampla. E dessa vez, fica aqui o pedido, que venham ao Rio.

>>  Fale um pouco sobre a gravação de seu último álbum, “Proof of Youth”. Como foi o processo? Quais foram as principais diferenças em relação ao primeiro trabalho?

As circunstâncias eram muito diferentes das da época do “Thunder Lightning Strike” – havia um pouco de pressão, nós já éramos uma banda relativamente conhecida, havíamos sido indicados ao Mercury Prize. Por outro lado, nós tínhamos mais e melhores equipamentos, e eu tinha a ajuda de uma banda que tocava melhor do que eu. Eu tentei manter a mesma abordagem, e continuar fazendo música híbrida.

>> Após o primeiro álbum, vocês se tornaram uma banda mundialmente conhecida, tendo sido inclusive indicados a um prêmio da grande indústria (Mercury Prize). Ainda assim, o segundo trabalho radicalizou na proposta lo-fi. Foi uma opção estética? Vocês realmente gostam desse tipo de som?

Eu não diria que nós somos uma banda exatamente conhecida – somos mais uma banda cult. Eu amo sons lo fi, isso me passa uma idéia positiva sobre as pessoas que estão gravando. Não gosto da idéia de trabalhar com grandes produtores nos maiores estúdios, prefiro gravar na garagem. Coisas feitas em casa são sempre melhores.

>> Após gravar “Thunder Lightning Strike” sozinho, você optou por montar uma banda enorme. Por quê?

Agora nós somos seis – eu sempre quis estar em uma banda. Eu não tinha nem mais a opção de fazer tudo em meu laptop, como foi no primeiro álbum. Eu sabia o que queria: tinha que ser muita gente, e que todos pudessem tocar mais de um instrumento. Tentei juntar pessoas que normalmente não estariam juntas em uma banda.

>> Toda a banda compõe agora, ou você continua responsável por essa função?

Até agora, eu tenho sido o compositor – fiz o primeiro album sozinho, antes mesmo de a banda existir. “Proof of Youth” já foi um trabalho de equipe. Eu caçava samples e escrevia as canções, mas nós gravamos juntos, e todos deram sugestões.

>> Planos para um novo disco?

Não há nada planejado – eu trabalho realmente devagar! Temos idéias – eu estou sempre cantando em meu gravador Dictaphone – e caçando discos. Sempre tento pensar nos próximos passos, mas escrever músicas para o Go!Team é um verdadeiro exercício de tentativa e erro. Você vai experimentando coisas até que um dia começar a funcionar. Ainda há milhares de coisas a serem tentadas.

>> Em seu primeiro album, o The Go! Team fazia uma espécie de “pop caótico”, trazendo à tona um punhado de referências obscuras. Quais foram as influências primordiais?

Basicamente, guitar rock barulhento. Bandas como Sonic Youth e My Bloody Valentine, Blaxploitation, trilhas sonoras de filmes, David Axelrod, a música do Snoopy, conjuntos femininos dos anos 60’s, The Shangrilas, Public Enemy, Cornelius, Riot Grrl…

>> E o que influencia o The Go! Team atualmente?

Eu realmente gosto da idéia de tentar levar essa espécie de música esquizofrência ao limite, e fazer músicas que soem como um passeio pelo dial de um radio. Estou tentando misturar sons de alta definição com outros mais lo fi dentro de uma mesma canção, abusando cada vez mais do recorte e colagem.

>> A sua banda é normalmente lembrada por trazer elementos externos e variados para o ambiente da canção pop. Além da música, que outros elementos você considera marcantes dentro do trabalho do Go! Team!?

Há muitas influências não musicais em nosso trabalho, coisas que muitas vezes não se podem ouvir, mas ver. Filmes informativos, filmes b, gangues de garotas, perseguições de carro, longas viagens, fanzines, frisbee – como eu disse, eu penso a música de maneiras muito visuais.

>> Em muitas músicas do Go! Team são utilizados trechos sampleados, em alguns casos até mesmo no refrão. Para apresentar isso ao vivo, no entanto, você escolheu uma cantora com um estilo único (a vocalista Ninja), especialmente por se tratar de uma banda indie. Qual é o porquê dessa opção?

Ninja transforma uma apresentação em um verdadeiro show – ela pega o público pelas bolas e faz dele o que quer. Eu definitivamente não queria uma indie girl como cantora. Nós viemos de mundos diferentes, e não gostamos dos mesmos tipos de música, mas quando tudo se torna Go!Team, as coisas de alguma maneira começam a funcionar.

>> Como foi trabalhar com a vocalista Marina Vello (ex-Bonde do Rolê) em seu último álbum (a cantora participa das faixas “Titanic Vandalism” e “Universal Speech”, ambas contidas em “Proof of Youth”)?

Eu gosto da voz de Marina, e sou um grande fã de sotaques – eu queria o maior número possível de tipos de vozes diferentes no álbum; línguas diferentes, idades e estilos, todos lado a lado. E Marina tem uma voz de menininha. Achei que ela se encaixava bem da proposta.

>> Além do Bonde do Rolê, você conhece alguma outra banda brasileira?

Só o CSS – que eu gosto muito. Na verdade, faremos uma tour conjunta pelos EUA em algumas semanas, será muito divertido. Mas eu realmente quero conhecer mais bandas brasileiras.

>> Para terminar: planos para uma turnê maior pelo Brasil no futuro?

Sem planos até o momento, mas nós certamente iríamos adorar. O público brasileiro é muito quente.

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Uma resposta

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  1. anna virginia said, on 4 julho, 2008 at 2:24

    considerações póstumas motomix:

    > ao vivo, dá certo. mas eu esperava mais. expectativas muito altas, quem sabe.
    > a ninja dançava que nem rouge.
    > a japinha da batera, quando canta (ela cantou uma música), é uma versão (pioradinha, talvez) da mallu.


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