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ENTREVISTA: Mallu Magalhães

Posted in entrevista by Guilherme Sorgine on 8 julho, 2008

Qualquer um que já tenha ido a uma faculdade de jornalismo, ou se interesse pelo tema, possivelmente já ouviu falar em Fait Divers: um fato estranho ao noticiário, que chame a atenção por diferente e cujo sentido se encerre em si mesmo.

Pois bem, Mallu Magalhães é um Fait Divers. Mais do que o acento folk rock das canções, as letras em inglês; mais até mesmo do que as qualidades ou defeitos de suas próprias músicas. É a figura da menina de 16 anos recém completados, de boina e óculos de aro grosso, e que fala e canta que nem adulto que vem chamando uma atenção no mínimo surpreendente da mídia. É, sem dúvida, um fenômeno. O quanto há de real talento em todo esse frenesi, fica por conta de cada um tirar as próprias conclusões. Eu mesmo não estou entre os maiores fãs. Ao que parece, sou minoria: no momento em que esta matéria está sendo escrita, 1.400.350 pessoas já visitaram o MySpace da garota. No momento em que você estiver lendo, provavelmente serão mais. Goste-se ou não, repito, é coisa de gente grande.

O fato é que hoje (e o “hoje” de hoje é hoje mesmo; amanhã pode já não ser mais), poucas coisas na música brasileira são tão comentadas quanto ela. Pois bem, deixemos ela comentar agora. Com vocês, em entrevista exclusiva ao Subsom, Mallu Magalhães.

>> Como você começou a tocar? Com quantos anos? Alguma influência da família?

Minha mãe é paisagista. Meu pai, engenheiro. Papai tocava violão. Sempre de brincadeira. Mas sabe como é. Você é pequeno, calça os sapatos do pai, experimenta o óculos, o violão.

É. Eu experimentei a música. Papai tocava-me “Black Bird” (Beatles) e também “Leãozinho” (Caetano Veloso).

Mas o que vem de dentro é assim: você acha um jeito de ser quem você é. Imitava papai e assim foi: entrei numas aulinhas de violão (já parei…) e fui experimentando novos instrumentos. Aí pronto: corri atrás dos LPs na casa de vovô e nas livrarias, os cds e livros. A música me fez apaixonar por esse mundo fascinante que é… a música!

>> Fale um pouco sobre o começo. A que você atribui a popularidade repentina?

Ah, na verdade um amigo meu me falou: “Por que você não põe no MySpace?”. Aí eu pensei : “É”, pra ver no que dava. Não tinha como imaginar esse sucesso todo.

>> Como você está lidando com a fama? Dá pra manter a rotina normal?

Mudou muita coisa. A escola… conciliar os dois não é fácil. Mas acho que a vida é isso. As coisas mudam e se você tiver um grande sonho, tem de mudar também, mas nunca deixar de ser você. Por exemplo: ando meio sem tempo desde que tudo isso começou, mas sempre há um jeito de arranjar uma deixa para tocar, pintar e fazer a lição de casa. Agora vou gravar meu CD nas férias.

Mallu Magalhães / MySpace da artista

>> Em que série você está? Quando terminar o colégio, pretende entrar na universidade, ou seguir direto a carreira artística?

Estou no primeiro colegial. Antes eu queria ser designer gráfica. Hoje não quero mais. Cada dia eu penso numa coisa. Mas no fundo eu sei que eu já caí na musica e que sair eu não saio mais

>> Por que optar por um selo independente para lançar seu primeiro disco, quando havia grandes gravadoras interessadas? Qual é a sua visão do mercado da música hoje?

Bom, eu na verdade estou aí só fazendo minha parte… cantando.. compondo… o resto a gente deixa com o pessoal mais… experiente! Mas não… nada fechado. Eu acho que a pirataria é um crime, como qualquer outro. É uma realidade. mas também é uma realidade que CD é caro. Eu sei bem, pois eu economizo, gosto de ter o físico e tal. Mas é assim mesmo. Acho que todo mundo perde. Quem vende, pode até ganhar dinheiro. Mas e a honra de ser honesto?

>> Como se deu o contato com o produtor Mario Caldato? Por que fazer essa opção?

Foi uma decisão conjunta com o meu empresário.

>> Em uma produção independente, como viabilizar financeiramente um produtor de renome internacional?

Isso é um assunto para o Rossato, meu empresário.

>> Fora a música, quais são seus interesses? Vi que você adora modelar com massinha, desenhar, consertar instrumentos e ver filmes como “Juno”.

Adoro consertar instrumentos. Desenhar de canetinha e fazer coisas sozinha. Como ir ao cinema e olhar a cara das pessoas se você vira para trás numa daquelas horas de emoção. Também gosto de costurar e ver filmes.

>> Você diz gostar muito de medalhões como Johnny Cash e Bob Dylan. Quem você citaria como “mentores musicais”?

Além de Dylan e Cash?

>> A maioria das suas músicas é em inglês. Por quê?

As notas vêm, eu testo nas cordas do violão, do piano e da garganta e boto no caderno, ué.  Depois, antes, ou durante, gosto também de desenhar as musicas. O idioma é um fator que não me incomoda mais. Eu deixo fluir. A arte está a cima de cobranças.

>> Já existe algum projeto de fazer shows fora do país? Que lugar gostaria de conhecer, Mallu?

Nem pensamos nisso ainda.

>> Acha que nasceu na época errada? Vemos você falando muito dos Mutantes, Caetano…

O que acontece comigo é que na verdade eu perdi a noção de tempo. Para mim tanto faz. a idade, a década. Acho que você tem que ouvir assim, o que é para você é bom. Afinal de contas, minha vó teve a chance de ver o Cash, Elvis… mas não viu. Quem sabe daqui a um tempo minhas netas viram e falam: “Vó! não acredito que você não foi ao show da Hanna Montana!”.

>> A maioria de suas músicas tem significado pessoal? Para quem? Como o amor influencia suas composições? Já esteve/está apaixonada?

Já namorei duas vezes: uma por um tempão (a primeira) depois eu namorei por uns meses mas meu namorado voltou para casa.  Pena que a casa dele é na Dinamarca (música “Get to Denmark”)… Pensar eu penso, mas tudo, tudo, tudo depende.

>> Que tem ouvido atualmente? Quais bandas atuais? Que acha da “nova cena” musical nacional?

Woody Guthrie… Belle and Sebastian… Vanguart… Beatles… Beach Boys… Céu… Aqui no Brasil eu tiro o chapéu para toda a turma da Tropicália, desde o Tom Zé até o Caetano, passa por João Gilberto, por Elis, por Gilerto Gil, pelos Mutantes… Bom, aí entra um pessoal como o Cazuza… e a Ceumar, o Vanguart, Los Hermanos…

De fora eu trago o Dylan… o Johnny Cash, Woody Guthrie, Donavon, Hoyt Axton, Neil Youg, Tom Waits… Elvis, Beatles, Beach Boys, Stray Cats, Chuck Berry, Larry Williams, Chicago, America, Matt Costa…

Acho a cena fantástica e inovadora. Vanguart… Móveis Coloniais de Acaju… esse pessoal é demais.

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10 Respostas

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  1. juliana said, on 8 julho, 2008 at 19:22

    “fala e canta que nem adulto”

    ahn?

  2. deborah said, on 9 julho, 2008 at 10:01

    ahh…gostei da entrevista.

    a mallu compoe um personagem redondinho, completinho. so nao gosto quando ela se faz de ultra ingenua.

    com 16 anos dá p ter uma opiniao inteligente sobre as coisas.

    e ela tem sobre o q esta ao alcance dela.

  3. Bruno said, on 10 julho, 2008 at 22:30

    Falta objetividade nas respostas

  4. […] Magalhães, que já conversou com o Subsom, certamente deve agradar aos presentes, principalmente os mais novos (o festival tem ampliado seu […]

  5. Ivan Rafael said, on 23 agosto, 2008 at 18:03

    Moça esperta, compoe uma imagem musical aliada a figura que ela passa de si, umas passagens forçada dela, talvez por falta de experiencia ou marketing…ou muito madura ou muito ingenua…mas inteligente observadora isso não pode negar

  6. Bruno Costa said, on 17 setembro, 2008 at 1:44

    A entrevista está mais ou menos. Podiam ter explorado mais nas perguntas.

    “>> A maioria das suas músicas é em inglês. Por quê?”

    Me poupe. As vezes 5 perguntas com uma contextualização legal vale mais.

    Vocês se dizem 1 blog feito por jornalistas, mas nessa entrevista esqueceram de fazer a lição de casa. A sensação que eu tive é que vocês encontraram a entrevistada na porta do colégio e improvisaram umas perguntinhas. Se tivesse pesquisado sobre a garota essas perguntas poderiam ter sido formuladas de formas diferentes.

    Posso dar um exemplo melhor. Na última pergunta: “Que tem ouvido atualmente? Quais bandas atuais? Que acha da “nova cena” musical nacional?” … Se vocês tivessem feito uma pesquisa decente, vocês poderiam formular a pergunta da seguinte maneira:

    “Atualmente você tem ouvido grandes artistas como Woody Guthrie, Beatles, Beach Boys, Elis e Gilberto Gil. Donavon, Beach Boys, Chuck Berry e Larry Williams. Como você vê a renovação da cena musical nacional?”

    O que ainda é um nada a ver muito grande perguntar o que ela tem ouvido e dar brechas para ela responder sobre qualquer banda que quiser e depois vir com uma pergunta sobre o cenário nacional… Mas enfim:

    Talvez ela repetisse menos os nomes das bandas e falasse mais sobre o que a pergunta tratava…

  7. Janine said, on 15 janeiro, 2009 at 19:33

    Ela faz um personagem [FATO]

    Admiro muito as músicas dela, acho legal o fato dela compor e tal, mas todo o comportamento ‘infantil ao extremo’ dela não passa de uma estratégia de marketing.
    As pessoas querem ver coisas diferentes, geralmente meninas de 16 anos querem bancar as ‘mocinhas’, ou então pelo menos querem dar entrevistas expondo bem seus pontos de vista (oque não é o caso dela) ja vi várias vezes ela em programas de televisão se comportando como se fosse uma menina muito timida e ingênua.
    Ingênua até demais, vai me dizer que pra uma garota de 16 anos fazer sucesso assim repentinamente nos dias de hoje (ainda mais por meio da internet) é facil?! Não é não!
    De boba ela não tem nada, absolutamente NADA.
    Talento ela tem sim não resta dúvidas, mas já tá perdendo a graça esse comportamento ‘fora do normal’ dela.

  8. Cleonice said, on 15 janeiro, 2009 at 19:37

    A ENTREVISTA FICOU BACANA, MINHA FILHA TEM O CD DELA E EU GOSTO DAS MUSICAS! ELA PARECE SER UM DOCE DE MENINA, MAS ASSIM COMO O COMENTÁRIO DE CIMA DIZ, EU TB ACHO QUE ELA FORÇA A BARRA UM POUCO.
    DE QUALQUER FORMA O PRODUTOR DELA TA CONSEGUINDO FAZER UMA ÓTIMA DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DELA.

  9. Hikari said, on 26 março, 2009 at 0:36

    “Você diz gostar muito de medalhões como Johnny Cash e Bob Dylan. Quem você citaria como “mentores musicais”?

    Além de Dylan e Cash?”

    Aí ficou parecendo q mandaram as perguntas pra ela por email, ela respondeu essa com uma pergunta nonsense e em vez de retornarem ela pra ela completar a resposta publicaram a pergunta dela…

    Eu naum acho q ela esteja fazendo um personagem, acho q é o jeito dela mesmo, ela tem talento pra música mas naum tá acostumada a falar em público. Fez sucesso repentino e naum teve tempo de ser preparada e se adaptar à nova realidade.

    Mas em vez de um pessoal ficar criticando ela de graça, deviam apenas rir do jeito dela. Melhor ela agir desse jeito do q gravarem e fazerem dezenas de edições (pergunta, ela responde errado, explicam pra ela a pergunta, ela responde direito, daí corta a parte cômica e deixa só a pergunta inicial e a resposta final). Ela tá sendo autêntica e tá dando a cara a tapa.

    Deviam criticar era certos “cantores” q usam intérpretes e nunca podem cantar ao vivo…

  10. luana said, on 20 outubro, 2010 at 9:15

    filha de pais ricos, talvez até um pouco carente dos mesmos…
    pois bem, ela está pulando as etapas da vida, passando de adolescente
    para jovem adulto…. a única coisa que encaixa com a idade dela é
    incerteza do que quer ser, apesar de nunca sabermos na verdade o que queremos ser…
    porém ela não precisa ter certeza de nada, se a carreira vai trazer um bom futuro ou não, pois tem muito tempo ainda, e seus pais com certeza vão continuar bancando se fracassar ou não… Então, ela é muito inteligente, teve tempo suficiente para planejar
    toda essa fama… e se não rolasse tudo isso pra ela não seria nada jogado fora, seria apenas mais uma experiência, da qual aprendera muito com a mesma….
    Admiro-a muito, continue assim tentando se realizar, é o sonho de todos
    ser quem quer ser, e a Mallu está com meio caminho andado, ela apenas quer se decobrir….


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