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ENTREVISTA: NRK

Posted in entrevista by Bruno Boghossian on 22 julho, 2008

Eles surgiram bem depois da chegada da onda new rave ao Brasil, mas mostram que a cena eletrônica por aqui anda bem ativa. Já foram New Rave Kids On The Block e agora respondem simplesmente por NRK. O trio paulista formado pelos jovens Raphael Caffarena, Goos e Cello Zero abusa dos sintetizadores e das letras nonsense (alguém lembrou de outra banda paulista que fez sucesso recentemente?) para conquistar público e crítica com um som que eles mesmo classificam como galere-se-divertindo-dançando-igual-louco.

O estilo do grupo é influenciado por variações da música dos anos 1980 (“do punk ao hip hop old school”), além do eletropop atual de artistas consagrados como Go! Team, Junior Senior, CSS e Hot Chip.

A banda que surgiu com o objetivo de “viajar o mundo e beber de graça” trouxe certo reconhecimento para os três músicos, que já tocaram em muitas festas populares de São Paulo e em outras cidades do Brasil, além de terem recebido atenção de sites gringos como Big Stereo e Un Piel de Astracan. O grupo gravou recentemente seu primeiro EP, “Radical”, disponível para download no MySpace e no site do NRK. Como diz a própria banda, “nada de vendas, baixa quem quiser ouvir”.

Em entrevista ao Sub Som, o NRK fala do visual esquisitão do trio (“A gente é fora das fotos o que a gente é naquelas fotos – só que nas fotos com um penteado melhor”) e revela as mentiras da música independente (“Essa história de que as bandas mudam o estilo depois que assinam com gravadoras grandes é uma grande mentira. O que rola é uma invejinha geral quando alguém assina e se dá bem”).

– Aquele objetivo de “viajar o mundo e beber de graça” já foi atingido? Essa motivação continua ou vocês estão mais ambiciosos?

Ainda não bebemos de graça e o mais longe que fomos foi Belo Horizonte, então ainda estamos atrás disso!

– Desde o fim do ano passado, vocês vêm sendo apontados como “uma das bandas pra ficar de olho em 2008”. Agora vocês consideram que já foram vistos ou ainda tem um caminho longo pela frente?

Ainda não dá pra considerar, claro. Estamos tendo uma boa visibilidade considerando o tempo de existência da banda, mas somos como qualquer outra banda na cena independente. Estamos tentando conquistar nosso espaço!

– O NRK recebeu uma certa atenção em blogs internacionais. A que vocês devem esse sucesso que vocês fizeram?

O Brasil está tendo uma atenção especial da mídia internacional, como foi a cena francesa e a australiana uns anos atrás, deve ser isso (risos).

– Por que vocês decidiram cantar em inglês? Essa escolha tem alguma relação com as bandas que influenciam vocês?

Na verdade, nós começamos a cantar em inglês pra todo mundo aqui demorar um pouco mais pra entender o tanto de besteira que a gente falava… Se alguem traduzisse nossa primeira música (“Vivian The Whore Next Door”, que nem tocamos mais nos shows), podia dar a letra pros Raimundos que ninguém ia perceber!

– E de onde vêm a inspiração das letras de vocês? Qual o sentido do verso “a monkey pulled my hair” e do resto da letra de “Flashlite Monkey”?

As letras normalmente são inspirações festeiras e relacionadas a isso, ou seriados, ou qualquer coisa que divirta a gente… Mas “Flashlite Monkey” é meio nonsense. Não tem nem como explicar (risos).

– Vocês estudaram música? Quando formaram a banda vocês já tinham a intenção de levar essa empreitada a sério?

Estudamos entre aspas… O Goos sabe tocar guitarra, depois aprendeu bateria e é DJ há bastante tempo. O Cello fez aulas de piano, teclado e guitarra por uns anos e tenta tocar tudo o que aparece na frente dele. E o Raphael está aprendendo com a banda… Mas nunca tivemos a intenção de nos levar a sério, apenas nos divertimos e vamos ver onde vai dar.

– Vocês acham que a cena eletrônica brasileira é viva o suficiente para proporcionar o surgimento de grandes bandas nacionais?

A cena eletrônica brasileira ainda não é grande. Na verdade, nem sabemos se realmente existe uma cena propriamente dita. Tem uma galera fazendo música e tentando ainda se firmar. Mas se a gente for ver bem mesmo, não tem cena forte de nada no Brasil.

– Como vocês classificam o estilo de música do NRK e qual a intenção de vocês ao escolher esse estilo?

Galere-se-divertindo-dançando-igual-louco acho que é uma boa definição. Não tem intenção nenhuma acima de fazermos música que nós gostamos pra dançarmos com os amigos!

– Em algumas fotos, vocês aparecem de short jeans, colete, luva… Isso tem algum sentido? Qual é a mensagem que vocês querem passar?

É como a gente se veste pra ir pras festas… A gente é fora das fotos o que a gente é naquelas fotos – só que nas fotos com um penteado melhor!

– A gravação do EP “Radical” é um sinal de que vocês pretendem se “profissionalizar”?

Vamos ser sinceros: as primeiras gravações eram uma merda. Divertidas, mas não tinha nada tocado e nenhuma preocupação com mixagem ou produção. Era tudo feito em 5 minutos e fechou! Em “Radical”, a gente resolveu tocar, nos preocupamos com tudo. De certa forma é uma profissionalização. Já que alguém levou a gente a sério no começo, vamos fazer algo decente!

– Como foi essa gravação? Vocês tiveram uma produção mais sofisticada? Vocês vêem alguma diferença técnica entre as primeiras gravações no MySpace e as do EP?

A gente gravou tudo no homestudio que o Cello montou no quarto dele. Na verdade desde o começo da banda a gente usa basicamente o mesmo equipamento. A grande diferença na produção é que agora a gnete se preocupa com isso e toma o tempo que for necessário pra deixar numa qualidade bacana.

– O que significa “música independente” pra vocês? Vocês acham que alguns artistas mudam o estilo de música que fazem depois que assinam com uma grande gravadora?

Isso de mudar o estilo depois que assinam com gravadora é uma grande mentira. A maioria dos trabalhos fica na mesma linha, só que com produção e estrutura melhores. Quando alguém muda o som é porque está em outra fase. Nós mesmos, mudamos totalmente o estilo nesse EP e não tem nada a ver com gravadora. O que rola é uma invejinha geral quando alguém assina e se dá bem.

– E se uma grande gravadora oferecesse contrato pra vocês, vocês aceitariam?

Na hora, sem pensar duas vezes! Não é o que todo mundo persegue no final das contas? Assinar com uma grande gravadora é reflexo de sucesso e todo mundo persegue o próprio sucesso. Ninguém em sã consciência recusaria um emprego com salário alto e com melhores condições de trabalho pra ficar contando moedinhas.

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