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Ouvimos: The National + MGMT

Posted in álbum by Guilherme Sorgine on 9 setembro, 2008

(Por Gabriel Paiva, especial para o Subsom)

Saindo da onda Madonna/Hard Candy/Sticky&Sweet, vamos partir pra outra onda: Tim Festival. Com uma escalação bem mais ou menos na opinião da maioria do público cativo (mas que segue o trendy europeu [porque o que é bom nos EUA só rola nas pistas parisienses, milanesas, londrinas…]), aproveito o momento para fazer uma breve resenha dos últimos LPs do que garimpei de melhor na escalação: The National + MGMT.

The National – “Boxer” (2007)
Nota: 4/5

Depois do arrasador e aclamado LP “Alligator” (antes dele, ninguém ouvia falar de The National), “Boxer”, lançado em meados de 2007, revela, logo de primeira, traços de genialidade e brilhantismo que se tornam cada vez mais perceptíveis a cada ouvida. Cabe lembrar que “Boxer” figurou no Top 10 de fim de ano (2007) de diversas revistas e sites especializados.

Abre com a forte “Fake Empire”, clara crítica ao american way of life (stay out super late tonight/picking apples, making pies/put a little something in our lemonade and take it with us/we’re half-awake in a fake empire/we’re half-awake in a fake empire). A música seguinte, “Mistaken for Strangers”, traz uma batida 80’s cativante com uma letra bacana que fala de solidão e alienação (“you get mistaken for strangers by your own friends”). Por sinal, todas as composições e letras são de altíssimo padrão.

Por falar em batidas, muito do brilhantismo desse álbum se deve à bateria de Bryan Devendorf (aliada, claro, ao barítono de Matt Berninger, vocalista). A sequência das músicas traz uma espécie de Editors inteligente e menos ruidoso misturado com Leonard Cohen. É ouvir para entender. A sequência não traz uma música que não deveria estar lá e encaixa perfeitamente ao ritmo por vezes intenso, por vezes despretensioso, por vezes triste, do álbum (da banda?).

Para ser sucinto e franco, Boxer é soberbo. É uma bela peça de obra de arte, que não entedia, que faz chorar e dá vontade de cantar berrando, fumando um cigarro ao mesmo tempo. É como se fosse um daqueles quadros de arte contemporânea que você observa por horas não porque é uma porcaria e você insiste em procurar sentido, mas porque ali há um belo quadro pintado por um sublime (ex)desconhecido.
O show tem tudo pra seguir o mesmo padrão, afinal a banda inteira é de rara competência em todos os sentidos.

MGMT – “Oracular Spectacular” (2008)
Nota: 4/5

Baixei esse CD há pouco tempo. Pouco mesmo, talvez tenha uma semana. É claro que já havia ouvido falar de MGMT – Management – devido ao hype causado pelas novas bandas vindas do Brooklyn, como Vampire Weekend e Yeasayer, mas (descobri) MGMT figura no topo das suas companheiras de bairro. É um eletro-indie de primeira, com pitadas de nu-disco, old-disco (lol) e abre com uma música que consta no set dos DJs mais badalados (“Time to Pretend”), excelente, extremamente viciante.

Todas as canções de “Oracular Spectacular” foram construídas e mixadas com um gosto apurado (perceptivelmente). O resultado é um álbum cheio de canções tendenciosas, super dançantes, que grudam na cabeça e te fazem dar aquela requebradinha involuntária quando você está simplesmente ouvindo música e teclando no MSN. Na pista, então, funciona melhor ainda, especialmente com “Kids”, que também está, merecidamente, nos sets dos DJs mais trendies.

Ouvir esse LP é uma experiência engraçada. Os caras ora parecem estar em uma onda de ácido fortíssima (perceba as letras), ora parecem estar com o tesão típico do pós-ecstasy, ora parecem estar simplesmente caretões e irônicos. Mas o veredicto é simples: “Oracular Spectacular” é brilhante.

“Electric Feel”, “Kids”, “Weekend Wars” e “Time to Pretend”, sozinhas, garantiriam uma nota máxima ao LP (se fossem compiladas um EP…). Não é que o resto do álbum seja fraco – é que essas músicas são tão boas e se destacam de tal forma que as outras são simplesmente as outras – não ruins, simplesmente não-tão-boas.

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Uma resposta

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  1. Carlos Magalhães said, on 9 setembro, 2008 at 11:56

    Adorei a crítica, vou correndo baixar as duas bandas, e se eu gostar mesmo eu devo querer com certeza ver no Tim Festival.


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