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OUVIMOS: WU LYF – ‘Go tell fire to the mountain’ (2011)

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 26 junho, 2011

WU LYF – ‘Go tell fire to the mountain’ (Nota: 4.5/5)

Os caras do WU LYF não gostam de você. Eles gritam contigo sobre morte, tocam bateria como se estivessem explodindo bombas nos seus ouvidos, envolvem você num som feito de ecos atordoantes e te dizem quem a vida é uma porcaria – afinal, você fatalmente vai abandonar seus sonhos de criança, arrumar um emprego fixo e se vender por um salário qualquer no fim do mês.

‘Go tell fire to the mountain’ é um disco sobre ser jovem e barulhento. E é praticamente uma bronca desse quarteto de Manchester, na Inglaterra, contra o establishment, o status quo, o capitalismo selvagem e todo mundo que não deixa você fazer o que você quer. É também uma abordagem um tanto ingênua de tudo isso, mas expressa de uma maneira excepcional pelos grunhidos do vocalista Ellery Roberts.

Os gritos cortantes são os primeiros impactos do álbum, que foi lançado esse mês pelo WU LYF (que se pronuncia ‘woo life’, em inglês, e significa World Unite Lucifer Youth Foundation). Só com a ajudinha do site da banda é possível entender, por exemplo, que o verso cantado como kee-a-caah / ti-ahs-daah em ‘Dirt’ (essa do clipe espetacular no começo desse post) deve ser entendido como keep on calling / until it all falls down.

Poderia ser um artifício idiota, se esses grunhidos não fossem acompanhados por arranjos melodiosos e quase espirituais, liderados por um órgão e uma guitarra sem um grau de distorção, que poderia ter sido copiada de um disco instrumental de post-rock (primeira referência: Explosions in the Sky).

No caso do WU LYF, esse contraste cria um ambiente de angústia, com um cara berrando sobre separações, sobre o medo da morte e sobre tudo o que você abandonou pelo dinheiro, por exemplo (It’s a sad song that makes a man put / money before life, em ‘We Bros’). O som é ainda mais envolvente nesse disco porque foi todo gravado dentro de uma igreja nos subúrbios de Manchester, com um espaço que provoca uma reverberação que torna essa melodia ainda mais incômoda.

OBS: Achei que existe, na soma dessas ferramentas (gritos, batida, eco, angústia), algo que lembra ‘Feels’, álbum de 2005 do Animal Collective – sem os sintetizadores, claro.

É um disco que tem tudo pra ser um dos melhores do ano, e que pode ser obscurecido por uma jogada de marketing/babaquice da banda, que faz questão de ser contra qualquer coisa que possa lhes dar sucesso. Dizem que eles recusaram dezenas de pedidos de entrevistas, se negaram a fazer shows e até esnobaram o diretor Michel Gondry, que pensava em gravar um clipe com eles. O quarteto também faz questão de divulgar que gravou o disco com o próprio dinheiro (apesar de ter assinado contratos com distribuidoras) e parece até se opor ao fato de estar fazendo sucesso exatamente por causa da aura de mistério que criou em torno de si.

“Toda essa cultura do ‘hip’, dos 15 minutos de fama… Temos certeza que um monte de gente pensa isso sobre a gente, porque leu sobre nós em um site que nutre esse modelo da coisa-mais-nova-super-hip. E isso é algo a que nunca aspiramos – e quando aconteceu, tentamos simplesmente ignorar. Queremos que o WU LYF seja mais que uma banda, da mesma maneira que o FC Barcelona é ‘mais que um clube’“, escreveu o grupo no site oficial.

Eis mais um motivo pelo qual eles não gostam de você: você é um hipster que descobriu que eles existem. Mas faça um favor a si mesmo e não decida esnobá-los por vingança.

Para ouvir agora
‘Spitting Blood’
‘L Y F’

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Uma resposta

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  1. lucelia said, on 1 novembro, 2012 at 11:13

    “Deixe seu comentário” tendência


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