sub som

OUVIMOS: WU LYF – ‘Go tell fire to the mountain’ (2011)

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 26 junho, 2011

WU LYF – ‘Go tell fire to the mountain’ (Nota: 4.5/5)

Os caras do WU LYF não gostam de você. Eles gritam contigo sobre morte, tocam bateria como se estivessem explodindo bombas nos seus ouvidos, envolvem você num som feito de ecos atordoantes e te dizem quem a vida é uma porcaria – afinal, você fatalmente vai abandonar seus sonhos de criança, arrumar um emprego fixo e se vender por um salário qualquer no fim do mês.

‘Go tell fire to the mountain’ é um disco sobre ser jovem e barulhento. E é praticamente uma bronca desse quarteto de Manchester, na Inglaterra, contra o establishment, o status quo, o capitalismo selvagem e todo mundo que não deixa você fazer o que você quer. É também uma abordagem um tanto ingênua de tudo isso, mas expressa de uma maneira excepcional pelos grunhidos do vocalista Ellery Roberts.

Os gritos cortantes são os primeiros impactos do álbum, que foi lançado esse mês pelo WU LYF (que se pronuncia ‘woo life’, em inglês, e significa World Unite Lucifer Youth Foundation). Só com a ajudinha do site da banda é possível entender, por exemplo, que o verso cantado como kee-a-caah / ti-ahs-daah em ‘Dirt’ (essa do clipe espetacular no começo desse post) deve ser entendido como keep on calling / until it all falls down.

Poderia ser um artifício idiota, se esses grunhidos não fossem acompanhados por arranjos melodiosos e quase espirituais, liderados por um órgão e uma guitarra sem um grau de distorção, que poderia ter sido copiada de um disco instrumental de post-rock (primeira referência: Explosions in the Sky).

No caso do WU LYF, esse contraste cria um ambiente de angústia, com um cara berrando sobre separações, sobre o medo da morte e sobre tudo o que você abandonou pelo dinheiro, por exemplo (It’s a sad song that makes a man put / money before life, em ‘We Bros’). O som é ainda mais envolvente nesse disco porque foi todo gravado dentro de uma igreja nos subúrbios de Manchester, com um espaço que provoca uma reverberação que torna essa melodia ainda mais incômoda.

OBS: Achei que existe, na soma dessas ferramentas (gritos, batida, eco, angústia), algo que lembra ‘Feels’, álbum de 2005 do Animal Collective – sem os sintetizadores, claro.

É um disco que tem tudo pra ser um dos melhores do ano, e que pode ser obscurecido por uma jogada de marketing/babaquice da banda, que faz questão de ser contra qualquer coisa que possa lhes dar sucesso. Dizem que eles recusaram dezenas de pedidos de entrevistas, se negaram a fazer shows e até esnobaram o diretor Michel Gondry, que pensava em gravar um clipe com eles. O quarteto também faz questão de divulgar que gravou o disco com o próprio dinheiro (apesar de ter assinado contratos com distribuidoras) e parece até se opor ao fato de estar fazendo sucesso exatamente por causa da aura de mistério que criou em torno de si.

“Toda essa cultura do ‘hip’, dos 15 minutos de fama… Temos certeza que um monte de gente pensa isso sobre a gente, porque leu sobre nós em um site que nutre esse modelo da coisa-mais-nova-super-hip. E isso é algo a que nunca aspiramos – e quando aconteceu, tentamos simplesmente ignorar. Queremos que o WU LYF seja mais que uma banda, da mesma maneira que o FC Barcelona é ‘mais que um clube’“, escreveu o grupo no site oficial.

Eis mais um motivo pelo qual eles não gostam de você: você é um hipster que descobriu que eles existem. Mas faça um favor a si mesmo e não decida esnobá-los por vingança.

Para ouvir agora
‘Spitting Blood’
‘L Y F’

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O que você esperava dos Strokes?

Posted in álbum, música by Bruno Boghossian on 15 março, 2011

The Strokes The Vaccines
The Strokes, The Vaccines e umas palavras sobre a música

As guitarrinhas da banda inglesa The Vaccines só se fizeram ouvir essa semana porque, há dez anos, os Strokes lançaram um disco mal-ajambrado que moldou a maneira como eu e você ouvimos música hoje. E hoje, no entanto, o mesmo quinteto nova-iorquino que estourou com a ingênua ‘Last nite’ tenta se afastar dos riffs repetitivos e do som sujo que tinha se tornado a marca de um novo gênero ‘rock’ que eles supostamente haviam ajudado a fundar.

Com o tempo, a música muda, o nosso gosto musical muda e o que se chama de mainstream muda. Algumas bandas mudam seus sons e outras continuam baseadas na mesma fórmula – ou porque esse é o estilo delas ou porque querem continuar vendendo produtos e fazendo shows lotados. Qual delas parece mais legítima? Será que, quando se fala de música, nós queremos ouvir sons novos ou só queremos ‘novidades’?

Os Strokes vêm mudando de estilo há dois álbuns – e isso ficou óbvio no último disco da banda, ‘Angles’, que vazou domingo na internet. Eles não se transformaram por coragem, pra apostar num som de vanguarda ou pra vender discos. O novo disco dos Strokes só é do jeito que é porque o vocalista Julian Casablancas mergulhou numa egotrip eletro-oitentista no ano passado, quando resolveu lançar seu primeiro disco solo. É simples assim: uma viagem criativa que tomou conta do cara.

Não é que o ato de mudar tenha sido ruim, mas o resultado foi um erro. Os primeiros versos de ‘Machu Picchu’, a faixa que abre o disco, podem fazer qualquer um querer desistir de ouvir o que vem pela frente. A canção é uma sucessão de arranjos eletrônicos banais, riffs de guitarra repetitivos e um vocal um tanto prepotente, o oposto do estilo angustiado mas despreocupado que fez de ‘Last Nite’ um hit em 2001.

O curioso desse disco é que mesmo as faixas que mantiveram o DNA da banda têm uma pegada muito mais pop, como é o caso de ‘Under the cover of darkness’ (o hit nato do álbum) e ‘Gratisfaction’. O estilo lo-fi do grupo ficou pra trás, com um som mais bem produzido, mas eles mantiveram os mesmos solos simples e as mesmas letras com temas pós-adolescentes.

O que me incomodou de verdade foi que a incursão da banda nos campos do eletropop é superficial ao extremo. ‘Two kinds of happiness’ pode ser confundida com uma faixa ruim do Duran Duran. As repetições propositalmente incômodas de ‘You’re so right’ deram origem a uma ‘Take it or leave it’ piorada. E ‘Taken for a fool’ é mais uma aposta equivocada no estilo-videogame (você acha que o universo seria bom o suficiente para impedir uma faixa que parece ter influências do último disco do MGMT até topar com isso).

É claro que os Strokes não precisam se manter os mesmos para sempre, mas nem toda mudança é bem feita. No caso desse disco, não foi. Sem o currículo que a banda tem, esse álbum daria de cara na porta de qualquer gravadora e não geraria mais que uns 300 hits no MySpace.

Acho que é por isso que às vezes a gente se sente mais confortável ao ouvir uma banda nova que ao ver a transformação de uma banda que a gente já conhece. Nessa onda, o disco que o Vaccines soltou essa semana (‘What did you expect from the Vaccines?’) é uma diversão, apesar de ser um som absolutamente irrelevante. É uma banda que rima ‘F. Scott Fitzgerald’ com ‘Morning Herald’ em um foguete de 1 minuto e 21 segundos que abre seu disco de estreia, a faixa ‘Wreckin’ bar (ra ra ra)’.

Em comparação, o grupo parece esbanjar uma juventude legítima, que os Strokes obviamente não têm mais. São mais despreocupados e mais instintivos, apesar de menos sofisticados. Esse tema é evidente nas letras das estimulantes-porém-simplistas ‘Wetsuit’ (‘If at some point we all succumb / For goodness sake let us be young’ e ‘Put a wetsuit on / Grow your hair out long / Put a t-shirt on / Do me wrong, do me wrong, do me wrong’) e ‘Family friend’ (‘You wanna get young but you’re just getting older / And you had a fun summer but it’s suddenly colder’).

Mais um ponto a favor dos Vaccines é que eles bebem de fontes menos arriscadas que a música eletrônica dos anos 1980. Apesar de fazerem referências a Ramones em ‘Norgaard’, a sonoridade da banda está fincada no gênero desnecessariamente batizado de pós-britpop, que tinha como referência bandas como The Hives, The Vines e até os americanos Strokes. Nessa área, ‘What did you expect from the Vaccines?’ tem ecos de Kaiser Chiefs (em ‘If you wanna’) e Glasvegas (em ‘Under your thumb’).

Ouvir The Vaccines ajuda a entender The Strokes hoje. Mais que uma série de referências e um oceano que separam as duas bandas, dá pra entender que o que afasta os nova-iorquinos do som original é a maturidade – e ficou claro que o som de uma banda moderninha como os Strokes não resiste inabalado a uma década inteira.

The Strokes | ‘Angles’ | 1.0 / 5
The Vaccines | ‘What did you expect from the Vaccines?’ | 2.5 / 5

OUVIMOS: Wavves – ‘King of the beach’

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 10 julho, 2010

Wavves – ‘King of the beach
Nota: 3,5 / 5
Destaque:
‘Baseball cards’

Se você conhece os trabalhos anteriores do Wavves, é melhor abrir espaço para um som completamente diferente. Depois de dois discos barulhentos, cheios de sons distorcidos e vocais poluídos, o grupo formado na cidade praiana de San Diego parece ter abraçado a surf rock como vocação e se prepara para lançar o animado – e talvez debochado – ‘King of the beach’.

Difícil saber o que provocou essa mudança radical na sonoridade da banda, mas ficou claro que o compromisso com o experimental era despretensioso o suficiente para que os músicos adotassem essa transformação radical. Afinal, abandonar o hermético noise rock para tocar para surfistas supostamente desmiolados é um sinal de que a prepotência não faz parte do repertório.

Se por um lado o Wavves manteve o modo irritante de compor suas canções melodias e versos repetitivos, por outro o vocalista Nathan Williams continua cantando de forma natural, agressiva e descolada, provando que a transformação não foi um passo em direção à ‘música comercial’.

É até curioso interpretar o som mais pop rock de ‘King of the beach’ como uma provocação ao próprio noise rock – a exemplo do som zombeteiro feito pelos também americanos do Of Montreal, como se pode ouvir em ‘Convertible balloon’. Indícios dessa possível atitude estão na frequência do corinho que acompanha o som da surf music e a balada debochada que é a canção ‘When will you come’.

Mais que pura diversão para os autores, o disco tem faixas de grande qualidade, com destaque para a excelente ‘Baseball cards’, mantendo os samples eletrônicos repetitivos e experimentais que tornaram a banda conhecida, além do vocal poluído. Entre mortos e feridos…

Ouça mais: http://www.myspace.com/wavves

NOVAS: Duas faixas inéditas do Broken Social Scene

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 23 março, 2010

Cinco anos depois do lançamento do terceiro disco, está pronto o novo álbum da banda canadense Broken Social Scene. Forgiveness Rock Record, produzido por John McEntire (baterista do Tortoise, que já trabalhou com Bright Eyes, Tom Zé e outros), começa a ser vendido em maio, mas já é possível baixar de graça a primeira faixa do CD e ouvir outras duas em no site oficial do grupo.

O download gratuito é da ótima “World Sick”, canção que já tinha sido divulgada no mês passado e que traz o DNA da banda, com corais e melodias suaves, mas cheias de detalhes. As novidades são “Forced to Love”, mais acelerada e um tanto óbvia, e “All to All”, representando a cota eletropop do grupo.

Forgiveness Rock Record
World Sick // Chase Scene //
Texico Bitches // Forced to Love //
All to All // Art House Director //
Highway Slipper Jam //
Ungrateful Little Father //
Meet Me in the Basement //
Sentimental X’s // Sweetest Kill //
Romance to the Grave //
Water in Hell // Me and My Hand

OUVIMOS: Local Natives – ‘Gorilla Manor’

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 21 março, 2010

Local Natives – ‘Gorilla Manor’
Nota: 4 / 5

Difícil acreditar que essa banda novata americana não tenha se inspirado nas vozes do Fleet Foxes para parte das canções desse ótimo álbum de estreia. A diferença entre o Local Natives e o grupo folk está no ritmo caótico (que lembra muito os também californianos The Dodos), seguindo uma “bateria hiperativa”, como descreveu o site Pitchfork, há alguns meses.

É provável que o som da banda seja tão agradável exatamente porque, apesar de não ser nada audacioso, soma características de artistas que se lançaram com um estilo inovador nos últimos anos: vocais harmônicos que, de repente, se transformam em gritaria; uma melodia feita no piano que é atropelada por guitarras distorcidas; um batuque despretensioso que se acelera devagarzinho e transforma toda a música em dois tempos.

Exemplo perfeito é a faixa ‘Airplanes’, que funciona exatamente desse jeito e conseguiu se apresentarcomo uma das canções mais interessantes do ano até agora, com zero experimentalismo e nenhum excesso de criatividade. Simplesmente soa certo. Pode ouvir aqui embaixo.

Local Natives: ‘Airplanes’

Clique também:
. Local Natives – site oficial
. The Dodos
. Fleet Foxes

OUVIMOS: Broken Bells

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 21 março, 2010

Broken Bells – ‘Broken Bells’
Nota: 3,5 / 5

Saudades da voz esganiçada do líder loser do The Shins? O grupinho indie não grava um disco novo desde o bom – mas discreto – Wincing the Night Away, de 2007, mas o vocalista James Mercer se meteu com uma gente boa em um projeto paralelo que tinha tudo pra resultar em um grande álbum, mas que virou só uma experiência interessante batizada de Broken Bells.

Quem domina o som do disco (lançado agora em março nos EUA, mas que já vazou há um tempão na internet) é, de fato, a metade mais virtuosa da dupla: o produtor Danger Mouse, famoso pelas empreitadas com Gnarls Barkley, Gorillaz e Beck. É ele quem abusa dos sintetizadores na intenção de criar algo diferente, com corais despretensiosos, efeitos inadequados e viagens psych-pop. É verdade que as melodias abrem parte do caminho para o que seria um bom álbum pop experimental. O problema é que a conhecida voz melequenta de Mercer segura a obra no campo do tradicional.

O mérito é que nenhum dos dois parece interessado o suficiente em criar uma obra-prima ou estabelecer novos padrões musicais para a nova década. O que se tem aqui é um disco de pop eletrônico ótimo e extremamente sóbrio, com grande variedade instrumental e absolutamente diferente de outros artistas do gênero. O mérito, nesse caso, é de Danger Mouse.

Broken Bells: ‘The High Road’

Clique também:
. Broken Bells – site oficial
. Broken Bells no MySpace
. The Shins
. Danger Mouse

Bob Dylan: Tell Tale Signs – The Bootleg Series Vol. 8

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 10 outubro, 2008

O mestre Bob Dylan disponibilizou gratuitamente na rede  seu “novo” álbum, “Tell Tale Signs”, o oitavo da série “The Bootleg Series”. O álbum conta com 27 canções não lançadas, raras e algumas inéditas. Clássicos como “Time Out Of Mind”, “Love And Theft”, “Modern Times” e “Oh Mercy” também estão presentes no álbum duplo. O lançamento foi em grande estilo, no último dia 07: além de CD duplo, os fãs também puderam (e continuarão podendo) escolher uma edição com quatro vinis. Ótimo para os fãs da vitrola.

Você pode escutar o álbum por inteiro direto do site da National Public Radio. Divirta-se.

Pedro Zopelar: High Tech, Low Life

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 8 outubro, 2008

Iniciando a carreira de DJ, o mineiro radicado no Rio de Janeiro Pedro Zopelar tem todo o prazer em lançar seu primeiro set, “High Tech, Low Life”, aqui no sub som. Além de compositor, arranjador, multiinstrumentista e produtor (produziu duas demos, “Mine for the Lune” e “Funeral Love”, ambas no Myspace do cara), já tocou com grandes nomes da música instrumental brasileira: Itiberê Zwarg (Hermeto Pascoal), Neném Batera (Toninho Horta), Kiko Continentino (Milton Nascimento), Paulo Sá, Silvio Gomes, Beto Guedes, entre muitos outros. Além disso, já foi metaleiro (de cabelão e tudo), estudou contraponto na faculdade e tem uma formação erudita (altamente perceptível em “Mine for the Lune”).

O set “High Tech, Low Life” tem fortes influências de vertentes antigas da e-music, como ítalo disco, e basicamente vertentes diferentes da disco music, como nu disco, space disco, re-edits, etc. Dá pra perceber um pouco de Alexander Robotnick, Greg Wilson, Burnski e N.O.I.A. A arte fica por conta do cartunista Camilo, editor da revista de humor Jararaca Alegre. Muito bom.

Companheiro de vários nomes da cena underground, Pedro bate ponto no Dama de Ferro, o único club true que restou no RJ. “Pode até fumar!”, costuma dizer. Adora as festas “Polenta” (Dama de ferro), Noize (Juiz de fora), freak-chic (D-edge), Caviar (Vegas) e os djs Serge, Jota, Kureb, Márcio Vermelho, Pejota e Marcos Morcef. É também um exímio discípulo de Estamira e já a visitou em formato invísivel, transparente, diversas vezes.

Você pode baixar o set aqui. E comentar o que achou :)

Lançamentos de Outubro!

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 30 setembro, 2008

Em 6 Outubro, será lançado o novo álbum do Oasis, “Dig Out Your Soul”. O novo álbum dos inglesinhos chatos já teve um single lançado, “The Shock of The Lightning”, e sai pela Big Brother Records, selo da própria banda.

Também tem os novos trabalhos do Deerhoof, Sarah McLachlan, ao vivo do Police, Michelle Williams, Los Campesinos!, Kaiser Chiefs, Queen + Paul Rodgers, Sixpence None The Richer (saquinho, né?), AC/DC (mais uma banda anciã retornando, ROCK’N’ROLL), Ludacris, Matisyahu (Shattered, um EP), Ludacris, Bloc Party (o Intimacy já teve seu lançamento online em 21 de Agosto), Deerhunter, Pink e Snow Patrol.

Quanto a mim, espero com ansiedade pelos novos do Of Montréal, Keane (sim, eu gosto) e, pasmem, The Cure!

OUVIMOS: Mogwai – The Hawk is Howling

Posted in álbum by Gabriel Paiva on 25 setembro, 2008

Mogwai – The Hawk is Howling
Nota: 3,5 / 5

Pra quem dizia que 2008 estava aquém de 2007 nos lançamentos… mais um álbum pra provar o contrário.

Com The Hawk Is Howling, o Mogwai volta às suas raízes, trabalhando com o produtor Andy Miller pela primeira vez em dez anos. Esse álbum também é o primeiro completamente instrumental da banda em um bom tempo. E é instrumental de excelente qualidade, expansivo e cheio de subjetividades.

Repleto de sutilezas, abre com “I’m Jim Morrison I’m Dead”, que usa cada segundo dos seus sete minutos para climatizar, com uma variação soberba de pianos e teclados, a cabeça do ouvinte para a experiência de uma hora e três minutos que o álbum reserva. Logo em seguida vem a música carro-chefe de todo o álbum: “Batcat”. Todo mundo sabe que o Mogwai sempre flertou com o metal e o experimentou em suas próprias músicas, mas Batcat é um metal impactante, pesado pra c*ralho, que deixa qualquer música do Death Magnetic no chinelo. YEAH!

The Hawk is Howling é tão sonoramente amplo que, por vezes, parece que estamos ouvindo uma daquelas rádios online em que você define o humor e as músicas vêm aleatoriamente, muitas vezes não tendo nada a ver com o que pretendíamos escutar ao definir o humor. “The Sun Smells Too Loud” é um eletrozinho espacial, com texturas ambientes de trip hop, porém muito pop e acessível; e apesar de “Daphne and the Brain” não atingir nenhum extremo, o ritmo majestoso e as guitarras sombrias inspiram dor e melancolia, e a faz figurar entre as melhores músicas do álbum. “Kings Meadow” é ambient puro, e “I Love You I’m Going to Blow Up Your School” muda de ritmo tanto quanto uma pessoa “apaixonada” muda de humor, e termina com um solo de guitarra bem hard rock, uma coisa meio assim…animal.

The Hawk is Howling tem suas músicas mais “poderosas” e é inevitável desejarmos que todas sejam assim. Obviamente, as “músicas de ligação”, menos expressivas, que ligam uma porrada a uma viagem, por exemplo, estão lá, mas com o tempo o álbum se revela como um dos trabalhos mais fortes, expressivos e sutis do Mogwai.

TV On The Radio: Dear Science

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 22 setembro, 2008

Já foi lançado o novo álbum do TV On The Radio: Dear Science. Ainda não escutei, mas só pode ser bacana – pelo menos é isso que o primeiro single, Golden Age, indica. Por enquanto, se você não tiver paciência de esperar por alguma coisa vinda aqui do sub som, pode visitar o Myspace dos caras e o canal  do YouTube. Vou deixar a resenha dessa obra que promete pro Guilherme, fã número 1 do TVOTR. Ah, e aproveite para ler também a resenha que Chris Dalen fez para o Pitchfork. 9.2 é pra poucos no site dos críticos mais pseudo-iconoclastas da web :)

OUVIMOS: Calexico – Carried to Dust

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 17 setembro, 2008

Calexico – “Carried to Dust”
Nota: 5 / 5

Depois de lançado e ouvido à exaustão, Carried To Dust, o novo álbum do Calexico, felizmente surpreendeu muita gente. Depois do ótimo-mas-subestimado Garden Ruin, as previsões da crítica especializada foram, obviamente, apocalípticas. Carried To Dust reúne todas as qualidades do duo tucsoniano, em todas as suas sutis metamorfoses. Sentimental, confortável de se ouvir, até minha vó gosta.

“Victor Jara’s Hands”, faixa que abre o disco, é um tributo ao poeta, músico e ativista político chileno que foi assassinado em 1973. Abre o disco com classe, repleta de trompetes mariachis e riffs estilizados. O mais bacana é a participação, em espanhol, de Jairo Zavala, da banda (espanhola) Depedro, que manda um belíssimo “Me siento solo y perdido/Una vela alumbra mi camino/Cruzando tierras que nunca he visto/Cruzando el rio de mi destino/Solo soy un chico mas/Que sueña en alto y mirando al mar”.

O pop pensativo, cheio de sussurros, que a banda entregou com Garden Ruin, está fortemente presente em Carried to Dust, porém com uma diferença: até os momentos mais quietos do álbum são vívidos, ao contrário do anterior, que demorava um bocado até deixar seu charme ressoar aos nossos ouvidos. “House of Valparaiso”, com participação de Sam Beam, do Iron & Wine, “Writer’s Minor Holiday” e “Slowness” são as faixas que mais se aproximam do álbum anterior, sendo que essa última se aproxima muito de um dueto country (!!), daqueles bem bregas, de vilarejos de beira de estrada do Arizona. Lindo.

Talvez um dos momentos mais surpreendentes do álbum seja “Two Silver Trees”, a segunda faixa: mescla, com sutileza, elementos latinos e asiáticos. Calexico é assim: combina o guizeng chinês, o cuatro venezuelano e o Omnichord da Suzuki na mesma música de forma totalmente natural.

Carried to Dust ainda tem momentos subtos de nova inspiração, como “Bend in the Road”, que é um southwestern jazz de primeira e “Contention City”, que conta com a participação de Doug McCombs, do Tortoise. Contention City é linda, mescla de “piano de brinquedo” com elementos eletrônicos, trazendo um grand finale cheio de glamour, transformando Carried to Dust no álbum mais equilibrado, maduro e dramático da banda, e um dos melhores do ano.

Novo projeto de Rodrigo Amarante divulga primeiras músicas

Posted in álbum by Guilherme Sorgine on 17 setembro, 2008

É impressionante a repercussão adquirida por qualquer notícia vagamente relacionada ao Los Hermanos. Aqui no blog mesmo, é postar sobre os garotos e a ver a freqüência disparar. Já tem o que, dois anos que eles se separaram? Bem, pelo menos em termos de popularidade, não consigo ver nada no pop-rock brasileiro que sequer chegue perto.

Enfim, isso é pra dizer que saíram as primeiras músicas do Little Joy, projeto paralelo do Hermano Rodrigo Amarante com o baterista Fabrizio Moretti, do Strokes, cujo primeiro álbum tem lançamento previsto para 4 de novembro.

Em uma audição bastante preliminar, as três faixas (“Brand New Start”, “No One’s Better Sake” e “With Strangers”) parecem estar, de um ponto de vista estético, muito mais próximas ao que foi o Los Hermanos do que ao rock básico do Strokes.

Ainda assim, é claro, há diferenças, sendo a principal delas a mudança no hall de influencias primordiais, saindo a MPB “clássica” (que parece mesmo ser mais a praia de Marcelo Camelo, a julgar por seu novo trabalho solo) e entrando algo próximo ao rock psicodélico sessentista (aí entra também a mão do produtor Noah Georgeson, parceiro do neo-hipponga Devendra Banhart).

A princípio, “Brand New Start” me soou como sendo a melhor das três, ecoando surf music com guitarra limpa e um refrão delicioso entoado em coro.

OUVIMOS: Glasvegas

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 16 setembro, 2008

Glasvegas – “Glasvegas”
Nota: 3 / 5

Antes de tudo, vale dizer que o quarteto escocês Glasvegas é um achado e tanto em um ano relativamente carente de boas “coisas novas” no rock alternativo. Mas também cabe a ressalva: eles não vão salvar a música… ainda. Essa nota 3 / 5 para o disco de estréia da banda, que foi lançado na semana passada, mostra que o grupo tem muito a oferecer nas 10 faixas, mas ainda tem um bom tempo pra amadurecer daqui pra frente.

O álbum “Glasvegas” estreou em segundo lugar nas paradas do Reino Unido, só atrás do novo do Metallica – feito que, convenhamos, tem cada vez menos importância hoje em dia. O que mais chama a atenção no desempenho dos músicos é a capacidade de criar um som novo, mas que remete a estilos clássicos do rock. James Allan (voz e guitarra), Rab Allan (guitarra), Paul Donoghue (baixo) e Caroline McKay (bateria) mostram um toque inconfudível do rockabilly e doo wop em suas canções. Ouçam “Daddy’s Gone” e tentem não concordar comigo. A parte inovadora vem da sonoridade noise pop, shoegaze e space rock, que garante à banda o rótulo de rock alternativo.

Por outro lado, quem prestar atenção nas letras do grupo (cantadas com um sotaque carregado), pode ficar meio constrangido com alguns clichês. James Allan está longe de ser um bom poeta, mas consegue algum sucesso na minha favorita do disco, “It’s My Own Cheating Heart That Makes Me Cry”. Em outras, os temas escolhidos são de gosto duvidoso. Na faixa que abre o álbum, “Flowers & Football Tops”, Allan se coloca no lugar de um pai que perde o filho assassinado – caso real, noticiado na imprensa britânica. Já “Lonesome Swan” é uma metáfora inspirada num pedalinho em formato de cisne que era… o patinho feio de um lago em Andaluzia. E, claro, existe a pérola “Geraldine”, que termina com a frase “meu nome é Geraldine, eu sou sua assistente social”. Então tá.

O Glasvegas começou a ficar famoso há mais ou menos um ano, quando colocou suas primeiras canções na Internet. Recentemente, o grupo assinou com a poderosa Columbia Records e deixou Glasgow – berço de Franz Ferdinand, Mogwai e muitos outros – para gravar o disco de estréia em Nova York. A produção ficou a cargo de James Allan e de Rich Costley, britânico responsável por álbuns como “You Could Have It So Much Better” (Franz Ferdinand) e “Our Love To Admire” (Interpol).

E aqui eu faço um comentário que justifica parte da nota dessa resenha e que talvez faça muita gente que gostou da banda torcer no nariz. Nessa travessia do Atlântico com um contrato debaixo do braço, o Glasvegas perdeu a espontaneidade que existia em faixas como “Daddy’s Gone” e “Geraldine”. Foi mais ou menos o que eu disse sobre o Black Kids há um tempo. É claro que, por outro lado, as gravações ficaram mais bem acabadas e as guitarras ganharam qualidade. Resta à banda usar os benefícios do mainstream a seu favor para amadurecer e inovar.

Mas pode ser que pouca coisa mude para o segundo álbum. Em entrevista recente a um site britânico, o vocalista James Allan disse que o grupo já pensa em produzir mais um disco. Vai ser um “álbum de Natal”… gravado na Transilvânia, terra do Conde Drácula. Que não seja mais uma frescura de mais uma banda que bebeu demais do hype.

Primeiro álbum do Little Joy será lançado em novembro

Posted in álbum by Guilherme Sorgine on 15 setembro, 2008

Começa a tomar forma mais concreta o Little Joy, aguardado projeto do (ex?) Hermano Rodrigo Amarante com o baterista dos Strokes, Fabrizio Moretti, e a namorada deste último, Binki Shapiro.

O primeiro álbum da nova banda, que verá a luz do dia pela lendária gravadora Rough Trade, será lançado em 4 de novembro, e contará com produção do músico Greg Rogove, parceiro do neohippie Devendra Banhart, e que deve tocar com o Little Joy em suas apresentações ao vivo.

A banda, no entanto, deve cair no Youtube muito antes disso: sua primeira apresentação está marcada para o dia 24 de setembro, em San Diego, ao lado do Megapuss, projeto paralelo de Devendra.

Segue a tracklist do primeiro álbum do Little Joy:

01 The Next Time Around
02 Brand New Start
03 Play the Part
04 No One’s Better Sake
05 Unattainable
06 Shoulder to Shoulder
07 With Strangers
08 Keep Me in Mind
09 How to Hang a Warhol
10 Don’t Watch Me Dancing
11 Evaporar

Radiohead já trabalha em novo álbum

Posted in álbum by Guilherme Sorgine on 14 setembro, 2008

Não, eu não acho Radiohead a melhor banda do mundo. Isto posto, vamos ao factual.

Em entrevista a um programa da BBC, Ed O’Brien revelou que a banda já faz planos para começar a trabalhar no sucessor de seu último álbum, “In Rainbows”, após encerrar a atual turnê (que, dizem as línguas de sempre, passará pelo Brasil no início do ano que vem).

Segundo o guitarrista, uma parte do material já foi escrito, durante o recente intervalo pós-tour americana da banda.

“Nós ainda estamos conversando sobre gravar algumas coisas, e estamos muito excitados com isso. Nós escrevemos algum material durante um intervalo de turnê, e queremos continuar trabalhando nisso, pois estava brilhante.”

Modesto, o Ed.

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OUVIMOS: The Week That Was

Posted in álbum by Gabriel Paiva on 14 setembro, 2008

The Week That Was
Nota: 4,5 / 5

Trabalhei durante alguns meses escrevendo pra SLANT Magazine – substituindo um rapazinho que andava meio doido da cabeça. Durante esses poucos meses, virei grande amigo de uma colunista e blogueira da revista – Alexa Camp. Desde então, vira e mexe recebo por correio, de presente, coisas que nunca encontraria por aqui: CDs, DVDs, livros… uma infinidade de coisas bacanas. Sexta-feira chegou uma correspondência internacional, e, dentro, um CD. Remetente: Alexa Camp. Dentro, um CD com uma capa bacana. The Week That Was. What the fuck?

Coloquei o CD (sou fanático por CDs, mesmo sendo muito mais simples baixar…) logo que chegou e achei uma porcaria. Coloquei uma segunda vez, e achei outra porcaria. Daí pensei… “A Alexa não me manda porcarias”. E prestei mais atenção ao disco que tinha em mãos: uma obra extremamente conceitual, original, e que, ao mesmo tempo que é inspirado no estilo de contar histórias de Paul Auster (as letras são todas sobre assassinatos, conspirações da mídia, mas tudo envolvido em um só enredo, uma só história – mesmo que a cada música você fique mais confuso), é musicalmente ultra-pop, evocando David Bowie, Kate Bush e Genesis, com pegadas rock’n’roll de primeiríssima qualidade.

Pesquisando na net, ainda descobri que é um projeto paralelo de Peter Brewis, do Field Music. São 32 minutos de música pop altamente conceitual e de qualidade, e que conta com, pelo menos, two tracks viciantes: “The Airport Line” e “Scratch the Surface”. Esta última, você pode escutar aqui mesmo:

Cool ao extremo.

Okkervil River: The Stand-Ins

Posted in álbum by Gabriel Paiva on 11 setembro, 2008

Foi lançado oficialmente na última terça feira, 09 de setembro, o novo do Okkervil River: The Stand-Ins. O álbum é uma sequência das estórias iniciadas no álbum anterior, The Stage Names. O Pitchfork, entusiasta de Okkervil River, deu só um 8.0 . O A.V Club deu um B+ (e uma resenha pobre). A Rolling Stone disse que a banda não inova e continua no mesmo som depressivo de sempre (?????!!??!?!?!?). Gabriel Paiva diz que o álbum é excelente e vai figurar no top 10 de fim de ano dele. Sinta o gostinho de “Bruce Wayne Campbell Interviewed On The Roof Of The Chelsea Hotel, 1979”, só com violão e batida de pé no chão:

OUVIMOS: Metallica – “Death Magnetic”

Posted in álbum by Felipe Leal on 9 setembro, 2008

Metallica – “Death Magnetic”
Nota: 5/5

Depois de muita espera, consultas intermináveis com psicólogos, crise interna e um disco combatido em meio mundo – St. Anger – a agonia dos fãs enfim terminou. O Metallica finalmente lançou o seu Death Magnetic neste mês, uma verdadeira porrada na cara de quem achava que a banda dos lendários Kill ‘Em All, …And A Justice For All, Master Of Puppets e Black Album estava só cumprindo tabela. Com uma produção impressionante, James Hetfield e companhia criaram um disco extremamente pesado e que lembra muito os citados nas linhas de cima. Sem exageros, Death Magnetic parece ter sido congelado no tempo.

A data de lançamento poderia ser 1992, depois do estouro do álbum preto, que ninguém ia reclamar. Longe de ser datado, o novo trabalho traz o que o Metallica sabe fazer melhor: um thrash metal com riffs estridentes e empolgantes, pedais duplos e baterias marciais aliadas a um apuro técnico dos músicos que há muito não se via nos trabalhos em estúdio. É verdade que ao vivo eles são inquestionáveis, as exibições no Rock in Rio Lisboa comprovam, mas desde Load/Reload os fãs mais xiitas desconfiavam do grupo dentro da sala de gravação.

Por causa disso, a histeria que se formou em torno do lançamento foi tão grande que era comum ver o assunto sendo tratado como o mais importante do ano em fóruns de discussão, revistas especializadas, comunidades do orkut e também aqui no Subsom. Nos últimos anos, nada do gênero com a devida importância veio à tona. Megadeth, Iron Maiden, Sepultura, Pantera, Slayer e o próprio Metallica resumiam-se ao passado. Tamanha espera, no entanto, valeu a pena.

Com dez faixas, Death Magnetic é conciso, sem excessos ou brilhantismo desnecessário. Iniciado com o som de batidas de um coração, o disco começa com “That Was Just Your Life”, marcada por riffs viciantes e uma bateria, como de costume, digna de nota de Lars Ulrich. Das demais músicas, vale a menção para “”Cyanide”, “The Judas Kiss” e “The Day That Never Comes”. Para não encher o parágrafo com dez títulos em inglês (entre eles “The Unforgiven III”, uma bela homenagem da banda aos fãs), resolvi colocar apenas quatro, mas, permitindo-me o clichê cretino, a ordem dos fatores não altera o produto. Tanto faz as faixas que pudesse escrever aqui, todas são dignas de nota.

O resultado mostra que o Metallica, quase trinta anos depois de seu início, está no auge da maturidade, mas com o melhor espírito da banda dos anos 80. Death Magnetic é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores albuns do ano, se não o melhor, já me adiantando mais de três meses no tempo.

Aos fãs que, como eu, se frustraram com o cancelamento do show no Rio de Janeiro, só resta esperar (e torcer) para uma vinda da banda às terras tupiniquins e, por que não, inaugurar a casa das cinco estrelinhas nas resenhas aqui do Subsom.

Ouvimos: The National + MGMT

Posted in álbum by Guilherme Sorgine on 9 setembro, 2008

(Por Gabriel Paiva, especial para o Subsom)

Saindo da onda Madonna/Hard Candy/Sticky&Sweet, vamos partir pra outra onda: Tim Festival. Com uma escalação bem mais ou menos na opinião da maioria do público cativo (mas que segue o trendy europeu [porque o que é bom nos EUA só rola nas pistas parisienses, milanesas, londrinas…]), aproveito o momento para fazer uma breve resenha dos últimos LPs do que garimpei de melhor na escalação: The National + MGMT.

The National – “Boxer” (2007)
Nota: 4/5

Depois do arrasador e aclamado LP “Alligator” (antes dele, ninguém ouvia falar de The National), “Boxer”, lançado em meados de 2007, revela, logo de primeira, traços de genialidade e brilhantismo que se tornam cada vez mais perceptíveis a cada ouvida. Cabe lembrar que “Boxer” figurou no Top 10 de fim de ano (2007) de diversas revistas e sites especializados.

Abre com a forte “Fake Empire”, clara crítica ao american way of life (stay out super late tonight/picking apples, making pies/put a little something in our lemonade and take it with us/we’re half-awake in a fake empire/we’re half-awake in a fake empire). A música seguinte, “Mistaken for Strangers”, traz uma batida 80’s cativante com uma letra bacana que fala de solidão e alienação (“you get mistaken for strangers by your own friends”). Por sinal, todas as composições e letras são de altíssimo padrão.

Por falar em batidas, muito do brilhantismo desse álbum se deve à bateria de Bryan Devendorf (aliada, claro, ao barítono de Matt Berninger, vocalista). A sequência das músicas traz uma espécie de Editors inteligente e menos ruidoso misturado com Leonard Cohen. É ouvir para entender. A sequência não traz uma música que não deveria estar lá e encaixa perfeitamente ao ritmo por vezes intenso, por vezes despretensioso, por vezes triste, do álbum (da banda?).

Para ser sucinto e franco, Boxer é soberbo. É uma bela peça de obra de arte, que não entedia, que faz chorar e dá vontade de cantar berrando, fumando um cigarro ao mesmo tempo. É como se fosse um daqueles quadros de arte contemporânea que você observa por horas não porque é uma porcaria e você insiste em procurar sentido, mas porque ali há um belo quadro pintado por um sublime (ex)desconhecido.
O show tem tudo pra seguir o mesmo padrão, afinal a banda inteira é de rara competência em todos os sentidos.

MGMT – “Oracular Spectacular” (2008)
Nota: 4/5

Baixei esse CD há pouco tempo. Pouco mesmo, talvez tenha uma semana. É claro que já havia ouvido falar de MGMT – Management – devido ao hype causado pelas novas bandas vindas do Brooklyn, como Vampire Weekend e Yeasayer, mas (descobri) MGMT figura no topo das suas companheiras de bairro. É um eletro-indie de primeira, com pitadas de nu-disco, old-disco (lol) e abre com uma música que consta no set dos DJs mais badalados (“Time to Pretend”), excelente, extremamente viciante.

Todas as canções de “Oracular Spectacular” foram construídas e mixadas com um gosto apurado (perceptivelmente). O resultado é um álbum cheio de canções tendenciosas, super dançantes, que grudam na cabeça e te fazem dar aquela requebradinha involuntária quando você está simplesmente ouvindo música e teclando no MSN. Na pista, então, funciona melhor ainda, especialmente com “Kids”, que também está, merecidamente, nos sets dos DJs mais trendies.

Ouvir esse LP é uma experiência engraçada. Os caras ora parecem estar em uma onda de ácido fortíssima (perceba as letras), ora parecem estar com o tesão típico do pós-ecstasy, ora parecem estar simplesmente caretões e irônicos. Mas o veredicto é simples: “Oracular Spectacular” é brilhante.

“Electric Feel”, “Kids”, “Weekend Wars” e “Time to Pretend”, sozinhas, garantiriam uma nota máxima ao LP (se fossem compiladas um EP…). Não é que o resto do álbum seja fraco – é que essas músicas são tão boas e se destacam de tal forma que as outras são simplesmente as outras – não ruins, simplesmente não-tão-boas.