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ENTREVISTA: Bad Religion

Posted in entrevista by Guilherme Sorgine on 4 setembro, 2008

Nunca entendi muito bem o porquê, mas é fato que há uma síndrome de cachorro morto que aflige o cenário de shows brasileiro. Então você tem a tal banda, muito celebrada, muito desejada. Quando enfim vem tocar no Brasil, yeah, a celebração é geral. Mas aí o tal grupo volta dois anos depois, e a recepção já não é a mesma. Se comete o erro de voltar ao país pela terceira vez em não menos que cinco anos, esquece: vira pé de página de caderno cultural, na melhor das hipóteses.

Vejam o caso do Bad Religion.

Contemporânea a alguns nomes dos mais cultuados do hardcore californiano (Dead Kennedys, Black Flag), não é exagero dizer que a banda divide com eles o epíteto de “uma das mais influentes do estilo”. Como se não fosse suficiente, reúne atualmente uma verdadeira seleção, que inclui músicos com passagens por Circle Jerks (o guitarrista Greg Hetson), Minor Threat (o também guitarrista Brian Baker) e Suicidal Tendencies (o baterista Brooks Wackerman). Apesar de tudo isso, cometeu um “erro” não repetido por seus cultuados conterrâneos: desde 1996, já veio ao Brasil quase 10 vezes. Pronto, estava perdida a aura.

Em quase três décadas de carreira, a banda já reinou no underground (o guitarrista Brett Guruwitz é fundador e dono da Epitaph Records, responsável por nove entre dez nomes saídos da sunny California), se aproximou do mainstream (assinou com a Atlantic em 1993) e voltou à independência em 2001. Ao longo de tudo isso, afora algumas mudanças pontuais (30 anos, afinal de contas, pesam nas costas de qualquer um), permanecem relativamente fiéis ao estilo que os consagrou (vide álbuns recentes como “New Maps of Hell” e “The Empire Strikes First”).

Às vésperas de voltar ao Brasil, para shows em Fortaleza, São Paulo e Curitiba (o Rio dessa vez ficou de fora), o baixista e fundador da banda Jay Bentley trocou uma idéia exclusiva com o Subsom, que você confere agora.

– Olá Jay, como você está? Animado para tocar no Brasil?

Olá, amigo!  Nós sempre ficamos animados para tocar no Brasil! Os fãs são ótimos, nós fizemos muitos bons amigos por aí ao longo dos anos.

– É a sua sétimas vez no país, certo?

Acho que sim, foram tantas que já perdi a conta (risos).

– Pelas minha contas, é isso mesmo. Depois de tantas apresentações, planejam algo novo para esta vez?

Bem, acho que se for planejado, nunca será uma surpresa de verdade (risos). Nós nunca sabemos o que vai acontecer em cima do palco, é sempre uma surpresa, até mesmo para nós!

– Como você se sente, ao ser tão popular em um país distante, após todos esses anos de carreira?

Sem demagogia, acho que a melhor definição seria uma só: honrado.

– Qual é a sua melhor memória do país?

Que pergunta difícil, cara! São tantas…e geralmente envolvem sentar em uma praia e tomar muitos drinks (risos).

– Algum show em especial que você considere o melhor?

Nenhum show é melhor que outro. Nós sempre entramos no palco tentando fazer com que cada show seja sempre o melhor.

– E sobre o novo álbum? Estão correndo pela internet alguns boatos de que poderia sair em 2009. Algo confirmado, ou são apenas planos?

Na verdade, nós não temos nada planejado ainda. Tudo o que vem correndo não passa de boato. Nós provavelmente não pensaremos nisso pelos próximos meses. Greg vai começar a dar aula novamente (além de vocalista do BR, Greg Graffin também é doutor em paleontologia!!!), e nós teremos alguns meses para descansar, escrever e pensar no que vamos querer fazer daqui pra frente.

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ENTREVISTA: Cansei de Ser Sexy

Posted in álbum, entrevista by Felipe Leal on 1 agosto, 2008

O que começou como um projeto “despretensioso” se tornou algo inacreditavelmente grande. Saído de São Paulo, o Cansei de Ser Sexy ganhou imensa projeção na mídia internacional e hoje integra grandes festivais em países como Espanha, Inglaterra e Estados Unidos, onde está baseado. Apesar das saudades, a banda está com a agenda lotada e adianta que só toca no Brasil este ano no caso de uma “proposta inacreditável”, mostrando que o multiinstrumentista e produtor Adriano Cintra e suas companheiras de banda estão muito bem, obrigado.

Em entrevista por telefone ao Subsom, a guitarrista e baterista Luiza Sá contou os detalhes da gravação do segundo álbum da banda, “Donkey”, falou um pouco da trajetória do CSS e aproveitou para dizer que Johnny Lydon, ex-vocalista do lendário grupo Sex Pistols, é um “idiota”. Indo na carona do Radiohead, a banda paulistana disponibiliza gratuitamente e na íntegra seu segundo trabalho no site do selo Trama. Aos interessados, a gravadora manterá o disco no ar pelos próximos três meses.

Como foram as gravações do novo álbum?

Quando entramos no estúdio já tínhamos escrito todas as coisas, aí foi mais gravar mesmo. O primeiro disco foi feito no fundo da casa do Adri (Adriano Cintra, baterista, guitarrista, baixista e produtor da banda) e da Carol (Carolina Parra, guitarrista e uma das bateristas), numa salinha, uma espécie de vinícola, e no “Donkey” tivemos a oportunidade de usar o estúdio da Trama, que é incrível. Ninguém encheu nosso saco pra nada, a gente fez tudo de forma organizada. Para mim foi um aprendizado, porque usei um monte de instrumento que nunca tinha usado, guitarra diferente, amplificadores diferentes, e tudo num processo com uma vibração boa. Fizemos as coisas do nosso jeito e ninguém ficou em cima.

Quais as principais diferenças entre o Donkey e o primeiro CD de vocês?

O primeiro disco foi metade feito no computador e metade em estúdio, foi meio feito como demo mesmo e a gente nunca esperava fazer tantas tours com ele. Nesse segundo, estivemos preocupados em ser o mais próximo possível do que somos ao vivo, do que a gente é como banda e a gente se tornou mais banda depois que começamos fazer tours. O Adriano produziu tudo e a mixagem é do Spike Stente, que já trabalhou com o Massive Attack, Madonna, Gwen Stefani e Björk.

Pelas faixas do disco, dá para ver que vocês amadureceram. Está mais bem produzido, as guitarras ganharam mais peso…

Passamos por muita coisa e não teve nem como a gente não amadurecer. Falo que esse disco é mais pessoal e mais sério que o primeiro disco, que era completamente despretensioso.

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ENTREVISTA: Muse

Posted in entrevista, show by Bruno Boghossian on 29 julho, 2008

A banda Muse, famosa por suas apresentações envolventes, se prepara para uma série de três shows no Brasil. O trio britânico de rock se apresenta amanhã, dia 30 de julho, no Rio de Janeiro; quinta-feira, dia 31, em São Paulo; e dia 2 de agosto no festival Porão do Rock, em Brasília.

A banda que é sucesso no circuito alternativo do país tenta se distanciar das freqüentes comparações com os conterrâneos do Radiohead. Em entrevista exclusiva ao Sub Som, o baterista Dominic Howard não quis responder às perguntas sobre o assunto, mas falou sobre a expectativa em relação ao público sexy nas três cidades brasileiras e contou que o grupo se prepara para lançar um novo álbum em aproximadamente um ano.

O Muse ganhou muitos prêmios de “melhor show” nos últimos anos. Por que vocês acham que essas apresentações fazem tanto sucesso?

Tocar ao vivo é muito importante para nós e é algo que amamos fazer. É a hora em que você pode se perder na música que você faz e ter uma interação direta com as pessoas na platéia – o que é mútuo. Nós tentamos nos esforçar ao máximo nos shows e gostamos de fazer um espetáculo, para que as pessoas possam ver que estamos nos divertindo.

O último álbum do Muse em estúdio foi “Black Holes & Revelations”, de 2006. Depois disso, vocês lançaram o disco ao vivo “HAARP”. Por que vocês decidiram lançar um álbum ao vivo agora e quando vocês pretendem gravar novas canções?

Nós sentimos que o show de Wembley tinha que ser gravado e quando nós o assistimos, nós achamos que tinha que ser lançado, uma vez que se tratava de um destaque da carreira da banda. Nós estamos trabalhando em novas canções agora e pretendemos lançá-lo daqui a mais ou menos um ano.

Vocês sofrem muita pressão de fãs para manterem o mesmo estilo musical que os tornou famosos ou vocês pensam em gravar algo inovador?

Nós não sofremos nenhuma pressão de ninguém sobre o tipo de música que devemos fazer. Tocamos sempre o que nos agrada e o que nos deixa entusiasmados, mas quando vamos gravar um novo álbum, nós sempre temos interesse em explorar áreas da música que nunca fizemos antes.

Quais são as expectativas da banda em relação aos shows no Brasil e ao público dessas apresentações?

Nós estamos muito entusiasmados. Nós queríamos vir há muito tempo. Minha expectativa em relação ao público é que ele seja interessante, inteligente e sexy.  Tenho certeza que vai haver muita energia da platéia, o que vai nos dar ainda mais energia para a apresentação.

ENTREVISTA: Port O’Brien

Posted in entrevista by Bruno Boghossian on 28 julho, 2008

Port O'Brien / Divulgação

Vida de músico iniciante não é fácil. Além de enfrentar dificuldades como a indústria do jabá, os empresários inescrupulosos e as casas de shows infestadas de ratos, muita gente ainda precisa de outros empregos pra pagar as contas. Basta lembrar que Elvis Presley foi motorista de caminhão e Madonna era atendente no Dunkin’ Donuts antes da fama.

Van Pierszalowski, não é nenhum super-astro da música – e certamente nunca vai chegar aos pés de Madonna e Elvis nesse quesito -, mas pode-se dizer que o vocalista e guitarrista da banda americana de indie folk Port O’Brien deu este ano o primeiro passo para deixar de ser só um “músico iniciante”. Pela primeira vez, ele vai perder a temporada de pesca do salmão no Alasca. O artista de 23 anos trabalhava no barco do pai desde criança e aproveitou a experiência para escrever as canções do primeiro disco da banda, “All We Could Do Was Sing”.

As letras de Van são, literalmente, sobre o mar, temas náuticos e sobre ficar preso em um barco. “O ambiente no Alasca é a principal influência das nossas canções. Eu acho, acima de tudo, que o contraste entre a experiência alasquiana e a experiência californiana é a maior influência da banda”, explica o músico em entrevista ao Sub Som. Parece extremamente chato, mas deu muito certo para os músicos que são da Califórnia, mas que certamente soam como se fossem do estado mais frio dos EUA.

O Port O’Brien surgiu em 2005 como um duo de música folk acústica formado por Van e pela namorada Cambria Goodwin. Pouco tempo depois, o grupo foi crescendo e recebeu os esquisitões (como você viu na foto acima) Joshua Barnhart, Ryan Stively e Zebedee Zaitz. Antes do primeiro disco oficial, o grupo (como quase qualquer banda indie) enfrentou as dificuldades de lançar uma compilação gravada de uma maneira um tanto… amadora. “Nós gravamos ‘The Wind and the Swell’ em um só microfone, nos nossos quartos e banheiros”, conta Van

O que fez com que o grupo chamasse alguma atenção no circuito independente foi “I Woke Up Today”, faixa que abre “All We Could Do Was Sing” e que foi trabalhada pela banda desde as primeiras composições. A canção recebeu críticas positivas em sites de música alternativa e abriu caminho para que o Port O’Brien se tornasse mais conhecido.

Ouvir a canção pela primeira vez é ter a certeza de que se trata de um hit do indie pop: os cinco integrantes da banda ficam batucando com panelas e colheres, e cantam em coro (ao estilo de artistas como I’m From Barcelona e The Polyphonic Spree), gritando como se não houvesse amanhã. Recentemente “I Woke Up Today” ganhou um excelente clipe (gravado em um estúdio pornográfico), com o mesmo aspecto lúdico do que se ouvia nas gravações do grupo.

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ENTREVISTA: NRK

Posted in entrevista by Bruno Boghossian on 22 julho, 2008

Eles surgiram bem depois da chegada da onda new rave ao Brasil, mas mostram que a cena eletrônica por aqui anda bem ativa. Já foram New Rave Kids On The Block e agora respondem simplesmente por NRK. O trio paulista formado pelos jovens Raphael Caffarena, Goos e Cello Zero abusa dos sintetizadores e das letras nonsense (alguém lembrou de outra banda paulista que fez sucesso recentemente?) para conquistar público e crítica com um som que eles mesmo classificam como galere-se-divertindo-dançando-igual-louco.

O estilo do grupo é influenciado por variações da música dos anos 1980 (“do punk ao hip hop old school”), além do eletropop atual de artistas consagrados como Go! Team, Junior Senior, CSS e Hot Chip.

A banda que surgiu com o objetivo de “viajar o mundo e beber de graça” trouxe certo reconhecimento para os três músicos, que já tocaram em muitas festas populares de São Paulo e em outras cidades do Brasil, além de terem recebido atenção de sites gringos como Big Stereo e Un Piel de Astracan. O grupo gravou recentemente seu primeiro EP, “Radical”, disponível para download no MySpace e no site do NRK. Como diz a própria banda, “nada de vendas, baixa quem quiser ouvir”.

Em entrevista ao Sub Som, o NRK fala do visual esquisitão do trio (“A gente é fora das fotos o que a gente é naquelas fotos – só que nas fotos com um penteado melhor”) e revela as mentiras da música independente (“Essa história de que as bandas mudam o estilo depois que assinam com gravadoras grandes é uma grande mentira. O que rola é uma invejinha geral quando alguém assina e se dá bem”).

– Aquele objetivo de “viajar o mundo e beber de graça” já foi atingido? Essa motivação continua ou vocês estão mais ambiciosos?

Ainda não bebemos de graça e o mais longe que fomos foi Belo Horizonte, então ainda estamos atrás disso!

– Desde o fim do ano passado, vocês vêm sendo apontados como “uma das bandas pra ficar de olho em 2008”. Agora vocês consideram que já foram vistos ou ainda tem um caminho longo pela frente?

Ainda não dá pra considerar, claro. Estamos tendo uma boa visibilidade considerando o tempo de existência da banda, mas somos como qualquer outra banda na cena independente. Estamos tentando conquistar nosso espaço!

– O NRK recebeu uma certa atenção em blogs internacionais. A que vocês devem esse sucesso que vocês fizeram?

O Brasil está tendo uma atenção especial da mídia internacional, como foi a cena francesa e a australiana uns anos atrás, deve ser isso (risos).

– Por que vocês decidiram cantar em inglês? Essa escolha tem alguma relação com as bandas que influenciam vocês?

Na verdade, nós começamos a cantar em inglês pra todo mundo aqui demorar um pouco mais pra entender o tanto de besteira que a gente falava… Se alguem traduzisse nossa primeira música (“Vivian The Whore Next Door”, que nem tocamos mais nos shows), podia dar a letra pros Raimundos que ninguém ia perceber!

– E de onde vêm a inspiração das letras de vocês? Qual o sentido do verso “a monkey pulled my hair” e do resto da letra de “Flashlite Monkey”?

As letras normalmente são inspirações festeiras e relacionadas a isso, ou seriados, ou qualquer coisa que divirta a gente… Mas “Flashlite Monkey” é meio nonsense. Não tem nem como explicar (risos).

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ENTREVISTA: Mallu Magalhães

Posted in entrevista by Guilherme Sorgine on 8 julho, 2008

Qualquer um que já tenha ido a uma faculdade de jornalismo, ou se interesse pelo tema, possivelmente já ouviu falar em Fait Divers: um fato estranho ao noticiário, que chame a atenção por diferente e cujo sentido se encerre em si mesmo.

Pois bem, Mallu Magalhães é um Fait Divers. Mais do que o acento folk rock das canções, as letras em inglês; mais até mesmo do que as qualidades ou defeitos de suas próprias músicas. É a figura da menina de 16 anos recém completados, de boina e óculos de aro grosso, e que fala e canta que nem adulto que vem chamando uma atenção no mínimo surpreendente da mídia. É, sem dúvida, um fenômeno. O quanto há de real talento em todo esse frenesi, fica por conta de cada um tirar as próprias conclusões. Eu mesmo não estou entre os maiores fãs. Ao que parece, sou minoria: no momento em que esta matéria está sendo escrita, 1.400.350 pessoas já visitaram o MySpace da garota. No momento em que você estiver lendo, provavelmente serão mais. Goste-se ou não, repito, é coisa de gente grande.

O fato é que hoje (e o “hoje” de hoje é hoje mesmo; amanhã pode já não ser mais), poucas coisas na música brasileira são tão comentadas quanto ela. Pois bem, deixemos ela comentar agora. Com vocês, em entrevista exclusiva ao Subsom, Mallu Magalhães.

>> Como você começou a tocar? Com quantos anos? Alguma influência da família?

Minha mãe é paisagista. Meu pai, engenheiro. Papai tocava violão. Sempre de brincadeira. Mas sabe como é. Você é pequeno, calça os sapatos do pai, experimenta o óculos, o violão.

É. Eu experimentei a música. Papai tocava-me “Black Bird” (Beatles) e também “Leãozinho” (Caetano Veloso).

Mas o que vem de dentro é assim: você acha um jeito de ser quem você é. Imitava papai e assim foi: entrei numas aulinhas de violão (já parei…) e fui experimentando novos instrumentos. Aí pronto: corri atrás dos LPs na casa de vovô e nas livrarias, os cds e livros. A música me fez apaixonar por esse mundo fascinante que é… a música!

>> Fale um pouco sobre o começo. A que você atribui a popularidade repentina?

Ah, na verdade um amigo meu me falou: “Por que você não põe no MySpace?”. Aí eu pensei : “É”, pra ver no que dava. Não tinha como imaginar esse sucesso todo.

>> Como você está lidando com a fama? Dá pra manter a rotina normal?

Mudou muita coisa. A escola… conciliar os dois não é fácil. Mas acho que a vida é isso. As coisas mudam e se você tiver um grande sonho, tem de mudar também, mas nunca deixar de ser você. Por exemplo: ando meio sem tempo desde que tudo isso começou, mas sempre há um jeito de arranjar uma deixa para tocar, pintar e fazer a lição de casa. Agora vou gravar meu CD nas férias.

Mallu Magalhães / MySpace da artista

>> Em que série você está? Quando terminar o colégio, pretende entrar na universidade, ou seguir direto a carreira artística?

Estou no primeiro colegial. Antes eu queria ser designer gráfica. Hoje não quero mais. Cada dia eu penso numa coisa. Mas no fundo eu sei que eu já caí na musica e que sair eu não saio mais

>> Por que optar por um selo independente para lançar seu primeiro disco, quando havia grandes gravadoras interessadas? Qual é a sua visão do mercado da música hoje?

Bom, eu na verdade estou aí só fazendo minha parte… cantando.. compondo… o resto a gente deixa com o pessoal mais… experiente! Mas não… nada fechado. Eu acho que a pirataria é um crime, como qualquer outro. É uma realidade. mas também é uma realidade que CD é caro. Eu sei bem, pois eu economizo, gosto de ter o físico e tal. Mas é assim mesmo. Acho que todo mundo perde. Quem vende, pode até ganhar dinheiro. Mas e a honra de ser honesto?

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ENTREVISTA: Mogwai fala do novo cd, do Brasil e manda Bush ao inferno

Posted in álbum, entrevista by Felipe Leal on 4 julho, 2008
Capa de The Hawk is Howling

Capa de The Hawk is Howling

Considerada um das maiores expoentes do post-rock mundial, a banda escocesa Mogwai lançará, no próximo dia 22, “The Hawk Is Howling”, que vem sendo considerado pela imprensa internacional como o álbum mais aguardado do grupo até hoje. Em entrevista exclusiva ao Subsom, o guitarrista Stuart Braithwaite comentou a carreira da banda, o novo disco, as desavenças com a britânica Blur e ainda deu um recado ao presidente republicano George W. Bush, mandando-o ao “inferno”.

Bem humorado, o quinteto escocês deu nomes inusitados às dez músicas do novo disco, a exemplo de “I’m Jim Morrison, I’m Dead”, “The Sun Smells Too Loud” e “I Love You, I’m Going to Blow Up Your School”. Essa última, explica Braithwaite, foi retirada de uma história contada pelo baixista Dominic Aitchison. “Ele nos fez jurar que não contaríamos! Não posso dizer o que é, desculpe”, desconversou

Quanto ao reconhecimento mundial que, entre outros parâmetros pode ser medido nas mais de 14 milhões de audições registradas no site Last.fm, o guitarrista diz que deve muito à internet. “Com certeza a rede facilita muito que pessoas dos mais inimagináveis países confiram sons que elas praticamente não ouviriam”, disse.

Quem se depara com a banda encontra rótulos que vão de space-rock, indie rock e noise rock ao mais comentado post-rock (passando por outras denominações com hífen e outros bichos). Braithwaite confessa não gostar muito do termo, que define como sendo “música de rock simples lenta e instrumental”.

“Para ser sincero, eu ouço uma quantidade enorme de tipos diferentes de música, mas dentro do estilo gosto da Explosions In The Sky (banda do Texas). Minhas bandas de rock instrumental favoritas são Black Dice, Growing e Wooden Ships”, contou, definindo o som do Mogwai somente como rock.

Segundo ele, que cresceu ouvindo Sonic Youth, Pixies, Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine e The Cure, o fato da esmagadora maioria das músicas da banda serem instrumentais não tem nenhuma ligação com estilo ou escolha. “É porque não cantamos bem! Ninguém na banda sabe cantar. Essa é a verdadeira razão, incrivelmente”, explica Stuart.

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ENTREVISTA: The Go! Team

Posted in entrevista by Guilherme Sorgine on 3 julho, 2008

Lembro quando me falaram pela primeira vez, isso deve ter uns 3 ou 4 anos, sobre uma banda que misturava Sonic Youth com Pizzicato Five, coros de cheerleaders e eletropop. Dava pra baixar o álbum todo no site (o que na época não era tão comum), e foi assim que eu fiquei sabendo da existência do The Go! Team, e de seu fabuloso álbum de estréia, “Thunder Lightning Strike”. Na época não tinha New Rave, Justice sampleando crianças ou Radiohead lançando discos online, mas o fato é que desde então, entre idas e vindas, esses nerds britânicos loucos permaneceram mais ou menos constantes na minha playlist, seja com o tal primeiro disco, seja com o mais novo, “Proof of Youth”, tão bom quanto ou até melhor.

Mas eu falava do tempo em que conheci a banda para dizer que, de lá pra cá, o Go! Team (que à época era bem, bem indie) cresceu, e se não se tornou massivo (ao modo, por exemplo, do próprio Justice), ganhou uma proporção bastante razoável, a ponto de vir a ser co-headliner de festival no Brasil.

O guitarrista e cérebro da banda, Ian Parton, conversou com SUBSOM poucos dias antes da tal apresentação, única no país, que aconteceu na semana passada, no Festival Motomix, em São Paulo. Dono de um raciocínio tão caótico quanto o som de sua própria banda, Parton falou sobre o passado, o presente e o futuro de seu grupo, e deixou a porta aberta para um retorno ao país para uma turnê mais ampla. E dessa vez, fica aqui o pedido, que venham ao Rio.

>>  Fale um pouco sobre a gravação de seu último álbum, “Proof of Youth”. Como foi o processo? Quais foram as principais diferenças em relação ao primeiro trabalho?

As circunstâncias eram muito diferentes das da época do “Thunder Lightning Strike” – havia um pouco de pressão, nós já éramos uma banda relativamente conhecida, havíamos sido indicados ao Mercury Prize. Por outro lado, nós tínhamos mais e melhores equipamentos, e eu tinha a ajuda de uma banda que tocava melhor do que eu. Eu tentei manter a mesma abordagem, e continuar fazendo música híbrida.

>> Após o primeiro álbum, vocês se tornaram uma banda mundialmente conhecida, tendo sido inclusive indicados a um prêmio da grande indústria (Mercury Prize). Ainda assim, o segundo trabalho radicalizou na proposta lo-fi. Foi uma opção estética? Vocês realmente gostam desse tipo de som?

Eu não diria que nós somos uma banda exatamente conhecida – somos mais uma banda cult. Eu amo sons lo fi, isso me passa uma idéia positiva sobre as pessoas que estão gravando. Não gosto da idéia de trabalhar com grandes produtores nos maiores estúdios, prefiro gravar na garagem. Coisas feitas em casa são sempre melhores.

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ENTREVISTA: Vampire Weekend

Posted in entrevista by Bruno Boghossian on 1 julho, 2008

Rock + música clássica + ritmos africanos = hits esquisitos*

Fenômenos da era dos blogs, os nova-iorquinos do Vampire Weekend aproveitam o sucesso quase instantâneo na primeira turnê mundial da banda

Christopher Tomson, Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Baio / Divulgação

O conceito de sucesso no mundo da música em 2008 é bem diferente do que era até o início do século. Ter uma discografia extensa, prêmios e discos de platina não são mais os únicos sinais de que uma banda atingiu os patamares da fama. Que o digam os integrantes do Vampire Weekend – banda nova-iorquina que lançou o primeiro álbum há apenas quatro meses, mas que já faz uma turnê mundial com ingressos esgotados, do Canadá à Alemanha.

Na verdade, a fama do grupo começou a se espalhar começou muito antes do disco de estréia. A banda pode ser incluída em um fenômeno conhecido como blog band. A Internet virou uma ferramenta de divulgação tão importante que bastam algumas citações em determinados sites para alçar um artista à fama. Em outubro de 2006, as batidas afro-pop do Vampire Weekend foram tema de uma breve menção no blog “Benn loxo du taccu”, especializado em música africana. No início do ano seguinte, o cultuado site “Stereogum” classificou o quarteto como uma das promessas da música para 2007.

“Eu acho que isso aconteceu porque as nossas músicas estavam disponíveis desde cedo em uma forma quase acabada”, explica, direto de Hamburgo, o tecladista e guitarrista Rostam Batmanglij. “Nós não ficamos surpresos que as pessoas tenham ficado entusiasmadas com uma banda que tinha dez músicas prontas disponíveis na Internet (mas que não deveriam estar)”.

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ENTREVISTA: Eles não são de Barcelona*

Posted in entrevista by Guilherme Sorgine on 28 junho, 2008

Então, essa entrevista com o I’m From Barcelona rolou meio no susto. Curto bastante a banda mas, não me perguntem bem o porquê, a possibilidade de falar com os caras não havia me passado pela cabeça. Enfim, foi ver o show FANTÁSTICO que eles fizeram no Coachella e sair correndo pra catar a assessora e agendar alguma coisa realmente em cima da hora. No final, rolou embarcar depois de uns jornalistas mexicanos, e consegui entrevistar o vocalista, Emanuel, ali mesmo no gramado da tenda de imprensa. Foi bacana. Segue a matéria.

Eles não são de Barcelona
*Matéria originalmente publicada no “RioFanzine”, em 13 de junho

Curiosos, estes novos tempos globalizados. Outrora, quando alguém seria capaz de pensar que da Suécia poderia vir uma das coisas mais legais da Espanha nos últimos tempos? Parece estranho, e de certa forma o é; mas é o caso do I’m from Barcelona, banda da gelada cidade sueca de Jönköping, que reivindica o nome da terra de nosso compatriota Ronaldinho Gaúcho para dar ao mundo uma das mais felizes surpresas do rock alternativo dos dias atuais.

Formado em 2005 pelo vocalista e guitarrista Emanuel Lundgren, o I’m From Barcelona surgiu como um raio no cenário indie e, com pouco mais de dois anos de existência, já começa a conquistar corações e mentes ao redor do globo, levantando como bandeira a quase infalível fórmula do pop sueco, que já deu ao mundo nomes como Cardigans, Wannadies e, mais recentemente, Peter, Bjorn and John: letras prosaicas, guitarras limpas e um senso melódico impar, com canções-chiclete forjadas para perdurar na cabeça.

“Minha maior influência foi uma paixão. Estava perdidamente apaixonado, e comecei a fazer músicas que não se encaixavam em nenhum dos grupos em que já havia estado. Comecei então a chamar alguns colegas para gravá-las comigo, e estes amigos foram chamando mais amigos”, revelou Lundgren, em entrevista ao Rio Fanzine.

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