sub som

O que você esperava dos Strokes?

Posted in álbum, música by Bruno Boghossian on 15 março, 2011

The Strokes The Vaccines
The Strokes, The Vaccines e umas palavras sobre a música

As guitarrinhas da banda inglesa The Vaccines só se fizeram ouvir essa semana porque, há dez anos, os Strokes lançaram um disco mal-ajambrado que moldou a maneira como eu e você ouvimos música hoje. E hoje, no entanto, o mesmo quinteto nova-iorquino que estourou com a ingênua ‘Last nite’ tenta se afastar dos riffs repetitivos e do som sujo que tinha se tornado a marca de um novo gênero ‘rock’ que eles supostamente haviam ajudado a fundar.

Com o tempo, a música muda, o nosso gosto musical muda e o que se chama de mainstream muda. Algumas bandas mudam seus sons e outras continuam baseadas na mesma fórmula – ou porque esse é o estilo delas ou porque querem continuar vendendo produtos e fazendo shows lotados. Qual delas parece mais legítima? Será que, quando se fala de música, nós queremos ouvir sons novos ou só queremos ‘novidades’?

Os Strokes vêm mudando de estilo há dois álbuns – e isso ficou óbvio no último disco da banda, ‘Angles’, que vazou domingo na internet. Eles não se transformaram por coragem, pra apostar num som de vanguarda ou pra vender discos. O novo disco dos Strokes só é do jeito que é porque o vocalista Julian Casablancas mergulhou numa egotrip eletro-oitentista no ano passado, quando resolveu lançar seu primeiro disco solo. É simples assim: uma viagem criativa que tomou conta do cara.

Não é que o ato de mudar tenha sido ruim, mas o resultado foi um erro. Os primeiros versos de ‘Machu Picchu’, a faixa que abre o disco, podem fazer qualquer um querer desistir de ouvir o que vem pela frente. A canção é uma sucessão de arranjos eletrônicos banais, riffs de guitarra repetitivos e um vocal um tanto prepotente, o oposto do estilo angustiado mas despreocupado que fez de ‘Last Nite’ um hit em 2001.

O curioso desse disco é que mesmo as faixas que mantiveram o DNA da banda têm uma pegada muito mais pop, como é o caso de ‘Under the cover of darkness’ (o hit nato do álbum) e ‘Gratisfaction’. O estilo lo-fi do grupo ficou pra trás, com um som mais bem produzido, mas eles mantiveram os mesmos solos simples e as mesmas letras com temas pós-adolescentes.

O que me incomodou de verdade foi que a incursão da banda nos campos do eletropop é superficial ao extremo. ‘Two kinds of happiness’ pode ser confundida com uma faixa ruim do Duran Duran. As repetições propositalmente incômodas de ‘You’re so right’ deram origem a uma ‘Take it or leave it’ piorada. E ‘Taken for a fool’ é mais uma aposta equivocada no estilo-videogame (você acha que o universo seria bom o suficiente para impedir uma faixa que parece ter influências do último disco do MGMT até topar com isso).

É claro que os Strokes não precisam se manter os mesmos para sempre, mas nem toda mudança é bem feita. No caso desse disco, não foi. Sem o currículo que a banda tem, esse álbum daria de cara na porta de qualquer gravadora e não geraria mais que uns 300 hits no MySpace.

Acho que é por isso que às vezes a gente se sente mais confortável ao ouvir uma banda nova que ao ver a transformação de uma banda que a gente já conhece. Nessa onda, o disco que o Vaccines soltou essa semana (‘What did you expect from the Vaccines?’) é uma diversão, apesar de ser um som absolutamente irrelevante. É uma banda que rima ‘F. Scott Fitzgerald’ com ‘Morning Herald’ em um foguete de 1 minuto e 21 segundos que abre seu disco de estreia, a faixa ‘Wreckin’ bar (ra ra ra)’.

Em comparação, o grupo parece esbanjar uma juventude legítima, que os Strokes obviamente não têm mais. São mais despreocupados e mais instintivos, apesar de menos sofisticados. Esse tema é evidente nas letras das estimulantes-porém-simplistas ‘Wetsuit’ (‘If at some point we all succumb / For goodness sake let us be young’ e ‘Put a wetsuit on / Grow your hair out long / Put a t-shirt on / Do me wrong, do me wrong, do me wrong’) e ‘Family friend’ (‘You wanna get young but you’re just getting older / And you had a fun summer but it’s suddenly colder’).

Mais um ponto a favor dos Vaccines é que eles bebem de fontes menos arriscadas que a música eletrônica dos anos 1980. Apesar de fazerem referências a Ramones em ‘Norgaard’, a sonoridade da banda está fincada no gênero desnecessariamente batizado de pós-britpop, que tinha como referência bandas como The Hives, The Vines e até os americanos Strokes. Nessa área, ‘What did you expect from the Vaccines?’ tem ecos de Kaiser Chiefs (em ‘If you wanna’) e Glasvegas (em ‘Under your thumb’).

Ouvir The Vaccines ajuda a entender The Strokes hoje. Mais que uma série de referências e um oceano que separam as duas bandas, dá pra entender que o que afasta os nova-iorquinos do som original é a maturidade – e ficou claro que o som de uma banda moderninha como os Strokes não resiste inabalado a uma década inteira.

The Strokes | ‘Angles’ | 1.0 / 5
The Vaccines | ‘What did you expect from the Vaccines?’ | 2.5 / 5

Anúncios

ctrl+c ctrl+v

Posted in música, videoclipe by Bruno Boghossian on 17 setembro, 2010

A popularização do mashup em meados dos anos 2000 pode ter ofuscado o remix e ter deixado de lado quem usava sample de um ou dois hits para compor faixas inéditas, mas os artistas do copia-e-cola ainda mostram que podem ser muito criativos e que têm música boa pra oferecer.

Descobri outro dia essa dupla batizada de Chiddy Bang – dois caras de 19 anos da Filadélfia que resolveram fazer um pouco de hip hop misturado com aqueles chicletes do eletropop que você não aguenta mais escutar em festa nenhuma. Acredite: eles conseguiram ressuscitar essas faixas e criaram um som bem divertido.

Chiddy Bang – ‘Truth’ (sample de ‘Better things’ – Passion Pit)

Chiddy Bang – ‘The opposite of adults’ (sample de ‘Kids’ – MGMT)

A primeira faixa tem um clipe sensacional e abusa dos tons eletrônicos para dar uma cor nova à grudenta ‘Better thing’, do Passion Pit. A segunda também tem um clipe bom de se ver e um rap nada hermético, que você até pode apresentar pros seus pais, se quiser.

Aproveita. E pra ler mais algumas barbaridades infundadas sobre o tema e ouvir um pouco de música boa, clica aqui embaixo.

(more…)

Menos é mais

Posted in música by Bruno Boghossian on 12 julho, 2010

Se, apesar do trailer bonitinho, não sabemos exatamente o que esperar de ‘Somewhere’, novo filme da diretora Sofia Coppola, pelo menos o vídeo serviu para ressuscitar uma das últimas boas gravações de uma banda americana chamada Strokes, que fez sucesso na primeira metade da década ’00 – lembram?

Depois de ouvir no clipe um trecho da melodiosa ‘I’ll try anything once’, apenas com Nick Valensi ao piano e Julian Casablancas sussurrando a letra, fica a questão: como é que a banda conseguiu cair no ostracismo depois de um início avassalador?

A canção é uma versão demo suja (mas extremamente delicada) da faixa que seria lançada no pavoroso ‘First impressions of earth’ (2006) com o nome de ‘You only live once’ – um misto de riffs elementares e versos constrangedores que refletem a má qualidade do restante do álbum.

Desde então, os integrantes do grupo partiram em carreiras solo e esqueceram os Strokes – inclusive o vocalista Julian Casablancas, que embarcou numa onda eletropop inexplicavelmente bizarra. O quarto álbum da banda, que começou a ser composto em 2009, anda aos trancos e agora é prometido para março de 2011.

Difícil saber se o som do quinteto será o mesmo que o fez famoso ou se a virada que tomou depois do terceiro disco é permanente. Deixo uma dica: muitas vezes, menos é mais.

Efeito Justice?

Posted in música, videoclipe by Bruno Boghossian on 11 julho, 2010

O clipe colorido, a batida eletrônica descolada e o vocal afetado devem ser o empurrão que faltava para dar o sucesso merecido ao DJ francês Thibaut Berland, que assina suas músicas como Breakbot. O produtor é mais um exemplar da vertente moderninha da música eletrônica da França, cujo expoente é a dupla Justice.

O som do Breakbot lembra o de seus antecessores e o vídeo da ótima ‘Baby I’m yours’ também tem elementos gráficos semelhantes ao clipe de ‘D.A.N.C.E.’, hit que pôs definitivamente o Justice no mapa da música pop. Some-se um contrato com a também francesa Ed Banger Records (a mesma do Justice, claro) e alguma referência aos vocais dos suecos do Miike Snow e chegamos a uma provável máquina de hits eletropop.

(Dica da @annavirginia)

Rotciv: Realize the Revelation

Posted in música by Gabriel Paiva on 23 outubro, 2008
Front

Front

Depois do sucesso do primeiro EP “Pérsia” (bestseller do site Juno e tocado aos montes nas festas mais tradicionais de disco house do Brasil),foi lançado na última segunda feira, 20/10, o EP Realize the Revelation: segundo release do selo digital Mister Mistery, conta com influências do deep, acid, funky e hip-house, proto-techno, detroit, 80tismos e 90tismos, além de uma pitada de EuroDisco, Synthpop e Electro, tudo com um ar bem Retro. Não há samples de músicas previamente lançadas por ninguém, é um trabalho totalmente original produzido por Rotciv.

A arte da capa foi feita pelo artista Cleber “Kureb”, responsável pela festa NOIZE de Juiz de Fora – MG, cuja próxima edição será neste sábado, 25/10.

E aguardem o próximo release marcado para daqui a duas semanas, “Secrets on Your Mind”, este sim dedicando inteiramente ao italo-disco e suas melodias e vocais marcantes. Um retorno total ao clima dos mid-80s, Não se trata de Re-edit, cover ou remix. Totalmente escrito, arranjado e produzido por Rotciv, desde as batidas e synths aos stabs nostálgicos e lyrics ultra-sentimentais.

Mister Mistery é um novo selo digital de música eletrônica, no qual tendências das pistas do passado e do presente se misturam num caldeirão sonoro.
No projeto, entram referências de estilos dos anos 1970, 80 e 90, como Disco, Electro, New Wave, Breaks, Minimalismo, além dos subgêneros Italo Disco, Acid House, Space Rock e Synth Pop , etc. O resultado é híbrido, atemporal. “O futuro está no passado e no resgate de sonoridades misteriosas esquecidas. É um selo descompromissado, no qual inovar não é uma obrigação e sim uma conseqüência da música”, diz o idealizador.

Back

Back

Victor A. tem 29 anos, toca desde os 17, e é figura conhecida dos clubes e festas pelo Brasil. Paulistano, mudou-se para Florianópolis há três anos, onde montou seu Home-Studio profissional. É lá que o DJ e produtor cria suas músicas, remixes e re-edits, executadas por DJs como Marcio Vermelho, Luiz Pareto, Marcos Morcerf, Mondino, Pedro Zopelar, Pejota, Hubert, Benjamin Ferreira, Leiloca Pantoja, Johnny Luxo, Paulo Tessuto, Davis, Maltchique,  Ícaro Matias, de Recife, e JotaJota (MG), Bogus (Cwt) , Serge, Morello e Cau Lopez (RJ), dentre muitos outros…

http://www.myspace.com/mistermistery
http://www.myspace.com/rotciv1978

Colaborou: DJ Pedro Zopelar

Bob Dylan: Tell Tale Signs – The Bootleg Series Vol. 8

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 10 outubro, 2008

O mestre Bob Dylan disponibilizou gratuitamente na rede  seu “novo” álbum, “Tell Tale Signs”, o oitavo da série “The Bootleg Series”. O álbum conta com 27 canções não lançadas, raras e algumas inéditas. Clássicos como “Time Out Of Mind”, “Love And Theft”, “Modern Times” e “Oh Mercy” também estão presentes no álbum duplo. O lançamento foi em grande estilo, no último dia 07: além de CD duplo, os fãs também puderam (e continuarão podendo) escolher uma edição com quatro vinis. Ótimo para os fãs da vitrola.

Você pode escutar o álbum por inteiro direto do site da National Public Radio. Divirta-se.

Pedro Zopelar: High Tech, Low Life

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 8 outubro, 2008

Iniciando a carreira de DJ, o mineiro radicado no Rio de Janeiro Pedro Zopelar tem todo o prazer em lançar seu primeiro set, “High Tech, Low Life”, aqui no sub som. Além de compositor, arranjador, multiinstrumentista e produtor (produziu duas demos, “Mine for the Lune” e “Funeral Love”, ambas no Myspace do cara), já tocou com grandes nomes da música instrumental brasileira: Itiberê Zwarg (Hermeto Pascoal), Neném Batera (Toninho Horta), Kiko Continentino (Milton Nascimento), Paulo Sá, Silvio Gomes, Beto Guedes, entre muitos outros. Além disso, já foi metaleiro (de cabelão e tudo), estudou contraponto na faculdade e tem uma formação erudita (altamente perceptível em “Mine for the Lune”).

O set “High Tech, Low Life” tem fortes influências de vertentes antigas da e-music, como ítalo disco, e basicamente vertentes diferentes da disco music, como nu disco, space disco, re-edits, etc. Dá pra perceber um pouco de Alexander Robotnick, Greg Wilson, Burnski e N.O.I.A. A arte fica por conta do cartunista Camilo, editor da revista de humor Jararaca Alegre. Muito bom.

Companheiro de vários nomes da cena underground, Pedro bate ponto no Dama de Ferro, o único club true que restou no RJ. “Pode até fumar!”, costuma dizer. Adora as festas “Polenta” (Dama de ferro), Noize (Juiz de fora), freak-chic (D-edge), Caviar (Vegas) e os djs Serge, Jota, Kureb, Márcio Vermelho, Pejota e Marcos Morcef. É também um exímio discípulo de Estamira e já a visitou em formato invísivel, transparente, diversas vezes.

Você pode baixar o set aqui. E comentar o que achou :)

Madonna bane Sarah Palin de sua turnê

Posted in música, show by Bruno Boghossian on 7 outubro, 2008

Não sabe brincar, não desce pro play. A popstar americana Madonna deixou bem claro que não quer dançar com a candidata à vice-presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin. De acordo com o site britânico Contactmusic, a cantora disse em um show em Nova Jersey que não queria que a governadora do Alasca fosse às apresentações dela.

“Sarah Palin não pode vir à minha festa. Sarah Palin não pode vir ao meu show. Não é nada pessoal”.

Mas o comentário político ganhou um tom de ataque pessoal quando a artista disse: “Esse é o barulho que o snowmobile do marido de Sarah Palin faz quando não quer ligar” e, em seguida, fez um som agudo, como se estivesse guinchando. Cada um interpreta como quiser…

Com o comentário de Madonna, Palin se junta ao companheiro de chapa, John McCain, no rol de comedores de criancinhas criticados pela artista em sua turnê Sticky And Sweet. Durante as apresentações, imagens do candidato do partido Republicano aparecem em um vídeo que mostra crianças desnutridas e a destruição global.

Será que a cantora vai guardar comentários políticos sagazes para algum de seus cinco shows no Brasil, em dezembro?

* Estamos sabendo que a foto do post não é da Sarah Palin.

Coquetel Molotov – 2º dia

Posted in música by Felipe Leal on 6 outubro, 2008

Tarcio Fonseca relata a comoção Mallu Magalhães, o experimentalismo de Akin e o simpático Peter, Bjorn & Jonh, além de comentar o sabor da pizza do Teatro da UFPE. As fotos são de Caroline Bittencourt. Você confere a cobertura do 1º dia aqui.

O segundo dia do festival No Ar: Coquetel Molotov não teve a mesma comoção do primeiro, mas isso já era algo esperado. Na escalação do sábado não houve nenhum artista já consagrado em terras brasileiras para atrair um grande público específico. A que chegou mais perto disso foi Mallu Magalhães, que fez com que o Teatro da UFPE recebesse um público de faixa etária abaixo do que o festival normalmente recebe. Dava pra encontrar meninos e meninas de 13 ou 14 anos na frente do palco durante o show da pequena revelação do “folk brasileiro” (?!?).

Como já virou costume, a Sala Cine PE apresentou shows bem legais e novas propostas que fogem do lugar comum da música atual. Numa comparação direta entre os dois espaços do festival, a Sala Cine PE consegue, quase sempre, sair com mais pontos nos quesitos qualidade e criatividade.

Abrindo os shows da noite, com um atraso de quase duas horas do horário marcado, tivemos a Pocilga Deluxe. A banda é o novo projeto de André Balaio, (ex)vocalista do Paulo Francis Vai Pro o Céu, icônico grupo pernambucano que ganhou destaque no Recife (e Brasil) durante os anos 90, chegando até a receber um prêmio no VMB 98. Assim como o Paulo Francis VPC, a Pocilga também segue uma linha irônica e sarcástica nas letras e postura. A banda faz um rock com boas doses de pop e vinho francês barato para pagar de parisiense arrogante. Mas tudo com muito bom humor e segurança na parte musical. Boa banda, bom show.

Após Paris sair de cena, surgem os super-heróis. Zeca Viana & Onomatopéia Bum criaram um clima lúdico casando som e imagem para apresentar seu trabalho. Zeca (que toca bateria na Volver) e as irmãs Sofia e Maíra Egito entraram no palco fantasiados como heróis e recriaram todo o clima mágico da música dos anos 60 tendo Beatles e Arnaldo Baptista como claras influências. Todas as músicas eram, basicamente, composições de teclado e voz envoltas numa aura infantil. As projeções de vídeo com desenhos, mímica e pinturas reforçavam esse lado. É bom destacar que o Zeca tem uma ótima voz, e as irmãs Egito nos backing vocals também cumprem um bom papel. Participou também do show Domingos Sávio, da banda Monodecks, que tocou guitarra e flauta e somou ainda mais a mistura certa que Zeca inventou dessa vez.

(more…)

Curiosidade do dia: Cause Co-Motion!

Posted in música by Bruno Boghossian on 2 outubro, 2008

Essa não é uma nova coluna diária do Sub Som. É só uma desculpa para apresntar o Cause Co-Motion!, banda de noise pop com um pezão no punk, baseada em Brooklyn, Nova York. À primeira ouvida, o vocalista Arno soa como o consagrado Joey Ramone e a própria melodia das canções lembra os músicos que estão entre os importantes do punk rock.

O estilo mais pop apresentado pelo Cause Co-Motion!, com guitarras sujas e um som caótico, não é novidade – já foi ressuscitado por bandas como a australiana Jet, por exemplo, em algumas canções gravadas lá pelos idos de 2004.

O quartero americano lançou alguns singles em várias gravadoras e, agora, fez uma compilação de 14 delas, chamada “It’s Time!”. São faixas curtinhas, quase todas com menos de dois minutos de duração. Você pode ouvir duas delas aqui embaixo ou no MySpace da banda.

Ouça “Who’s Gonna Care?”

Ouça “Baby Don’t Do It”

Lykke Li & Bon Iver: Dance Dance Dance

Posted in música, videoclipe by Gabriel Paiva on 1 outubro, 2008

Se você não conhece, deveria: Lykke Li, cantora sueca que teve seu debut esse ano com o disco “Youth Novels”, está arrasando lá fora, aqui dentro e até no Japão. 22 anos, dona da voz mais doce dos últimos tempos, gravou com Bon Iver numa praça em Los Angeles a música “Dance Dance Dance”, presente no álbum da garota.

O Bon Iver, projeto solo do ex-membro do DeYarmond Edison, Justin Vernon (o cara que provou que nem todo mundo com uma acoustic guitar sozinho faz o mesmo som), empresta alguns sussurros e o instrumental pra suequinha soltar a voz e dançar dançar dançar.

O debut do Bon Iver, também deste ano, “For Emma, Forever Ago”, arrebentou na crítica especializada. “This record is so complete, it’s like a skin that has been shed… it is a powerful act of transformation… isolation doesn’t get more splendid than this”, saiu na página 100 da Mojo, na época de seu lançamento, em fevereiro.

Aproveite e assista o vídeo, ficou uma graça:

Lançamentos de Outubro!

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 30 setembro, 2008

Em 6 Outubro, será lançado o novo álbum do Oasis, “Dig Out Your Soul”. O novo álbum dos inglesinhos chatos já teve um single lançado, “The Shock of The Lightning”, e sai pela Big Brother Records, selo da própria banda.

Também tem os novos trabalhos do Deerhoof, Sarah McLachlan, ao vivo do Police, Michelle Williams, Los Campesinos!, Kaiser Chiefs, Queen + Paul Rodgers, Sixpence None The Richer (saquinho, né?), AC/DC (mais uma banda anciã retornando, ROCK’N’ROLL), Ludacris, Matisyahu (Shattered, um EP), Ludacris, Bloc Party (o Intimacy já teve seu lançamento online em 21 de Agosto), Deerhunter, Pink e Snow Patrol.

Quanto a mim, espero com ansiedade pelos novos do Of Montréal, Keane (sim, eu gosto) e, pasmem, The Cure!

Da série “garotas suecas”

Posted in música by Bruno Boghossian on 27 setembro, 2008

First Aid Kit / Divulgação / Josefin Klåvus

Ok, a expressão “garotas suecas” não viria acompanhada dessa foto nos dicionários da maior parte dos nossos leitores. Mas as duas irmãs “fofas” do First Aid Kit, que moram no subúrbio de Estocolmo, estão fazendo um pequeno sucesso entre os fãs de folk music e twee pop na Internet.

Klara e Johanna Söderberg começaram a chamar a atenção de um número maior de pessoas depois que divulgaram no YouTube uma cover de “Tiger Mountain Peasant Song”, dos americanos do Fleet Foxes. O vídeo, gravado em um bosque, emocionou gente de todo o mundo e tornou conhecidas as vozes doces das duas cantoras. Até o Fleet Foxes gostou da homenagem e disponibilizou a gravação em sua página no MySpace.

As história musical das duas meninas de 15 e 17 anos têm um quê de Mallu Magalhães. Klara e Johanna eram adolescentes normais até que decidiram trocar Britney Spears e Christina Aguilera por Bright Eyes, Leonard Cohen e Bob Dylan. Elas ganharam instrumentos musicais e começaram a compôr. Em abril desse ano, lançaram o EP “Drunken Trees” pela gravadora sueca Rabid Records – a mesma dos conterrâneos do The Knife.

Quatro canções do First Aid Kit – inclusive uma versão gravada em estúdio de “Tiger Mountain Peasant Song” – podem ser ouvidas no MySpace da banda.

Festival Coquetel Motolov – 1º dia

Posted in música by Felipe Leal on 25 setembro, 2008

(Por Tarcio Fonseca, do Recife)

Camelo e Hurtmold na UFPE. Fotos: Caroline Bittencourt/G1

Se existe um festival meio difícil de definir, este é o No Ar: Coquetel Molotov. Principalmente o deste ano. Senão vejamos, em sua programação ele aposta em nomes pouco conhecidos da Suécia, coloca no mesmo palco uma banda de brega e, na sequência, um artista dominando sozinho o palco com um violino e pedais de guitarra, e ainda consegue agradar uma geração ligada na MTV e os que curtem rock progressivo e experimentalismos. E o mais legal é ver que a maioria está ali aberta para conhecer coisas novas. Acredito que, de todas as conquistas que Ana Garcia, Tathianna Nunes e Jarmeson de Lima já tiveram com o festival, criar esta mentalidade no público recifense foi o principal.

O festival deste ano conseguiu, pela primeira vez, esgotar seus ingressos antecipadamente. Dois dias antes da data, as entradas para os shows da sexta-feira, que contariam com Marcelo Camelo fechando a noite e estreando sua carreira solo, já não eram mais encontradas em qualquer ponto de venda. Para quem já acompanha o Molotov há quatro anos, foi bem estranho encontrar pessoas no dia do show dispostas a pagar duas ou até três vezes o valor normal do ingresso.

Mas vamos agora aos shows. Abrindo a sexta-feira na sala Cine UFPE, o público pôde conferir o Burro Morto, banda da Paraíba que faz um rock progressivo com percussão e uma aura que logo remete aos anos 70. Até no visual os caras parecem que foram tirados diretamente daquela época. Diferente dos últimos anos, mesmo na primeira apresentação a sala já estava razoavelmente cheia para conferir o ótimo show que os paraibanos fizeram.

Na sequência sobe ao palco A Banda do Joseph Tourton. Abro um parêntese pra dizer que fui uma das pessoas que pediu para que o Coquetel Molotov desse uma chance pros meninos. E quando falo meninos, são meninos mesmo. A banda aparenta ter uma média entre 18 e 20 anos, e parece que trouxe um ônibus lotado de colegas do colégio, cursinho ou do primeiro período da faculdade pra assistir ao show. Olhando ao redor, nunca tinha visto gente tão nova acompanhando o festival. No palco, os caras fazem um post rock bem influenciado por Tortoise, Explosions in the Sky e Hurtmold, só que num estágio ainda verde. A qualidade está lá, só falta agora amadurecê-la, mas eles ainda têm tempo de sobra pra isso.

(more…)

TV On The Radio: Dear Science

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 22 setembro, 2008

Já foi lançado o novo álbum do TV On The Radio: Dear Science. Ainda não escutei, mas só pode ser bacana – pelo menos é isso que o primeiro single, Golden Age, indica. Por enquanto, se você não tiver paciência de esperar por alguma coisa vinda aqui do sub som, pode visitar o Myspace dos caras e o canal  do YouTube. Vou deixar a resenha dessa obra que promete pro Guilherme, fã número 1 do TVOTR. Ah, e aproveite para ler também a resenha que Chris Dalen fez para o Pitchfork. 9.2 é pra poucos no site dos críticos mais pseudo-iconoclastas da web :)

Weezer prepara novo álbum

Posted in música by Guilherme Sorgine on 19 setembro, 2008

Nerds do mundo, celebrai. O Weezer anunciou hoje que já se prepara para as gravações do sucessor do mediano “Red Album”, que devem começar em novembro.

O novo álbum deve ser produzido por Garret Lee, que trabalhou com a banda em algumas faixas de seu último disco.

Segundo declarou o baterista Pat Wilson ao “New Musical Express”, o novo disco será gravado na Califórnia, e a banda já começou a enviar algumas idéias de músicas para Lee.

Segundo ele, a banda deve repetir a dinâmica do último álbum, com todos os integrantes contribuindo com composições e vocais.

“É um jeito saudável de manter as coisas frescas depois de 15 anos juntos”, disse ele, revelando ainda que o novo trabalho pode novamente ser intitulado com uma cor.

“O título do novo álbum pode novamente ser uma cor. Se dependesse só de mim, nós só usaríamos cores daqui para frente, assim não teríamos que pensar em títulos. Nós pensamos em centenas de títulos para o ‘Red Album’, mas nenhum agradou, até que nós finalmente desistimos e dissemos ‘ok, vamos escolher uma cor”.

Tagged with: , ,

007 – Quantum of Solace: Alicia Keys feat. Jack White

Posted in música by Gabriel Paiva on 19 setembro, 2008

Chegando no Brasil dia 07 de Novembro, o novo filme do 007, Quantum of Solace, teve seu trailer oficial lançado. E é demais. Aliás, Daniel Craig no papel de Bond é demais. Casino Royale foi sem dúvida um dos melhores Bonds de todos os tempos. Sim, melhor que muitos estrelados por Sean Connery. Melhor que todos estrelados por Pierce Brosnan. E Quantum of Solace promete:

“I think someone wants to kill you. BANG”

A trilha bondiana ficou, dessa vez, por conta de Jack White & Alicia Keys, combinação, no mínimo, inusitada, mas que tem, sim, traços de uma verdadeira “trilha de 007”. Talvez eu esteja forçando a barra… mas tire suas próprias conclusões, em primeiríssima mão. (Não é vírus, relaxa).

O resultado não é de todo ruim. O início, pelo menos, tem muito de White Stripes. Claro que, se a trilha ficasse por conta da diva trash Amy Winehouse, como diziam os boatos, as coisas provavelmente seriam melhores. Alicia Keys está muito longe de ter o cacife de Chris Cornell (Casino Royale), Tina Turner (Goldeneye) ou Sheryl Crow (Tomorrow Never Dies, talvez a melhor de todas). Mas nada pode ser pior que o clipe pra lá de cafona de Die Another Day, uma das piores músicas do século, da diva pop, atriz e escritora Madonna.

Além de diva, sou escritora e pseudo-bond-girl, meu bem! HAAAAAA!

O (não) show do ano???

Posted in música by Guilherme Sorgine on 18 setembro, 2008

A Wired publicou um artigo legal sobre o show da banda em cuja cabeça o Brasil acaba de cagar sobre.

 

 

Abro aspas para o quinto parágrafo: “For the band’s current Lights in the Sky Tour,  Reznor has not only raised the bar for what’s possible in an arena tour, but has also produced what could arguably be one of the most technologically ambitious rock productions ever conceived“.

Pois é. A Venezuela vai ver.

Fã do Metallica faz a barba após dois anos de espera por novo álbum

Posted in música by Guilherme Sorgine on 18 setembro, 2008

Parece que um fã maluco ficou dois anos sem raspar a barba até que o Metallica, sua banda favorita, lançasse um novo álbum. Imagina se curtisse Guns…

Ao ficar sabendo da história, o líder do Metallica, James Hatfield, aceitou fazer a barba do admirador durante a festa de lançamento do novo disco da banda, “Death Magnetic”. How gay is that?

Agora melhor foi o Sun, que fez um slide show com a TRAJETÓRIA DA BARBA. Ah, esses tablóides ingleses…

 

 Freeeeak (antes da barba, claro)

OUVIMOS: Calexico – Carried to Dust

Posted in álbum, música by Gabriel Paiva on 17 setembro, 2008

Calexico – “Carried to Dust”
Nota: 5 / 5

Depois de lançado e ouvido à exaustão, Carried To Dust, o novo álbum do Calexico, felizmente surpreendeu muita gente. Depois do ótimo-mas-subestimado Garden Ruin, as previsões da crítica especializada foram, obviamente, apocalípticas. Carried To Dust reúne todas as qualidades do duo tucsoniano, em todas as suas sutis metamorfoses. Sentimental, confortável de se ouvir, até minha vó gosta.

“Victor Jara’s Hands”, faixa que abre o disco, é um tributo ao poeta, músico e ativista político chileno que foi assassinado em 1973. Abre o disco com classe, repleta de trompetes mariachis e riffs estilizados. O mais bacana é a participação, em espanhol, de Jairo Zavala, da banda (espanhola) Depedro, que manda um belíssimo “Me siento solo y perdido/Una vela alumbra mi camino/Cruzando tierras que nunca he visto/Cruzando el rio de mi destino/Solo soy un chico mas/Que sueña en alto y mirando al mar”.

O pop pensativo, cheio de sussurros, que a banda entregou com Garden Ruin, está fortemente presente em Carried to Dust, porém com uma diferença: até os momentos mais quietos do álbum são vívidos, ao contrário do anterior, que demorava um bocado até deixar seu charme ressoar aos nossos ouvidos. “House of Valparaiso”, com participação de Sam Beam, do Iron & Wine, “Writer’s Minor Holiday” e “Slowness” são as faixas que mais se aproximam do álbum anterior, sendo que essa última se aproxima muito de um dueto country (!!), daqueles bem bregas, de vilarejos de beira de estrada do Arizona. Lindo.

Talvez um dos momentos mais surpreendentes do álbum seja “Two Silver Trees”, a segunda faixa: mescla, com sutileza, elementos latinos e asiáticos. Calexico é assim: combina o guizeng chinês, o cuatro venezuelano e o Omnichord da Suzuki na mesma música de forma totalmente natural.

Carried to Dust ainda tem momentos subtos de nova inspiração, como “Bend in the Road”, que é um southwestern jazz de primeira e “Contention City”, que conta com a participação de Doug McCombs, do Tortoise. Contention City é linda, mescla de “piano de brinquedo” com elementos eletrônicos, trazendo um grand finale cheio de glamour, transformando Carried to Dust no álbum mais equilibrado, maduro e dramático da banda, e um dos melhores do ano.