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ENTREVISTA: Cansei de Ser Sexy

Posted in álbum, entrevista by Felipe Leal on 1 agosto, 2008

O que começou como um projeto “despretensioso” se tornou algo inacreditavelmente grande. Saído de São Paulo, o Cansei de Ser Sexy ganhou imensa projeção na mídia internacional e hoje integra grandes festivais em países como Espanha, Inglaterra e Estados Unidos, onde está baseado. Apesar das saudades, a banda está com a agenda lotada e adianta que só toca no Brasil este ano no caso de uma “proposta inacreditável”, mostrando que o multiinstrumentista e produtor Adriano Cintra e suas companheiras de banda estão muito bem, obrigado.

Em entrevista por telefone ao Subsom, a guitarrista e baterista Luiza Sá contou os detalhes da gravação do segundo álbum da banda, “Donkey”, falou um pouco da trajetória do CSS e aproveitou para dizer que Johnny Lydon, ex-vocalista do lendário grupo Sex Pistols, é um “idiota”. Indo na carona do Radiohead, a banda paulistana disponibiliza gratuitamente e na íntegra seu segundo trabalho no site do selo Trama. Aos interessados, a gravadora manterá o disco no ar pelos próximos três meses.

Como foram as gravações do novo álbum?

Quando entramos no estúdio já tínhamos escrito todas as coisas, aí foi mais gravar mesmo. O primeiro disco foi feito no fundo da casa do Adri (Adriano Cintra, baterista, guitarrista, baixista e produtor da banda) e da Carol (Carolina Parra, guitarrista e uma das bateristas), numa salinha, uma espécie de vinícola, e no “Donkey” tivemos a oportunidade de usar o estúdio da Trama, que é incrível. Ninguém encheu nosso saco pra nada, a gente fez tudo de forma organizada. Para mim foi um aprendizado, porque usei um monte de instrumento que nunca tinha usado, guitarra diferente, amplificadores diferentes, e tudo num processo com uma vibração boa. Fizemos as coisas do nosso jeito e ninguém ficou em cima.

Quais as principais diferenças entre o Donkey e o primeiro CD de vocês?

O primeiro disco foi metade feito no computador e metade em estúdio, foi meio feito como demo mesmo e a gente nunca esperava fazer tantas tours com ele. Nesse segundo, estivemos preocupados em ser o mais próximo possível do que somos ao vivo, do que a gente é como banda e a gente se tornou mais banda depois que começamos fazer tours. O Adriano produziu tudo e a mixagem é do Spike Stente, que já trabalhou com o Massive Attack, Madonna, Gwen Stefani e Björk.

Pelas faixas do disco, dá para ver que vocês amadureceram. Está mais bem produzido, as guitarras ganharam mais peso…

Passamos por muita coisa e não teve nem como a gente não amadurecer. Falo que esse disco é mais pessoal e mais sério que o primeiro disco, que era completamente despretensioso.

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Pitchfork e Black Kids: “perdão pelo hype”?

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 23 julho, 2008

Quem costuma ler artigos sobre música na Internet já deve ter se deparado uma centena de vezes com a palavra hype – termo derivado da palavra hyperbole que é usado pra identificar a exposição exagerada de determinados artistas. Sites que buscam “descobrir” novas bandas mergulham com freqüência nos acertos e nos erros do hype: conseguem indicar grupos promissores antes de todos os outros, mas, por vezes, supervalorizam exemplos medíocres.

Agora, um dos sites de música alternativa mais respeitados do mundo parece ter mordido a própria língua por ter exagerado em seus comentários sobre uma das bandas nascidas e promovidas na geração da Internet. O cultuado Pitchfork – que em novembro deu nota 8.4 e publicou uma crítica elogiosa ao EP “Wizard of Ahhhs”, da banda americana Black Kids – exibiu apenas um pedido de desculpas na resenha do álbum de estréia da banda, “Partie Traumatic”.

Uma reportagem da National Public Radio americana conta que, na manhã do dia 22 de julho, a página principal do Pitchfork apresentava um link para a resenha com o texto “Todo mundo comete erros”. A nota dada ao disco era 0.0 (a mais baixa, claro, na escala do site que vai até 10.0), e a crítica não era nada além de uma foto de dois cachorros e um texto que dizia “sorry :-/”.

Algumas horas depois, a nota dada pelo editor do site Scott Plagenhoef mudou para 3.3 e o link passou a conter o texto “Depois de um EP bem recebido, os Black Kids de Jacksonville lançam um álbum de estréia produzido por Bernard Butler que, surpreendentemente, chegou ao top 5 das paradas britânicas”, mas a foto continuou a mesma.

Apesar dos indícios, até agora não se sabe ao certo se o “sorry” do Pitchfork é um “sinto muito” pelo desempenho fraco dos Black Kids na gravação do primeiro álbum depois de um ótimo EP ou se é um pedido de desculpas aos leitores pela supervalorização que o site fez da banda antes que ela tivesse provado sua qualidade.

Em tempos de divulgação rápida proporcionada por ferramentas como MySpace e Torrent, por mais que de vez em quando surjam Arctic Monkeys e Vampire Weekends da vida, vale nesses casos um pouco de prudência pra poupar decepções futuras e, principalmente, a imagem dos pobres cachorrinhos.

A poesia do Black Kids

Posted in música by Bruno Boghossian on 20 julho, 2008

Desejos irreprimíveis, histórias de traição e referências sexuais ambíguas não são temas incomuns na música pop dos anos 1980. Mas nenhuma dessas letras têm um humor tão cru e cretino quanto nas canções indie pop de “Partie Traumatic”, disco de estréia da banda americana Black Kids.

Na nossa resenha do álbum, lançado no dia 7 de julho no Reino Unido e que sai nesta terça-feira nos EUA, ficamos devendo alguns comentários sobre a poesia escrita pelo quinteto. Um dos melhores exemplos são os primeiros versos de “Love Me Already”. O vocalista Reggie Youngblood abre a canção cantando “minha namorada tem sido uma puta” por passar tempo demais com o melhor amigo dele.

My girl’s been a real whore
Spending her time with Theodore
Now Teddy he’s my best friend but
With friends like these who needs enemies?

É claro que depois de estranhar a presença da namorada no apartamento do melhor amigo até tarde da noite, ele descobre que ela só estava organizando uma festa de aniversário surpresa. “Surprise, surprise, it’s your party baby”.

Quem já ouviu o disco deve ter percebido que esse humor perde um pouco do sarcasmo e fica um pouco mais sujo em outras faixas. Em “I’ve Underestimated My Charm (Again)”, o eu-lírico (que tem “angústia nas calças”) conversa com a mulher que virou sensação na Internet depois de ser flagrada fazendo sexo oral (eufemismo) em uma estátua.

And you, you’re not doing too well.
All the blogs are about you, girl.
They caught you in the park after dark
giving head to a statue, girl.

Já o hit “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You” traz um exemplo – mas não o único – de ambivalência sexual logo nos primeiros versos. O vocalista canta: “você é a garota com quem eu tenho sonhado desde que eu era uma garotinha”.

You are the girl that I’ve been dreaming of
Ever since I was a little girl

O humor de Youngblood e companhia beira o pastelão em “Listen To Your Body Tonight”, uma ode perdição carnal em que Reggie pede a homens e mulheres que se entreguem aos seus desejos. Depois de um dos refrões, a co-vocalista Dawn Watley tem uma conversa franca com o próprio corpo.

Alright, hello?
(Hello, this is your body)
What do you want, my body?
(I wanna feel somebody on me)

Poesia pura.

Franz Ferdinand apresenta quatro novas faixas

Posted in álbum, música by Felipe Leal on 19 julho, 2008

O novo álbum está previsto apenas para janeiro do ano que vem, mas alguns sortudos tiveram a oportunidade de conferir quatro músicas novas do Franz Ferdinand no festival Latitude, no reino Unido. O grupo de Glasgow, na Escócia, tocou “Kathryn Kiss Me”, “Ulysses”, “Turn It Out” e “What She Came For”, todas ainda inéditas mas que não escaparam das câmeras digitais e já caíram em sites como o Youtube.

Além de terem a oportunidade de ouvir as quatro faixas, os presentes no festival ainda viram shows do Death Cab For Cutie, que acabou de lançar seu Narrow Stairs, e o Black Kids, com álbum já resenhado no Subsom.

Vale lembrar que além delas, outras faixas com nomes ainda não confirmados estão circulando em vídeos e publicações na rede: “Favourite Lie”, “Flight Of The Galvatron”, “Swallow, Smile”, “Misheard”, “Can’t You Let Me Stay Tonight” e provavelmente “All Ma Pals”.

Em entrevista ao jornal britânico The Independent, o grupo afirmou que o próximo lançamento terá influências da música africana, o que já se ensaiava timidamente no debut Franz Ferdinand e em You Could Have It So Mutch Better, pelo menos no que diz respeito a bateria/batucadas a lá The Arcade Fire como o público de Rio e São Paulo teve a oportunidade de conferir.

“Turn It On”, você confere no vídeo abaixo. Ao que parece, ao menos a julgar por essa faixa, que os sintetizadores estarão mais presentes no terceiro disco.

OUVIMOS: Black Kids – “Partie Traumatic”

Posted in álbum by Bruno Boghossian on 7 julho, 2008

Black Kids - Partie TraumaticBlack Kids – “Partie Traumatic”
Nota: 3 / 5

Nas últimas semanas, fãs e críticos se perguntavam se o álbum de estréia do quinteto americano Black Kids chegaria ao mesmo nível do trabalho apresentado pela banda em suas gravações anteriores. Todos queriam saber se o grupo conseguiria repetir o sucesso do hit “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance With You”, que estourou em pistas de dança de vários países. O que aconteceu hoje, quando “Partie Traumatic” foi lançado oficialmente, foi o que poucos esperavam: a banda apareceu com um som de qualidade tão apurada que causou estranhamento em fãs que já conheciam (ou achavam que conheciam) mais de metade das faixas do disco.

A banda formada em 2006 na Flórida é um daqueles fenômenos da música que conseguem fazer tanto sucesso na Internet que antes mesmo do lançamento do primeiro disco já se dão o luxo de sair em turnê mundial, de lançar videoclipes e de colocar singles de sucesso na praça. Sete das 10 canções que estão no álbum de estréia da banda já tinham sido lançadas como singles, disponibilizadas no MySpace ou simplesmente vazado na web – tudo em versões “amadoras”, sem sofisticação técnica.

Black Kids / Divulgação

O entusiasmo em torno dessas músicas foi tanto que, quando “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance With You” foi lançado oficialmente como single no Reino Unido, em abril, chegou ao 11º lugar nas paradas. Os fãs, as publicações e os sites britânicos, aliás, foram os grandes responsáveis pelo hype em torno do Black Kids. Talvez por isso a banda americana tenha gravado o álbum de estréia na Inglaterra e escolhido o britânico Bernard Butler para produzi-lo. Butler foi guitarrista do Suede e produziu artistas que vão de Libertines e Cajun Dance Party a Aimee Mann e Duffy.

O salto das gravações independentes para a sofisticação de um estúdio inglês é um caminho comum para a maior parte das bandas de indie rock. Talvez o Black Kids enfrentasse um desafio maior: seria difícil impressionar público e crítica com letras e canções que já eram conhecidas por tanta gente. Para sorte dos fãs, o upgrade técnico do trabalho em estúdio não apagou as marcas dos anos 80 e as melodias pop das primeiras gravações do grupo.

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