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Festival Coquetel Motolov – 1º dia

Posted in música by Felipe Leal on 25 setembro, 2008

(Por Tarcio Fonseca, do Recife)

Camelo e Hurtmold na UFPE. Fotos: Caroline Bittencourt/G1

Se existe um festival meio difícil de definir, este é o No Ar: Coquetel Molotov. Principalmente o deste ano. Senão vejamos, em sua programação ele aposta em nomes pouco conhecidos da Suécia, coloca no mesmo palco uma banda de brega e, na sequência, um artista dominando sozinho o palco com um violino e pedais de guitarra, e ainda consegue agradar uma geração ligada na MTV e os que curtem rock progressivo e experimentalismos. E o mais legal é ver que a maioria está ali aberta para conhecer coisas novas. Acredito que, de todas as conquistas que Ana Garcia, Tathianna Nunes e Jarmeson de Lima já tiveram com o festival, criar esta mentalidade no público recifense foi o principal.

O festival deste ano conseguiu, pela primeira vez, esgotar seus ingressos antecipadamente. Dois dias antes da data, as entradas para os shows da sexta-feira, que contariam com Marcelo Camelo fechando a noite e estreando sua carreira solo, já não eram mais encontradas em qualquer ponto de venda. Para quem já acompanha o Molotov há quatro anos, foi bem estranho encontrar pessoas no dia do show dispostas a pagar duas ou até três vezes o valor normal do ingresso.

Mas vamos agora aos shows. Abrindo a sexta-feira na sala Cine UFPE, o público pôde conferir o Burro Morto, banda da Paraíba que faz um rock progressivo com percussão e uma aura que logo remete aos anos 70. Até no visual os caras parecem que foram tirados diretamente daquela época. Diferente dos últimos anos, mesmo na primeira apresentação a sala já estava razoavelmente cheia para conferir o ótimo show que os paraibanos fizeram.

Na sequência sobe ao palco A Banda do Joseph Tourton. Abro um parêntese pra dizer que fui uma das pessoas que pediu para que o Coquetel Molotov desse uma chance pros meninos. E quando falo meninos, são meninos mesmo. A banda aparenta ter uma média entre 18 e 20 anos, e parece que trouxe um ônibus lotado de colegas do colégio, cursinho ou do primeiro período da faculdade pra assistir ao show. Olhando ao redor, nunca tinha visto gente tão nova acompanhando o festival. No palco, os caras fazem um post rock bem influenciado por Tortoise, Explosions in the Sky e Hurtmold, só que num estágio ainda verde. A qualidade está lá, só falta agora amadurecê-la, mas eles ainda têm tempo de sobra pra isso.

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ENTREVISTA: Mogwai fala do novo cd, do Brasil e manda Bush ao inferno

Posted in álbum, entrevista by Felipe Leal on 4 julho, 2008
Capa de The Hawk is Howling

Capa de The Hawk is Howling

Considerada um das maiores expoentes do post-rock mundial, a banda escocesa Mogwai lançará, no próximo dia 22, “The Hawk Is Howling”, que vem sendo considerado pela imprensa internacional como o álbum mais aguardado do grupo até hoje. Em entrevista exclusiva ao Subsom, o guitarrista Stuart Braithwaite comentou a carreira da banda, o novo disco, as desavenças com a britânica Blur e ainda deu um recado ao presidente republicano George W. Bush, mandando-o ao “inferno”.

Bem humorado, o quinteto escocês deu nomes inusitados às dez músicas do novo disco, a exemplo de “I’m Jim Morrison, I’m Dead”, “The Sun Smells Too Loud” e “I Love You, I’m Going to Blow Up Your School”. Essa última, explica Braithwaite, foi retirada de uma história contada pelo baixista Dominic Aitchison. “Ele nos fez jurar que não contaríamos! Não posso dizer o que é, desculpe”, desconversou

Quanto ao reconhecimento mundial que, entre outros parâmetros pode ser medido nas mais de 14 milhões de audições registradas no site Last.fm, o guitarrista diz que deve muito à internet. “Com certeza a rede facilita muito que pessoas dos mais inimagináveis países confiram sons que elas praticamente não ouviriam”, disse.

Quem se depara com a banda encontra rótulos que vão de space-rock, indie rock e noise rock ao mais comentado post-rock (passando por outras denominações com hífen e outros bichos). Braithwaite confessa não gostar muito do termo, que define como sendo “música de rock simples lenta e instrumental”.

“Para ser sincero, eu ouço uma quantidade enorme de tipos diferentes de música, mas dentro do estilo gosto da Explosions In The Sky (banda do Texas). Minhas bandas de rock instrumental favoritas são Black Dice, Growing e Wooden Ships”, contou, definindo o som do Mogwai somente como rock.

Segundo ele, que cresceu ouvindo Sonic Youth, Pixies, Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine e The Cure, o fato da esmagadora maioria das músicas da banda serem instrumentais não tem nenhuma ligação com estilo ou escolha. “É porque não cantamos bem! Ninguém na banda sabe cantar. Essa é a verdadeira razão, incrivelmente”, explica Stuart.

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