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Coquetel Molotov – 2º dia

Posted in música by Felipe Leal on 6 outubro, 2008

Tarcio Fonseca relata a comoção Mallu Magalhães, o experimentalismo de Akin e o simpático Peter, Bjorn & Jonh, além de comentar o sabor da pizza do Teatro da UFPE. As fotos são de Caroline Bittencourt. Você confere a cobertura do 1º dia aqui.

O segundo dia do festival No Ar: Coquetel Molotov não teve a mesma comoção do primeiro, mas isso já era algo esperado. Na escalação do sábado não houve nenhum artista já consagrado em terras brasileiras para atrair um grande público específico. A que chegou mais perto disso foi Mallu Magalhães, que fez com que o Teatro da UFPE recebesse um público de faixa etária abaixo do que o festival normalmente recebe. Dava pra encontrar meninos e meninas de 13 ou 14 anos na frente do palco durante o show da pequena revelação do “folk brasileiro” (?!?).

Como já virou costume, a Sala Cine PE apresentou shows bem legais e novas propostas que fogem do lugar comum da música atual. Numa comparação direta entre os dois espaços do festival, a Sala Cine PE consegue, quase sempre, sair com mais pontos nos quesitos qualidade e criatividade.

Abrindo os shows da noite, com um atraso de quase duas horas do horário marcado, tivemos a Pocilga Deluxe. A banda é o novo projeto de André Balaio, (ex)vocalista do Paulo Francis Vai Pro o Céu, icônico grupo pernambucano que ganhou destaque no Recife (e Brasil) durante os anos 90, chegando até a receber um prêmio no VMB 98. Assim como o Paulo Francis VPC, a Pocilga também segue uma linha irônica e sarcástica nas letras e postura. A banda faz um rock com boas doses de pop e vinho francês barato para pagar de parisiense arrogante. Mas tudo com muito bom humor e segurança na parte musical. Boa banda, bom show.

Após Paris sair de cena, surgem os super-heróis. Zeca Viana & Onomatopéia Bum criaram um clima lúdico casando som e imagem para apresentar seu trabalho. Zeca (que toca bateria na Volver) e as irmãs Sofia e Maíra Egito entraram no palco fantasiados como heróis e recriaram todo o clima mágico da música dos anos 60 tendo Beatles e Arnaldo Baptista como claras influências. Todas as músicas eram, basicamente, composições de teclado e voz envoltas numa aura infantil. As projeções de vídeo com desenhos, mímica e pinturas reforçavam esse lado. É bom destacar que o Zeca tem uma ótima voz, e as irmãs Egito nos backing vocals também cumprem um bom papel. Participou também do show Domingos Sávio, da banda Monodecks, que tocou guitarra e flauta e somou ainda mais a mistura certa que Zeca inventou dessa vez.

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Sonic Youth assina com Matador Records

Posted in música by Guilherme Sorgine on 10 setembro, 2008

O Sonic Youth, que já havia avisado no começo do mês que deixaria a Geffen/Universal, após quase 20 anos de parceria, anunciou hoje seu novo destino: a Matador Records, selo histórico que abriga/abrigou nomes do naipe de John Spencer, Yo La Tengo, Pavement, Sleater-Kinney e Superchunk (paro aqui por uma questão de espaço; a lista vai longe).

De acordo com o comunicado postado hoje no site oficial da gravadora, a banda deve entrar em estúdio para a gravação de seu novo álbum ainda este ano, e lançá-lo “em algum momento de 2009”.

“Para a Matador, a oportunidade de trabalhar em parceria com um grupo cujo impacto é tão profundo não poderia ser desperdiçada”, diz a nota.

Nessa era de música fácil e qualidade nem tanto, considero a Matador algo próximo a uma grife, um selo de qualidade ao estilo do que foram (guardadas as devidas proporções) a Rough Trade, a SST (que chegou a lançar álbuns do próprio Sonic Youth nos 80’s) ou a Subpop. Nada mais justo, portanto, que assine agora com o SY, nome que literalmente dispensa comentários.
 
Agora, engraçado é pensar como uma das bandas mais independentes (no sentido amplo da coisa) que eu conheço pode ter passado a maior parte da carreira na mesma major que lança os discos do Guns and Roses. Subverter o sistema é isso aí. Vida longa ao Sonic Youth

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ENTREVISTA: Cansei de Ser Sexy

Posted in álbum, entrevista by Felipe Leal on 1 agosto, 2008

O que começou como um projeto “despretensioso” se tornou algo inacreditavelmente grande. Saído de São Paulo, o Cansei de Ser Sexy ganhou imensa projeção na mídia internacional e hoje integra grandes festivais em países como Espanha, Inglaterra e Estados Unidos, onde está baseado. Apesar das saudades, a banda está com a agenda lotada e adianta que só toca no Brasil este ano no caso de uma “proposta inacreditável”, mostrando que o multiinstrumentista e produtor Adriano Cintra e suas companheiras de banda estão muito bem, obrigado.

Em entrevista por telefone ao Subsom, a guitarrista e baterista Luiza Sá contou os detalhes da gravação do segundo álbum da banda, “Donkey”, falou um pouco da trajetória do CSS e aproveitou para dizer que Johnny Lydon, ex-vocalista do lendário grupo Sex Pistols, é um “idiota”. Indo na carona do Radiohead, a banda paulistana disponibiliza gratuitamente e na íntegra seu segundo trabalho no site do selo Trama. Aos interessados, a gravadora manterá o disco no ar pelos próximos três meses.

Como foram as gravações do novo álbum?

Quando entramos no estúdio já tínhamos escrito todas as coisas, aí foi mais gravar mesmo. O primeiro disco foi feito no fundo da casa do Adri (Adriano Cintra, baterista, guitarrista, baixista e produtor da banda) e da Carol (Carolina Parra, guitarrista e uma das bateristas), numa salinha, uma espécie de vinícola, e no “Donkey” tivemos a oportunidade de usar o estúdio da Trama, que é incrível. Ninguém encheu nosso saco pra nada, a gente fez tudo de forma organizada. Para mim foi um aprendizado, porque usei um monte de instrumento que nunca tinha usado, guitarra diferente, amplificadores diferentes, e tudo num processo com uma vibração boa. Fizemos as coisas do nosso jeito e ninguém ficou em cima.

Quais as principais diferenças entre o Donkey e o primeiro CD de vocês?

O primeiro disco foi metade feito no computador e metade em estúdio, foi meio feito como demo mesmo e a gente nunca esperava fazer tantas tours com ele. Nesse segundo, estivemos preocupados em ser o mais próximo possível do que somos ao vivo, do que a gente é como banda e a gente se tornou mais banda depois que começamos fazer tours. O Adriano produziu tudo e a mixagem é do Spike Stente, que já trabalhou com o Massive Attack, Madonna, Gwen Stefani e Björk.

Pelas faixas do disco, dá para ver que vocês amadureceram. Está mais bem produzido, as guitarras ganharam mais peso…

Passamos por muita coisa e não teve nem como a gente não amadurecer. Falo que esse disco é mais pessoal e mais sério que o primeiro disco, que era completamente despretensioso.

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